Brasília e Fortaleza inauguram seus bancos
No dia 1º de junho será inaugurado em Brasília mais um banco público de sangue de cordão umbilical e placentário do projeto de expansão da Rede Brasileira de Bancos de Cordão Umbilical e Placentário (BrasilCord). No dia 8, será a vez de começar as atividades na unidade de Fortaleza. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou presença neste evento. Com os dois novos bancos, o Brasil passará a ter oito unidades como essa e, até 2011, mais cinco serão inauguradas.
As novas unidades possuem, cada uma, capacidade de armazenamento de 3.600 bolsas de sangue de cordão, material rico em células-tronco que pode ser usado em tratamentos de pacientes com necessidade de transplante de medula óssea. O investimento médio em cada banco foi de R$ 3,5 milhões. Os recursos foram provenientes do BNDES. A iniciativa é do Instituto Nacional de Câncer, sob coordenação do Ministério da Saúde, e da Fundação do Câncer que cuida do gerenciamento logístico do projeto de expansão.
Nas inaugurações estão previstas as presenças de diversas autoridades como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, do diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini, o presidente do Conselho de Curadores da Fundação do Câncer, Marcos Moraes, e o supervisor de projetos, Marson Rebuzzi. Haverá ainda a presença dos governadores e dos secretários de Saúde dos respectivos estados: no Pará, Ana Júlia de Vasconcelos Carepa e Maria Sílvia Martins Comarú Leal; no Ceará, Cid Ferreira Gomes estará ao lado de Arruda Bastos; e, no Distrito Federal, Rogério Rosso e Joaquim Carlos da Silva Barros Neto.
A próxima etapa dos dois novos bancos é a acreditação que vai certificar a existência dos melhores procedimentos médicos destas unidades.
Sobre a Rede BrasilCord
A expansão daRede BrasilCord consiste na construção de oito novos bancos públicos de sangue de cordão umbilical e placentário. Trata-se de um projeto de R$ 31,5 milhões gerenciado pela Fundação do Câncer, com a consultoria técnica do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que é a instituição responsável pela coordenação da Rede, e financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os novos bancos estão localizados no Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Distrito Federal. O objetivo é armazenar cerca de 60.000 cordões nos 13 bancos da Rede, número considerado ideal para, juntamente com os doadores voluntários de medula óssea, suprir a demanda de transplantes no Brasil.
A doação do cordão umbilical do recém-nascido para um banco público é voluntária e autorizada pela mãe do bebê. As unidades armazenadas ficam disponíveis para qualquer pessoa que precise de transplante de medula óssea, indicação para pacientes com leucemia e outras doenças do sangue. Quanto mais cordões armazenados, maior a quantidade de pessoas que podem ser beneficiadas.
fonte http://www.fundacaodocancer.org.br/noticias-ver.php?cod=22&bsc=
segunda-feira, 31 de maio de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
70% dos alimentos vêm da agricultura familiar, veja o video
70% dos alimentos vêm da agricultura familiar
Lula, as elites e o vira-latas
Lula, as elites e o vira-latas
É extremamente interessante que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio!
Francisco Carlos Teixeira
Seguindo outros grandes meios de comunicação globais, a revista Time escolheu – na semana passada - o presidente Lula como o líder mais influente do mundo. A notícia repercutiu em todo o mundo, sendo matéria de primeira página, no jornalão El País.
Elite e preconceito
Na verdade a matéria o apontava como o homem mais influente do mundo, posto que nem só políticos fossem alinhados na larga lista composta pelo Time. Esta não é a primeira vez que Lula merece amplo destaque na imprensa mundial. Os jornais Le Monde, de Paris, e o El País, o mais importante meio de comunicação em língua espanhola (e muito atento aos temas latino-americanos) já haviam, na virada de 2009, destacado Lula como o “homem do ano”. O inédito desta feita, com a revista Time, foi fazer uma lista, incluindo aí homens de negócios, cientistas e artistas mundialmente conhecidos. Entre os quais está o brasileiro Luis Inácio da Silva, nascido pobre e humilde em Caetés, no interior de Pernambuco, em 1945, o presidente do Brasil aparece como o mais influente de todas as personalidades globais. Por si só, dado o ponto de partida da trajetória de Lula e as deficiências de formação notórias é um fato que merece toda a atenção. No Brasil a trajetória de Lula tornou-se um símbolo contra toda a forma de exclusão e um cabal desmentido aos preconceitos culturalistas que pouco se esforçam para disfarçar o preconceito social e de classe.
É extremamente interessante, inclusive para uma sociologia das elites nacionais, que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com grande déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio sepulcral!
Lula Líder Mundial
Desde 2007 a imprensa mundial, depois de colocá-lo ao lado de líderes cubanos e nicaraguenhos num pretenso “eixinho do mal”, teve que aceitar a importância da presença de Lula nas relações internacionais e reconhecer a existência de uma personalidade original, complexa e desprovida de complexos neocoloniais. Em 2008 a Newsweek, seguida pela Forbes, admitiam Lula como um personagem de alcance mundial. O conservador Financial Times declarava, em 2009, que Lula, “com charme e habilidade política” era um dos homens que haviam moldado a primeira década do século XXI. Suas ações, em prol da paz, das negociações e dos programas de combate à pobreza eram responsáveis pela melhor atenção dada, globalmente, aos pobres e desprovidos do mundo.
Mesmo no momento da invasão do Iraque, em busca das propaladas “armas de destruição em massa”, Lula havia proposto a continuidade das negociações e declarado que a guerra contra a fome era mais importante que sustentar o complexo industrial-militar norte-americano.
Em 2010, em meio a uma polêmica bastante desinformada no Brasil – quando alguns meios de comunicação nacionais ridicularizaram as propostas de negociação para a contínua crise no Oriente Médio – o jornal israelense Haaretz – um importante meio de comunicação marcado por sua independência – denominou Lula de “profeta da paz”, destacando sua insistência em buscar soluções negociadas para a paz. Enquanto isso, boa parte da mídia brasileira, fazendo eco à extrema-direita israelense, procurava diminuir o papel do Brasil na nova ordem mundial.
Lula, talvez mesmo sem saber, utilizando-se de sua habilidade política e de seu incrível sentido de negociações, repetia, nos mais graves dossiês internacionais, a máxima de Raymond Aron: a paz se negocia com inimigos. As exigências, descabidas e mal camufladas de recusa ás negociações, sempre baseadas em imposições, foram denunciadas pelo presidente brasileiro. Idéias pré-concebidas estabelecendo a necessidade de mudar regimes para se ter a paz ou usar as baionetas para garantir a democracia foram consideradas, como sempre, desculpas para novas guerras. Lula mostrou-se, em várias das mais espinhosas crises internacionais, um negociador permanente. Foi assim na crise do golpe de Estado na Venezuela em 2002 (quando ainda era candidato) e nas demais crises sul-americanas, como na Bolívia, com o Equador e como mediador em crises entre outros países.
Lula negociador
O mais surpreendente é que o reconhecimento internacional do presidente brasileiro não traz qualquer orgulho para a elite brasileira. Ao contrário. Lula foi ridicularizado por sua política no Oriente Médio. Enquanto isso o presidente de Israel, Shimon Perez ou o Grande-Rabino daquele país solicitavam o uso do livre trânsito do presidente para intervir junto ao irascível presidente do Irã. Dizia-se aqui que Lula ofendera Israel, enquanto o Haaretz o chamava de “profeta da paz” e a Knesset (o parlamento de Israel) o aplaudia em pé. No mesmo momento o Brasil assinava importantes acordos comerciais com Israel.
Ridicularizou-se ao extremo a atuação brasileira em Honduras, sem perceber a terrível porta que se abria com um golpe militar no continente. Lula teve a firmeza e a coragem, contra a opinião pública pessimamente informada, de dizer e que “... a época de se arrancar presidentes de pijama” do palácio do governo e expulsá-los do país pertencia, definitivamente, a noite dos tempos.
Honduras teve que arcar com o peso, e os prejuízos, de sustentar uma elite empedernida, que escrevera na constituição, após anos de domínio ditatorial, que as leis, o mundo e a vida não podem ser mudados. Nem mesmo através da expressa vontade do povo! E a elite brasileira preferiu ficar ao lado dos golpistas hondurenhos e aceitar um precedente tenebroso para todo o continente.
Brasil, país no mundo!
Também se ridicularizou a abertura das relações do Brasil com o conjunto do planeta. Em oito anos abriu-se mais de sessenta novas representações no exterior, tornando o Brasil um país global. Os nostálgicos do “circuito Helena Rubinstein” – relações privilegiadas com Nova York, Londres e Paris – choraram a “proletarização” de nossas relações. Com a crise econômica global – que desmentiu os credos fundamentalistas neoliberais – a expansão do Brasil pelo mundo, os novos acordos comerciais (ao lado de um mercado interno robusto) impediram o Brasil de cair de joelhos. Outros países, atrelados ao eixo norte-atlântico e aqueles que aceitaram uma “pequena Alca”, como o México, debatem-se no fundo de suas infelicidades. Lula foi ridicularizado quando falou em “marolhinha”. Em seguida o ex-poderoso e o ex-centro anti-povos chamado FMI, declarou as medidas do governo Lula como as mais acertadas no conjunto do arsenal anti-crise.
Mais uma vez silêncio das elites brasileiras!
Lula foi considerado fomentador da preguiça e da miséria ao ampliar, recriar, e expandir ações de redistribuição de renda no país. A miséria encolheu e mais de 91 milhões de brasileiros ascenderam para vivenciar novos patamares de dignidade social... A elite disse que era apoiar o vício da preguiça, ecoando, desta feita sabendo, as ofensas coloniais sobre “nativos” preguiçosos. Era a retro-alimentação do mito da “pereza ibérica”. Uma ajuda de meio salário, temporária, merece por parte da elite um bombardeio constante. A corrupção em larga escala, dez vezes mais cara e improdutiva ao país que o Bolsa Família, e da qual a elite nacional não é estranha, nunca foi alvo de tantos ataques.
A ONU acabou escolhendo o Programa Bolsa Família como símbolo mundial do resgate dos desfavorecidos. O ultra-conservador jornal britânico The Economist o considerou um modelo de ação para todos os países tocados pela pobreza e o Le Monde como ação modelar de inclusão social.
Mais uma vez a elite nacional manteve-se em silêncio!
Em suma, quando a influente revista, sem anúncios do governo brasileiro, Time escolhe Lula como o líder mais influente do mundo, a mídia brasileira “esquece” de noticiar. Nas páginas internas, tão encolhidas como um vira-lata em dia de chuva noticia-se que Lula “... está entre os 25 lideres mais influentes do mundo”. Errado! A lista colocava Lula como “o mais” influente do mundo.
Agora se espera o silêncio da elite brasileira!
Francisco Carlos Teixeira é professor Titular de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
fonte
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4615&alterarHomeAtual=1
É extremamente interessante que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio!
Francisco Carlos Teixeira
Seguindo outros grandes meios de comunicação globais, a revista Time escolheu – na semana passada - o presidente Lula como o líder mais influente do mundo. A notícia repercutiu em todo o mundo, sendo matéria de primeira página, no jornalão El País.
Elite e preconceito
Na verdade a matéria o apontava como o homem mais influente do mundo, posto que nem só políticos fossem alinhados na larga lista composta pelo Time. Esta não é a primeira vez que Lula merece amplo destaque na imprensa mundial. Os jornais Le Monde, de Paris, e o El País, o mais importante meio de comunicação em língua espanhola (e muito atento aos temas latino-americanos) já haviam, na virada de 2009, destacado Lula como o “homem do ano”. O inédito desta feita, com a revista Time, foi fazer uma lista, incluindo aí homens de negócios, cientistas e artistas mundialmente conhecidos. Entre os quais está o brasileiro Luis Inácio da Silva, nascido pobre e humilde em Caetés, no interior de Pernambuco, em 1945, o presidente do Brasil aparece como o mais influente de todas as personalidades globais. Por si só, dado o ponto de partida da trajetória de Lula e as deficiências de formação notórias é um fato que merece toda a atenção. No Brasil a trajetória de Lula tornou-se um símbolo contra toda a forma de exclusão e um cabal desmentido aos preconceitos culturalistas que pouco se esforçam para disfarçar o preconceito social e de classe.
É extremamente interessante, inclusive para uma sociologia das elites nacionais, que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com grande déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio sepulcral!
Lula Líder Mundial
Desde 2007 a imprensa mundial, depois de colocá-lo ao lado de líderes cubanos e nicaraguenhos num pretenso “eixinho do mal”, teve que aceitar a importância da presença de Lula nas relações internacionais e reconhecer a existência de uma personalidade original, complexa e desprovida de complexos neocoloniais. Em 2008 a Newsweek, seguida pela Forbes, admitiam Lula como um personagem de alcance mundial. O conservador Financial Times declarava, em 2009, que Lula, “com charme e habilidade política” era um dos homens que haviam moldado a primeira década do século XXI. Suas ações, em prol da paz, das negociações e dos programas de combate à pobreza eram responsáveis pela melhor atenção dada, globalmente, aos pobres e desprovidos do mundo.
Mesmo no momento da invasão do Iraque, em busca das propaladas “armas de destruição em massa”, Lula havia proposto a continuidade das negociações e declarado que a guerra contra a fome era mais importante que sustentar o complexo industrial-militar norte-americano.
Em 2010, em meio a uma polêmica bastante desinformada no Brasil – quando alguns meios de comunicação nacionais ridicularizaram as propostas de negociação para a contínua crise no Oriente Médio – o jornal israelense Haaretz – um importante meio de comunicação marcado por sua independência – denominou Lula de “profeta da paz”, destacando sua insistência em buscar soluções negociadas para a paz. Enquanto isso, boa parte da mídia brasileira, fazendo eco à extrema-direita israelense, procurava diminuir o papel do Brasil na nova ordem mundial.
Lula, talvez mesmo sem saber, utilizando-se de sua habilidade política e de seu incrível sentido de negociações, repetia, nos mais graves dossiês internacionais, a máxima de Raymond Aron: a paz se negocia com inimigos. As exigências, descabidas e mal camufladas de recusa ás negociações, sempre baseadas em imposições, foram denunciadas pelo presidente brasileiro. Idéias pré-concebidas estabelecendo a necessidade de mudar regimes para se ter a paz ou usar as baionetas para garantir a democracia foram consideradas, como sempre, desculpas para novas guerras. Lula mostrou-se, em várias das mais espinhosas crises internacionais, um negociador permanente. Foi assim na crise do golpe de Estado na Venezuela em 2002 (quando ainda era candidato) e nas demais crises sul-americanas, como na Bolívia, com o Equador e como mediador em crises entre outros países.
Lula negociador
O mais surpreendente é que o reconhecimento internacional do presidente brasileiro não traz qualquer orgulho para a elite brasileira. Ao contrário. Lula foi ridicularizado por sua política no Oriente Médio. Enquanto isso o presidente de Israel, Shimon Perez ou o Grande-Rabino daquele país solicitavam o uso do livre trânsito do presidente para intervir junto ao irascível presidente do Irã. Dizia-se aqui que Lula ofendera Israel, enquanto o Haaretz o chamava de “profeta da paz” e a Knesset (o parlamento de Israel) o aplaudia em pé. No mesmo momento o Brasil assinava importantes acordos comerciais com Israel.
Ridicularizou-se ao extremo a atuação brasileira em Honduras, sem perceber a terrível porta que se abria com um golpe militar no continente. Lula teve a firmeza e a coragem, contra a opinião pública pessimamente informada, de dizer e que “... a época de se arrancar presidentes de pijama” do palácio do governo e expulsá-los do país pertencia, definitivamente, a noite dos tempos.
Honduras teve que arcar com o peso, e os prejuízos, de sustentar uma elite empedernida, que escrevera na constituição, após anos de domínio ditatorial, que as leis, o mundo e a vida não podem ser mudados. Nem mesmo através da expressa vontade do povo! E a elite brasileira preferiu ficar ao lado dos golpistas hondurenhos e aceitar um precedente tenebroso para todo o continente.
Brasil, país no mundo!
Também se ridicularizou a abertura das relações do Brasil com o conjunto do planeta. Em oito anos abriu-se mais de sessenta novas representações no exterior, tornando o Brasil um país global. Os nostálgicos do “circuito Helena Rubinstein” – relações privilegiadas com Nova York, Londres e Paris – choraram a “proletarização” de nossas relações. Com a crise econômica global – que desmentiu os credos fundamentalistas neoliberais – a expansão do Brasil pelo mundo, os novos acordos comerciais (ao lado de um mercado interno robusto) impediram o Brasil de cair de joelhos. Outros países, atrelados ao eixo norte-atlântico e aqueles que aceitaram uma “pequena Alca”, como o México, debatem-se no fundo de suas infelicidades. Lula foi ridicularizado quando falou em “marolhinha”. Em seguida o ex-poderoso e o ex-centro anti-povos chamado FMI, declarou as medidas do governo Lula como as mais acertadas no conjunto do arsenal anti-crise.
Mais uma vez silêncio das elites brasileiras!
Lula foi considerado fomentador da preguiça e da miséria ao ampliar, recriar, e expandir ações de redistribuição de renda no país. A miséria encolheu e mais de 91 milhões de brasileiros ascenderam para vivenciar novos patamares de dignidade social... A elite disse que era apoiar o vício da preguiça, ecoando, desta feita sabendo, as ofensas coloniais sobre “nativos” preguiçosos. Era a retro-alimentação do mito da “pereza ibérica”. Uma ajuda de meio salário, temporária, merece por parte da elite um bombardeio constante. A corrupção em larga escala, dez vezes mais cara e improdutiva ao país que o Bolsa Família, e da qual a elite nacional não é estranha, nunca foi alvo de tantos ataques.
A ONU acabou escolhendo o Programa Bolsa Família como símbolo mundial do resgate dos desfavorecidos. O ultra-conservador jornal britânico The Economist o considerou um modelo de ação para todos os países tocados pela pobreza e o Le Monde como ação modelar de inclusão social.
Mais uma vez a elite nacional manteve-se em silêncio!
Em suma, quando a influente revista, sem anúncios do governo brasileiro, Time escolhe Lula como o líder mais influente do mundo, a mídia brasileira “esquece” de noticiar. Nas páginas internas, tão encolhidas como um vira-lata em dia de chuva noticia-se que Lula “... está entre os 25 lideres mais influentes do mundo”. Errado! A lista colocava Lula como “o mais” influente do mundo.
Agora se espera o silêncio da elite brasileira!
Francisco Carlos Teixeira é professor Titular de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
fonte
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terça-feira, 25 de maio de 2010
A “virada” do Datafolha: crime eleitoral?
A “virada” do Datafolha: crime eleitoral?
A nova pesquisa do Datafolha, divulgada neste final de semana, não deve ter causado desarranjo apenas no comando da campanha demotucana. Ela criou graves desajustes na direção do próprio instituto, comandado pela famíglia Frias, que também é proprietária do jornal FSP (Folha Serra Presidente). Em abril, quando todos os outros institutos confirmavam o crescimento de Dilma Rousseff e o empate técnico com José Serra, o Data-da-Folha surpreendeu ao indicar o aumento da distancia – da boca do jacaré, no jargão do setor – entre o tucano e a petista (12 pontos).
Em cerca de um mês, aqueles doze pontos de diferença simplesmente sumiram – num verdadeiro “fenômeno sísmico”, segundo a ironia do blogueiro Paulo Henrique Amorim. Agora, segundo o suspeito instituto, os dois candidatos estão empatados em 37% – Serra despencou cinco pontos e Dilma subiu sete. Diante destes números “impressionantes”, o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, sacou uma desculpa risível. “O principal fato que pode ser apontado como responsável por essa alta da candidata é o programa partidário de TV que o PT apresentou recentemente”.
Desculpa esfarrapada e cinismo
Talvez temendo pelo seu emprego, Paulino evitou comentar possíveis “erros” – ou manipulações – na pesquisa anterior, tão favorável ao demotucano num momento crucial para consolidação dos apoios a sua candidatura. Na ocasião, vários especialistas em pesquisas denunciaram mudanças metodológicas que beneficiaram Serra – como a maior coleta de dados em bairros e cidades das elites brasileiras e sua redução nas regiões Norte e Nordeste. Encurralado, o Datafolha deflagrou uma guerra de baixarias contra os outros institutos para tentar salvar a sua pele.
A desculpa apresentada agora para justificar o “fenômeno sísmico” também é furada. Afinal, no mesmo período da pesquisa, o DEM também expôs seu candidato no horário gratuito de rádio e televisão. Além disso, o governo de São Paulo promove um intenso bombardeio de propaganda sobre o “paraíso” da administração tucana no estado. Já a mídia golpista não cessa sua artilharia contra o governo Lula – inclusive opondo-se ao acordo Brasil-Irã – e mantém a total blindagem sobre José Serra. O “Zé Alagão”, por exemplo, até sumiu das telinhas no período das enchentes.
A crise de identidade demotucana
A nova pesquisa Datafolha, agora mais próxima da realidade, revela as dificuldades da oposição neoliberal-conservadora. A fantasia do “Serrinha paz e amor” não colou. A bruxaria marqueteira, que tentava vender a imagem do tucano como “continuador” do governo Lula, não surtiu efeito. Se a aparição de Dilma Rousseff num único programa já causou este “fenômeno sísmico”, segundo a desculpa esfarrapada de Mauro Paulino, imagine quando tiver início a propaganda eleitoral de rádio e TV, em agosto. A candidata será ainda mais identificada com o presidente Lula!
Como observa o sítio Carta Maior, o “cavalo-de-pau” do Datafolha “reflete a crise de identidade na candidatura Serra. O patético figurino do candidato ‘cordial progressista’ tentado nos últimos meses derreteu pelo artificialismo abusivo que nenhum gênio do marketing pode contornar... Só o Datafolha ainda não havia mensurado esse vazio, mas agora não dava mais para esconder. As coisas então ficam assim: ou a mídia muda totalmente seu discurso golpista e adere ao ‘lulismo’ de Serra; ou Serra sai do armário e se junta ao udenismo anti-Lula do diretório midiático”.
Ajuste no discurso para a guerra
Tudo indica que vingará a segunda alternativa. Já na reunião do diretório nacional do PPS, José Serra promoveu ajustes no seu discurso, abandonando sua pele de cordeiro. Ele fez duros ataques ao governo Lula, num discurso terrorista sobre a existência do “bolchevismo sem utopias”. Sem ter mais como esconder, Serra também defendeu as privatizações do reinado de FHC, atacando o “patrimonialismo selvagem” do atual governo. Para alegria da mídia golpista, o tucano assume o figurino do brucutu neoliberal e sinaliza que a campanha tende para baixaria, nua e crua.
Diante desta tendência belicista, o Movimento dos Sem Mídia (MSM), liderado pelo blogueiro Eduardo Guimarães, acertou em cheio ao ingressar com representação junto à Justiça Eleitoral solicitando a fiscalização dos institutos de pesquisa. No caso do Datafolha, há fortes indícios de que ele já cometeu um grave crime eleitoral. Nada justifica seu recente “fenômeno sísmico”. Novas manipulações podem estar em orquestração, principalmente para o momento em que a campanha entrar na sua fase mais decisiva. Qualquer ingenuidade, vacilo ou tibieza poderá ser fatal.
fonte
http://altamiroborges.blogspot.com/2010/05/virada-do-datafolha-crime-eleitoral.html
A nova pesquisa do Datafolha, divulgada neste final de semana, não deve ter causado desarranjo apenas no comando da campanha demotucana. Ela criou graves desajustes na direção do próprio instituto, comandado pela famíglia Frias, que também é proprietária do jornal FSP (Folha Serra Presidente). Em abril, quando todos os outros institutos confirmavam o crescimento de Dilma Rousseff e o empate técnico com José Serra, o Data-da-Folha surpreendeu ao indicar o aumento da distancia – da boca do jacaré, no jargão do setor – entre o tucano e a petista (12 pontos).
Em cerca de um mês, aqueles doze pontos de diferença simplesmente sumiram – num verdadeiro “fenômeno sísmico”, segundo a ironia do blogueiro Paulo Henrique Amorim. Agora, segundo o suspeito instituto, os dois candidatos estão empatados em 37% – Serra despencou cinco pontos e Dilma subiu sete. Diante destes números “impressionantes”, o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, sacou uma desculpa risível. “O principal fato que pode ser apontado como responsável por essa alta da candidata é o programa partidário de TV que o PT apresentou recentemente”.
Desculpa esfarrapada e cinismo
Talvez temendo pelo seu emprego, Paulino evitou comentar possíveis “erros” – ou manipulações – na pesquisa anterior, tão favorável ao demotucano num momento crucial para consolidação dos apoios a sua candidatura. Na ocasião, vários especialistas em pesquisas denunciaram mudanças metodológicas que beneficiaram Serra – como a maior coleta de dados em bairros e cidades das elites brasileiras e sua redução nas regiões Norte e Nordeste. Encurralado, o Datafolha deflagrou uma guerra de baixarias contra os outros institutos para tentar salvar a sua pele.
A desculpa apresentada agora para justificar o “fenômeno sísmico” também é furada. Afinal, no mesmo período da pesquisa, o DEM também expôs seu candidato no horário gratuito de rádio e televisão. Além disso, o governo de São Paulo promove um intenso bombardeio de propaganda sobre o “paraíso” da administração tucana no estado. Já a mídia golpista não cessa sua artilharia contra o governo Lula – inclusive opondo-se ao acordo Brasil-Irã – e mantém a total blindagem sobre José Serra. O “Zé Alagão”, por exemplo, até sumiu das telinhas no período das enchentes.
A crise de identidade demotucana
A nova pesquisa Datafolha, agora mais próxima da realidade, revela as dificuldades da oposição neoliberal-conservadora. A fantasia do “Serrinha paz e amor” não colou. A bruxaria marqueteira, que tentava vender a imagem do tucano como “continuador” do governo Lula, não surtiu efeito. Se a aparição de Dilma Rousseff num único programa já causou este “fenômeno sísmico”, segundo a desculpa esfarrapada de Mauro Paulino, imagine quando tiver início a propaganda eleitoral de rádio e TV, em agosto. A candidata será ainda mais identificada com o presidente Lula!
Como observa o sítio Carta Maior, o “cavalo-de-pau” do Datafolha “reflete a crise de identidade na candidatura Serra. O patético figurino do candidato ‘cordial progressista’ tentado nos últimos meses derreteu pelo artificialismo abusivo que nenhum gênio do marketing pode contornar... Só o Datafolha ainda não havia mensurado esse vazio, mas agora não dava mais para esconder. As coisas então ficam assim: ou a mídia muda totalmente seu discurso golpista e adere ao ‘lulismo’ de Serra; ou Serra sai do armário e se junta ao udenismo anti-Lula do diretório midiático”.
Ajuste no discurso para a guerra
Tudo indica que vingará a segunda alternativa. Já na reunião do diretório nacional do PPS, José Serra promoveu ajustes no seu discurso, abandonando sua pele de cordeiro. Ele fez duros ataques ao governo Lula, num discurso terrorista sobre a existência do “bolchevismo sem utopias”. Sem ter mais como esconder, Serra também defendeu as privatizações do reinado de FHC, atacando o “patrimonialismo selvagem” do atual governo. Para alegria da mídia golpista, o tucano assume o figurino do brucutu neoliberal e sinaliza que a campanha tende para baixaria, nua e crua.
Diante desta tendência belicista, o Movimento dos Sem Mídia (MSM), liderado pelo blogueiro Eduardo Guimarães, acertou em cheio ao ingressar com representação junto à Justiça Eleitoral solicitando a fiscalização dos institutos de pesquisa. No caso do Datafolha, há fortes indícios de que ele já cometeu um grave crime eleitoral. Nada justifica seu recente “fenômeno sísmico”. Novas manipulações podem estar em orquestração, principalmente para o momento em que a campanha entrar na sua fase mais decisiva. Qualquer ingenuidade, vacilo ou tibieza poderá ser fatal.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
O que é contabilidade?
O que é contabilidade?
PARA QUEM NÃO ENTENDE NADA DE CONTABILIDADE, VAMOS
EXPLICAR MAIS OU MENOS COMO FUNCIONA:
A solteira é ………………….Crédito;
A casada é…………………..Débito;
A cunhada é…………………Provisão para Devedores Duvidosos;
A bonita é……………………Lançamento Certo;
A feia é………………………Estorno;
A feia e rica é……………….Conta de Compensação;
A bonita e rica é…………….Lucro Certo;
A ex-namorada é…………...Saldo de Exercícios Anteriores;
A namorada é………………Resultado de Exercício Futuro;
A noiva é……………………Reserva Legal;
A esposa é…………………Capital Integralizado;
A vizinha é………………….Ações de Outras Companhias;
A amante é………………....Empresa Coligada;
As que fazem operações plásticas são………..Obras e Benfeitorias;
As restantes são………………Obras em Andamento;
As que dão bola são………… Incentivos Recebidos;
As que não são viúvas, casadas ou solteiras são…….Contas a Classificar;
As que muito namoram e não se casam são……….....Saldo à Disposição da
Assembléia;
As que são surpreendidas em flagrante são………….Passivo a Descoberto;
A sogra pode ser classificada como PREJUÍZO ACUMULADO.

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-
Cursos 24 Horas
PARA QUEM NÃO ENTENDE NADA DE CONTABILIDADE, VAMOS
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
Resveratrol no combate ao câncer
Resveratrol no combate ao câncer
29/04/2010 Fundação do Câncer
Há alguns anos a ciência descobriu que o consumo moderado de vinho tinto é um importante aliado na saúde, incluindo a prevenção do câncer e de doenças cardiovasculares. A bebida concentra uma grande quantidade de resveratrol, um composto bioativo presente em diversos alimentos, como o suco de uvas escuras, amendoim e outros vegetais. Apesar de a bibliografia reconhecer que mais de 70 plantas apresentam a substância, o vinho tinto continua como a principal fonte, pois a presença do álcool aumenta a sua solubilidade.
Agora, a pesquisa da professora Eliane Fialho, do programa de Oncobiologia da UFRJ, busca identificar como o vinho tinto e outros compostos alimentares podem diminuir a viabilidade de células cancerosas, especialmente aquelas relacionadas ao câncer de mama, primeiro tipo de câncer entre as mulheres. A pesquisa conta com o apoio da Fundação do Câncer.
A alimentação inadequada é uma das principais vilãs para a incidência de câncer, contribuindo com cerca de 30%. Por isso, explica Fialho, torna-se importante encontrar substâncias como o resveratrol em alimentos funcionais, ou seja, aqueles que podem contribuir para a redução do risco do desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis, como o câncer, doenças cardiovasculares, diabetes etc.
“Atualmente, o resveratrol apresenta entre seus efeitos positivos o aumento da expectativa de vida e redução do risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer. A partir da técnica de sinalização celular, identificamos os mecanismos bioquímicos e moleculares envolvidos neste processo. Ou seja, de que forma o resveratrol atua, por diversos mecanismos, na capacidade de aumentar a morte celular, diminuir a proliferação de células tumorais, regular o ciclo celular e modular enzimas antioxidantes e antiinflamatórias”, explica a pesquisadora.
A longo prazo, esses estudos poderão contribuir para o desenvolvimento de uma terapia de tratamento que associe um medicamento quimioterápico a um ou mais de um composto bioativo. A boa notícia é que, enquanto novas pesquisas estão em desenvolvimento, a fórmula para prevenção do câncer já é conhecida, conforme destaca Eliane Fialho.
“Uma dieta adequada, rica em nutrientes e compostos bioativos, é eficiente na redução do risco de desenvolvimento de doenças crônicas. De uma maneira geral, o consumo de frutas e hortaliças deve ser de aproximadamente 400 g/dia. Isso representa de 5 a 9 porções de vegetais. Como nutricionista, recomendo o consumo de vegetais em todas as refeições, desde o desjejum até a ceia. E, quanto mais colorido for o seu prato, melhor”, afirma.
Além da Fundação do Câncer, cujos recursos são utilizados para a compra de pequenos equipamentos e reagentes, a pesquisa conta com o apoio da Faperj. A coordenação do projeto é de Eliane Fialho, que realiza os estudos junto com os professores Jerson Lima e Mário Alberto Cardoso, do Instituto de Bioquímica Médica, e estudantes de doutorado e graduação.
fonte
http://www.fundacaodocancer.org.br/noticias-ver.php?cod=20&bsc=
29/04/2010 Fundação do Câncer
Há alguns anos a ciência descobriu que o consumo moderado de vinho tinto é um importante aliado na saúde, incluindo a prevenção do câncer e de doenças cardiovasculares. A bebida concentra uma grande quantidade de resveratrol, um composto bioativo presente em diversos alimentos, como o suco de uvas escuras, amendoim e outros vegetais. Apesar de a bibliografia reconhecer que mais de 70 plantas apresentam a substância, o vinho tinto continua como a principal fonte, pois a presença do álcool aumenta a sua solubilidade.
Agora, a pesquisa da professora Eliane Fialho, do programa de Oncobiologia da UFRJ, busca identificar como o vinho tinto e outros compostos alimentares podem diminuir a viabilidade de células cancerosas, especialmente aquelas relacionadas ao câncer de mama, primeiro tipo de câncer entre as mulheres. A pesquisa conta com o apoio da Fundação do Câncer.
A alimentação inadequada é uma das principais vilãs para a incidência de câncer, contribuindo com cerca de 30%. Por isso, explica Fialho, torna-se importante encontrar substâncias como o resveratrol em alimentos funcionais, ou seja, aqueles que podem contribuir para a redução do risco do desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis, como o câncer, doenças cardiovasculares, diabetes etc.
“Atualmente, o resveratrol apresenta entre seus efeitos positivos o aumento da expectativa de vida e redução do risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer. A partir da técnica de sinalização celular, identificamos os mecanismos bioquímicos e moleculares envolvidos neste processo. Ou seja, de que forma o resveratrol atua, por diversos mecanismos, na capacidade de aumentar a morte celular, diminuir a proliferação de células tumorais, regular o ciclo celular e modular enzimas antioxidantes e antiinflamatórias”, explica a pesquisadora.
A longo prazo, esses estudos poderão contribuir para o desenvolvimento de uma terapia de tratamento que associe um medicamento quimioterápico a um ou mais de um composto bioativo. A boa notícia é que, enquanto novas pesquisas estão em desenvolvimento, a fórmula para prevenção do câncer já é conhecida, conforme destaca Eliane Fialho.
“Uma dieta adequada, rica em nutrientes e compostos bioativos, é eficiente na redução do risco de desenvolvimento de doenças crônicas. De uma maneira geral, o consumo de frutas e hortaliças deve ser de aproximadamente 400 g/dia. Isso representa de 5 a 9 porções de vegetais. Como nutricionista, recomendo o consumo de vegetais em todas as refeições, desde o desjejum até a ceia. E, quanto mais colorido for o seu prato, melhor”, afirma.
Além da Fundação do Câncer, cujos recursos são utilizados para a compra de pequenos equipamentos e reagentes, a pesquisa conta com o apoio da Faperj. A coordenação do projeto é de Eliane Fialho, que realiza os estudos junto com os professores Jerson Lima e Mário Alberto Cardoso, do Instituto de Bioquímica Médica, e estudantes de doutorado e graduação.
fonte
http://www.fundacaodocancer.org.br/noticias-ver.php?cod=20&bsc=
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Programa de Afiliados Cia do Software
O que é o Programa de Afiliados ?
É um programa de parceria, onde divulgadores ( você ! ) geram vendas em nossa loja virtual, e são comissionados por essas vendas.
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Como funciona o Programa de Afiliados ?
Você oferece nossos produtos ao seu público através de banners, links ou vitrines rotativas. A cada venda realizada por meio desse canal, você ganha uma comissão.
No Programa de Afiliados da Cia do Software, você encontra informações sobre como inserir banners em seu site, visualiza relatórios estatísticos completos, com a data das vendas, quantidade de itens e suas respectivas comissões. Além disso você terá a informação completa de quantos e quais pedidos foram cancelados ou estão em andamento.
Sendo um afiliado Cia do Software, você só tem o trabalho de veicular os banners em seu site.
Tudo é feito pela Internet. Um código único e exclusivo permite a Cia do Software identificar todas as vendas realizadas por meio do seu site. O processo de remuneração é gerenciado automaticamente. Você não precisa deslocar pessoal, nem se preocupar com qualquer operação de custo de logística ou criação.
Faturamento, cobrança, entrega e toda a operação de venda é responsabilidade da Cia. do Software.
Toda a operação é 100% segura e transparente.
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Atenção: Você somente receberá a comissão sobre uma venda quando a mesma estiver completamente finalizada, ou seja, tenha sido aceita pela nossa loja, paga pelo cliente, e o produto enviado ao mesmo.
A comissão é paga quando é atingido o valor de R$ 50,00. Checamos diariamente as comissões pendentes, e efetuamos o depósito na sua conta (corrente ou poupança), informada no cadastro.
Quero me afiliar !
Para afiliar-se é fácil e grátis. Basta preencher o formulário de Afiliado em:
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Oferta Mínima - leilão virtual inovador
O Oferta Mínima
http://www.ciadosoftware.com.br/ofertaminima/?indgan=2781
é um leilão virtual inovador ! Aqui ganha quem der menos, mas não seja ganancioso, somente o menor Lance Único leva o prêmio... Divirta-se e concorra com o Oferta Mínima !
1. Eu terei que pagar todos os meus lances ?
Não, fique tranquilo. Você somente paga se for o vencedor.
2. Quem der o menor lance ganha ?
Não. Somente ganha quem der o menor lance único, ou seja, o menor lance sem concorrência. Ex: Se João deu um lance de R$ 1,05 , Maria deu um lance de R$ 1,10, e José deu um lance de R$ 1,05, quem ganha é a Maria, que tem o menor Lance Único.
3. Eu posso fazer lances de qualquer valor ?
Sim, desde que estejam compreendidos entre R$ 0,01 (um centavo) e R$ 9.999,99 (nove mil, novecentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos). Valores diferentes dessa faixa serão desprezados pelo sistema.
4. Quem pode participar do Oferta Mínima?
Todas as pessoas maiores de 16 anos e que tenham o documento CPF.
5. Como conhecerei o vencedor ?
Ao término de cada edição o vencedor será contactado por email e/ou telefone, portanto informe seus dados corretamente no seu cadastro. Além disso, teremos um link no site com a relação dos ganhadores de todas as edições.
6. Quando é divulgado o vencedor de cada edição ?
Geralmente em até 10 dias úteis após o término da edição.
7. E se o vencedor não for localizado ?
Se o vencedor não for localizado ou não reclamar o prêmio no prazo de 5 dias, automaticamente o prêmio passa para o segundo lance único, e assim sucessivamente até que um vencedor seja identificado.
8. Como funciona o lance via torpedo ?
É uma promoção independente do leilão via internet. Na promoção Torpedo você participa através de seu celular (Oi, CTBC e Brasil Telecom por enquanto) e fica sabendo na hora se seu lance é único naquele momento ou não.
9. Como dou meu lance via torpedo ?
Envie mensagem para 50080 com o código da promoção seguido do valor do seu lance. Exemplo: CAM 1,23
OBS: é importante ter o espaço entre o código e o lance.
10. Quanto irei pagar para enviar um lance via torpedo ?
O custo é de R$0.99 + impostos por lance enviado.
Inscreva-se
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2. Quem der o menor lance ganha ?
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3. Eu posso fazer lances de qualquer valor ?
Sim, desde que estejam compreendidos entre R$ 0,01 (um centavo) e R$ 9.999,99 (nove mil, novecentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos). Valores diferentes dessa faixa serão desprezados pelo sistema.
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Geralmente em até 10 dias úteis após o término da edição.
7. E se o vencedor não for localizado ?
Se o vencedor não for localizado ou não reclamar o prêmio no prazo de 5 dias, automaticamente o prêmio passa para o segundo lance único, e assim sucessivamente até que um vencedor seja identificado.
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É uma promoção independente do leilão via internet. Na promoção Torpedo você participa através de seu celular (Oi, CTBC e Brasil Telecom por enquanto) e fica sabendo na hora se seu lance é único naquele momento ou não.
9. Como dou meu lance via torpedo ?
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sábado, 15 de maio de 2010
Serra bate-boca com o terceiro repórter em duas semanas
Serra bate-boca com o terceiro repórter em duas semanas
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 14/05/2010
Repórter da Radiobrás é o mais recente dos jornalistas que desagradam o pré-candidato tucano. Mensalão do DEM, Banco Central e privatizações foram os motivos da ira
O pré-candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) irritou-se pela terceira vez na semana com um repórter nesta sexta-feira (14). Um jornalista da Radiobrás questionou, no Rio de Janeiro, se um eventual governo comandado por ele promoveria a privatização de estatais.
A pergunta foi se Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal estariam livres de serem vendidas à iniciativa privada. "Claro que sim, quem falou o contrário? De onde você é?", irritou-se Serra. Diante da identificação do repórter como sendo da Radiobrás, emissora pública, integrante da Empresa Brasil de Comunicações (EBC), o pré-candidato disparou: "Muito bem, então informe isto a seus patrões".
Na segunda-feira (10) e no dia 5 de maio, o tucano protagonizou outro bate-boca. Em entrevista à rádio CBN, Serra não gostou de ser inquirido sobre a manutenção ou não da autonomia de operação do Banco Central. A formulação da pergunta, porém, desagradou o pré-candidato que afirmou que a autoridade monetária "não é a Santa Sé" e pode ser criticada mesmo mantendo a autonomia. Depois de reclamar da jornalista Miriam Leitão, ele exigiu que a entrevista fosse "adiante".
Na semana anterior, no Rio Grande do Sul, outro desentendimento. Em entrevista ao TVCom, emissora da RBS em Porto Alegre, Serra não gostou de ser questionado sobre o escândalo de corrupção no Distrito Federal, envolvendo o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido). A insistência da repórter Carolina Bahia, do jornal Zero Hora, sobre o chamado "mensalão do DEM" levou à aspereza.
Choques com jornalistas não são exatamente uma novidade na trajetória de Serra, especialmente com profissionais da EBC. Ainda como governador de São Paulo, em fevereiro deste ano, Serra não gostou de uma pergunta a respeito do rompimento de uma adutora da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Na ocasião, ele insinuou que a TV Brasil, empresa em que o repórter trabalhava, fazia uma cobertura desfavorável de sua gestão. "Espero que a TV Brasil tenha o mesmo interesse com cada estado e município", declarou.
Com o jornalista Afonso Mônaco, da Rede Record, o motivo do descontentamento foram interrogações sobre convênio do governo paulista com a Rede Globo que levou incluiu o uso – apontado como irregular pela reportagem – de um terreno na capital paulista. O caso faz parte da disputa entre as emissoras.
Privatização
A privatização é um dos pontos usados pelos partidos aliados do governo federal para criticar o PSDB. Na gestão de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, foram realizadas privatizações de grande porte, como das telecomunicações. Durante a campanha eleitoral de 2006, o então candidato Geraldo Alckmin chegou a assumir o compromisso de não realizar privatizações caso eleito.
Nesta sexta, depois de reclamar da pergunta do repórter da Radiobrás, Serra acrescentou que não tem nenhum programa de privatização em mente. "Aquelas que eram fundamentais de serem privatizadas, atividades típicas de setor privado, como petroquímica, aço e telecomunicações, já foram. E o atual governo só fez reforçar isso. Não tenho no horizonte nenhuma privatização pela frente", escapou.
Em abril, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) recuperou documentos do Ministério da Fazenda que tratavam da disposição do órgão em promover a desestatização de bancos públicos. Nesta semana, o blogue Cloaca News aponta uma representação de 2007 do secretário de Educação de São Paulo – ex-ministro da área – contra a Petrobras pela aquisição da Suzano Petroquímica. Na argumentação, Renato lembra que a empresa adquirida havia sido entregue à iniciativa privada por meio do Plano Nacional de Desestatização.
fonte http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/serra-bate-boca-com-o-terceiro-reporter-em-duas-semanas
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 14/05/2010
Repórter da Radiobrás é o mais recente dos jornalistas que desagradam o pré-candidato tucano. Mensalão do DEM, Banco Central e privatizações foram os motivos da ira
O pré-candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) irritou-se pela terceira vez na semana com um repórter nesta sexta-feira (14). Um jornalista da Radiobrás questionou, no Rio de Janeiro, se um eventual governo comandado por ele promoveria a privatização de estatais.
A pergunta foi se Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal estariam livres de serem vendidas à iniciativa privada. "Claro que sim, quem falou o contrário? De onde você é?", irritou-se Serra. Diante da identificação do repórter como sendo da Radiobrás, emissora pública, integrante da Empresa Brasil de Comunicações (EBC), o pré-candidato disparou: "Muito bem, então informe isto a seus patrões".
Na segunda-feira (10) e no dia 5 de maio, o tucano protagonizou outro bate-boca. Em entrevista à rádio CBN, Serra não gostou de ser inquirido sobre a manutenção ou não da autonomia de operação do Banco Central. A formulação da pergunta, porém, desagradou o pré-candidato que afirmou que a autoridade monetária "não é a Santa Sé" e pode ser criticada mesmo mantendo a autonomia. Depois de reclamar da jornalista Miriam Leitão, ele exigiu que a entrevista fosse "adiante".
Na semana anterior, no Rio Grande do Sul, outro desentendimento. Em entrevista ao TVCom, emissora da RBS em Porto Alegre, Serra não gostou de ser questionado sobre o escândalo de corrupção no Distrito Federal, envolvendo o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido). A insistência da repórter Carolina Bahia, do jornal Zero Hora, sobre o chamado "mensalão do DEM" levou à aspereza.
Choques com jornalistas não são exatamente uma novidade na trajetória de Serra, especialmente com profissionais da EBC. Ainda como governador de São Paulo, em fevereiro deste ano, Serra não gostou de uma pergunta a respeito do rompimento de uma adutora da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Na ocasião, ele insinuou que a TV Brasil, empresa em que o repórter trabalhava, fazia uma cobertura desfavorável de sua gestão. "Espero que a TV Brasil tenha o mesmo interesse com cada estado e município", declarou.
Com o jornalista Afonso Mônaco, da Rede Record, o motivo do descontentamento foram interrogações sobre convênio do governo paulista com a Rede Globo que levou incluiu o uso – apontado como irregular pela reportagem – de um terreno na capital paulista. O caso faz parte da disputa entre as emissoras.
Privatização
A privatização é um dos pontos usados pelos partidos aliados do governo federal para criticar o PSDB. Na gestão de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, foram realizadas privatizações de grande porte, como das telecomunicações. Durante a campanha eleitoral de 2006, o então candidato Geraldo Alckmin chegou a assumir o compromisso de não realizar privatizações caso eleito.
Nesta sexta, depois de reclamar da pergunta do repórter da Radiobrás, Serra acrescentou que não tem nenhum programa de privatização em mente. "Aquelas que eram fundamentais de serem privatizadas, atividades típicas de setor privado, como petroquímica, aço e telecomunicações, já foram. E o atual governo só fez reforçar isso. Não tenho no horizonte nenhuma privatização pela frente", escapou.
Em abril, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) recuperou documentos do Ministério da Fazenda que tratavam da disposição do órgão em promover a desestatização de bancos públicos. Nesta semana, o blogue Cloaca News aponta uma representação de 2007 do secretário de Educação de São Paulo – ex-ministro da área – contra a Petrobras pela aquisição da Suzano Petroquímica. Na argumentação, Renato lembra que a empresa adquirida havia sido entregue à iniciativa privada por meio do Plano Nacional de Desestatização.
fonte http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/serra-bate-boca-com-o-terceiro-reporter-em-duas-semanas
sexta-feira, 14 de maio de 2010
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
Eleições cubanas têm participação de opositores
Eleições cubanas têm participação de opositores
Oposição faz campanha livremente, mas a mídia dominante ignora as eleições municipais cubanas, que acabam de ser realizadas. Ao lado da participação exercida diretamente pela população, elas são parte da atual democracia cubana. O povo cubano está satisfeito? O tema da participação popular e da eficácia do sistema de representação tem sido discutido nas assembleias populares. Muitos dizem que o parlamento é eleitoralmente democrático, mas os deputados têm pouca autonomia para decidir. O artigo é de Hideyo Saito.
Hideyo Saito (*)
Ocupada em denunciar a suposta ditadura existente em Cuba, quase toda a mídia dominante brasileira ignorou as eleições municipais cubanas, que acabam de ser realizadas, inclusive com participação de setores dissidentes. O primeiro turno aconteceu em 25 de abril e o segundo, nas circunscrições em que ninguém obteve maioria absoluta, em 2 de maio último. Foi o 14º pleito consecutivo desde a institucionalização da revolução cubana, em 1976, quando foi aprovado, em referendo popular, o texto da Constituição Socialista, após um processo de exaustivas discussões em locais de trabalho, em escolas, em bairros e em comunidades rurais de todo o país. Importantes alterações surgiram dessa mobilização, que se estendeu por dois anos: a comissão de redação teve de alterar o preâmbulo e cerca de 60 dos 141 artigos originais do anteprojeto.
Nas últimas eleições, dos 37.766 candidatos para as Assembleias dos 169 municípios do país, indicados diretamente pelos moradores em cada circunscrição (área de mais ou menos uma quadra), os negros e mulatos somavam 41,3% e as mulheres, 35,76%. Os postulantes à reeleição eram 60,9%. Três quartos deles nasceram após a vitória da revolução, em 1959, e 87,3% têm o ensino médio completo ou formação universitária. Pouco mais de 8,2 milhões de cubanos (aproximadamente 94,7% dos eleitores) participaram do primeiro turno, enquanto no segundo e no terceiro (convocado em três circunscrições, onde nem mesmo a segunda votação apontou um vencedor) compareceram às urnas 1,65 milhão (89,67% do total). O voto é facultativo e podem exercer esse direito todos os cubanos a partir de 16 anos de idade. A presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Ana María Mari Machado, informou que, no primeiro turno, os votos válidos superaram 91% do total, enquanto as cédulas em branco somaram 4,58% e as anuladas, 4,33% (1).
A campanha eleitoral dos dissidentes
O manto de silêncio erguido por quase todos os oligopólios da comunicação foi furado pela Agência BBC Mundo, que cobriu o processo eleitoral, não deixando de registrar a participação de setores contrários ao governo (2). Matéria assinada pelo correspondente em Havana, Fernando Ravsberg, relata que um grupo de opositores fez campanha em todo o país, com o objetivo de conquistar apoio para seus candidatos nas assembleias das circunscrições eleitorais. Um dos líderes do grupo é Silvio Benítez, que se apresenta como presidente do Partido Liberal. Ele reconhece que as organizações de oposição têm pouca penetração, mas acredita que elas podem crescer.
A reportagem da BBC acompanhou a assembleia eleitoral em que Silvio se indicou candidato, em Punta Brava, nos arredores de Havana. Segundo Ravsberg, estavam presentes cerca de 120 eleitores. Houve críticas e questionamentos tanto ao governo como ao dissidente postulante, mas sem agressões, insultos e muito menos repressão. O único guarda que o jornalista observou estava ocupado com o trânsito de veículos na rua em frente. Na assembleia, alguns moradores propuseram indicar para reeleição a atual delegada, uma médica pertencente ao Partido Comunista, enquanto Silvio se apresentou como candidato opositor. A médica obteve 50 indicações, enquanto o dissidente recebeu 20. Houve ainda 50 abstenções.
Ravsberg concluiu que Benítez não conseguiu ser indicado, mas “fez com que muita gente se abstivesse”. Após a eleição propriamente dita, a BBC acompanhou a apuração dos votos (também realizada publicamente) no colégio eleitoral correspondente à mesma circunscrição, e constatou que houve crescimento do número de pessoas que não votaram em nenhum dos candidatos: a soma de abstenções, votos anulados e em branco chegou a 20% dos eleitores (a média nacional, como vimos acima, foi de aproximadamente 15%). Silvio Benítez diz que está disposto a fazer um trabalho “casa por casa, como os Testemunhas de Jeová”, para conquistar o apoio de pessoas que já não votam na proposta governamental (3). Em sua campanha, ele procurou “questionar as barbaridades e a manipulação do governo, as farsas e as faltas de resposta ao povo”, segundo suas inflamadas palavras.
Não há veto, mas oposição teme mostrar falta de votos
O correspondente da BBC Mundo escreveu que era a primeira vez que os dissidentes cubanos participaram de eleições oficiais no país, mas ele mesmo já havia produzido matéria relatando como, em 2007, o candidato Gerardo Sánchez, apresentando-se como dissidente, obteve apenas 5% dos votos dos moradores de sua circunscrição. Na reportagem, Gerardo criticou os grupos dissidentes por se afastarem do processo eleitoral: “Quando me dizem que a oposição está forte em algum bairro, eu pergunto se ela tem condição de apresentar candidato. Se me respondem ‘não’, concluo que não é verdade o que me estão dizendo” (4). Ele é irmão de Elizárdo Sánchez, o presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos, um dos heróis mais festejados da mídia dominante, que, entretanto, jamais quis se apresentar candidato.
Como vimos, não há qualquer restrição à campanha e à participação dessas pessoas. O que acontece é que a maioria prefere ficar à margem para não tornar visível a sua falta de popularidade. Eles preferem pregar o voto nulo. O presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia Nacional, José Luis Toledo, declarou à BBC: “Se eles alcançarem representatividade suficiente para que o povo os indique e depois vote neles, serão representantes. O problema é querer representar o povo sem ter seu apoio”.
As eleições municipais acontecem a cada dois anos e meio, enquanto as provinciais e as nacionais, a cada cinco. Todas são por voto popular direto. Os candidatos às assembleias municipais são indicados diretamente pelos moradores de cada circunscrição entre seus vizinhos, enquanto os das provinciais e nacionais são indicados por uma comissão de candidatura constituída por representantes das seis principais organizações de massa de caráter nacional: Comitê de Defesa da Revolução, Federação das Mulheres Cubanas, Central de Trabalhadores de Cuba, Federação Estudantil Universitária, Federação dos Estudantes do Ensino Médio e Associação Nacional dos Pequenos Agricultores.
O Partido Comunista de Cuba e a União de Jovens Comunistas não apresentam candidatos nem participam, como tal, do processo, pois não têm caráter eleitoral como nas democracias capitalistas. Também não há propaganda política, nem marqueteiros, nem dinheiro influenciando o voto popular. A única divulgação dos candidatos é feita através de folhetos preparados pela comissão eleitoral e afixados em locais públicos, com uma pequena biografia e uma foto de cada postulante, além de debates dos postulantes com os moradores.
Eleitos continuam a receber o mesmo salário, sem mordomia
Os delegados eleitos escolhem, entre seus pares, o presidente e o vice da Assembleia Municipal, órgão que tem a responsabilidade de administrar e fiscalizar os serviços públicos e as empresas industriais, comerciais e de prestação de serviços que estiverem sob jurisdição de seu município. Indicam, também dentre os eleitos, os membros do Conselho Popular, estrutura permanente para apoiar o trabalho dos delegados municipais.
Todo representante cubano deve prestar contas de sua atuação, em reuniões convocadas periodicamente para essa finalidade, aos cidadãos de sua base eleitoral ou ao órgão que o indicou. Ele está sujeito à revogação de mandato por insuficiência de desempenho ou por conduta incompatível com a representação popular. Assim, delegados municipais podem ter seus mandatos interrompidos pelos eleitores da circunscrição; representantes provinciais e nacionais, pelas Assembleias Municipais que aprovaram suas candidaturas; presidentes e vice-presidentes das assembleias dos três níveis, pelos respectivos órgãos que os elegeram. Os membros do Conselho de Estado podem ser destituídos pela Assembleia Nacional. Na esfera municipal, estima-se que, a cada legislatura, entre 7% e 12% dos delegados perdem suas representações dessa maneira (5).
Os representantes eleitos, em todos os níveis, permanecem com o mesmo salário de seus empregos e ocupações anteriores à eleição. Além disso, continuam a desempenhar seus ofícios nos centros de trabalho a que são vinculados, enquanto exercem seus mandatos. Os únicos dispensados disso são os que devem dedicação exclusiva aos respectivos órgãos (caso dos presidentes e vice-presidentes do Poder Popular nos três níveis e também dos deputados que participam de comissões temáticas permanentes). Quando estritamente necessário para o cumprimento de suas obrigações políticas e administrativas, utilizam veículos da frota oficial ou recebem passagem aérea específica. Ninguém possui cota de dinheiro público para gastar a bel-prazer, nem autonomia para contratar assessor ou incorrer em quaisquer despesas extras destinadas a seu gabinete (6).
Democracia ou ditadura?
Bem ou mal, esse é o sistema eleitoral que, ao lado da participação exercida diretamente pela população em diversos momentos, conforma a atual democracia cubana. Os cubanos estão satisfeitos? Em sua cobertura das eleições de 2010, a BBC Mundo ouviu diversos eleitores. Uma delas revelou que se absteve pela primeira vez, garantindo que só voltará a participar se for para eleger o secretário municipal do Partido Comunista, “que é quem pode mudar as coisas”, enquanto outros declararam haver votado para manifestar apoio à revolução e a suas lideranças. Toledo, o já mencionado presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais do parlamento, reconhece as limitações de poder dos representantes municipais, mas atribui o fato às severas restrições orçamentárias do país, uma vez que a maioria das reivindicações da população depende, para sua solução, de recursos financeiros hoje indisponíveis.
O tema da participação popular e da eficácia do sistema cubano de representação tem aparecido igualmente nos debates populares, especialmente entre intelectuais. O subdiretor da revista Casa de las Américas, sociólogo Aurelio Alonso, por exemplo, afirma que vigora em Cuba uma institucionalidade demasiado estatizada e burocratizada, com um nível limitado de participação nos âmbitos decisivos. Para ele, as próprias discussões da Assembleia Nacional deixam a desejar, pois frequentemente têm caráter apenas formal. O parlamento é eleitoralmente democrático, mas os deputados têm pouca autonomia para decidir, em sua avaliação. Alonso entende que uma das alterações necessárias implica a redefinição do papel do próprio Partido Comunista, que não pode abranger a direção do Estado, atribuição que pertence a todo o povo.
O escritor Enrique Ubieta questiona os conceitos de democracia, de direitos humanos e de liberdade usualmente manejados pela direita em sua campanha contra Cuba. “Nós temos, sim, a nossa democracia. Acontece que nosso modelo não é igual, por exemplo, ao que existe na Espanha. Mas sob muitos aspectos, é mais autenticamente democrático. Nosso sistema eleitoral não é perfeito, mas ele não elege os candidatos com mais dinheiro. É possível discutir como aperfeiçoá-lo, mas não se pode decretar que não seja democrático” (7).
Enquanto isso, na tão admirada democracia britânica ...
O breve relato acima, baseado em informações de um tradicional órgão de mídia insuspeito de ser comunista, desmente (ou, no mínimo, põe em dúvida) assertivas autoritariamente impostas pelos oligopólios da comunicação e por seus prestimosos acólitos. Uma delas sentencia que Cuba é uma ditadura. Outra reza que, naquele país, não é possível criticar o governo sem ser preso ou reprimido. Uma terceira garante que os 56 presos do julgamento de 2003 foram postos na cadeia por serem contrários ao governo. E assim por diante. Essas proclamações são olimpicamente reafirmadas a cada momento, por mais que sejam desmentidas pelos fatos.
Enquanto isso, as recentes eleições britânicas deram nova demonstração de que a democracia liberal dos países capitalistas avançados não tem lá muito cabedal moral para ser imposta como modelo para o mundo, como pretendem os setores dominantes vocalizados por aquela mídia oligopólica.
O colunista do The Guardin, Gary Younge, por exemplo, interpretou o voto do povo britânico como uma manifestação contra a claudicante democracia naquele país, permanentemente frustrada pelo poder econômico. “Em última instância, são eles [os banqueiros e demais representantes do capital) que decidirão o quão rápidos e brutais serão os cortes iminentes das despesas públicas. Além do que, é seu endosso – não o do eleitorado – que os políticos buscam (...) Essa contradição entre democracia e capitalismo não é nova. Mas, durante este período de crise financeira e econômica na Europa, ela ficou particularmente aguda”, fulminou Younge, para completar: “Assim, o setor que nós salvamos com dinheiro público, administrado por pessoas incompetentes que novamente estão se pagando grandes bonificações, agora ameaça desestabilizar o próximo governo, caso ele não demita milhares de trabalhadores mal pagos, reduza seus salários e acabe com os serviços que presta a milhões de pessoas pobres” (8). Onde está mesmo o poder do povo, isto é, a democracia, nesse tão incensado regime de Sua Majestade?
Aliás, os exaltados inimigos de Cuba, convictos de atuar em nome da democracia, devem tomar cuidado em sua cruzada, para não se igualarem demasiado a seus companheiros de trincheira de Miami, cuja convicção democrática não parece ser tão profunda, como exemplifica o artigo “Mi valiente y sensible coronel”, publicado por Mirta Ojito em El Nuevo Herald, porta-voz dos exilados cubanos (9). A autora pede, nada mais, nada menos, que os militares dêem um golpe de estado em Cuba, já que as manifestações populares (em Nova York e em Miami) e os artigos de jornais (como o dela) não têm conseguido derrubar o regime de Havana.
(*) O autor é jornalista, com passagem pela Rádio Havana. Tem concluídos os originais de um livro que relata a situação atual do país, sob o título provisório de “Cuba sem bloqueio: a revolução cubana sem as manipulações impostas pela mídia dominante”, com a colaboração de Antonio Gabriel Haddad.
NOTAS
(1) Os números são de reportagens publicadas no jornal Granma de 27/04/2010 e de 04/05/2010.
(2) Fernando Ravsberg. Disidentes cubanos en campaña electoral. BBC Mundo, 13/03/2010. http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2010/03/100312_0021_cuba_disidentes_elecciones_gz.shtml.
(3) Idem. Cubanos votaron, no se esperan cambios. BBC Mundo, 26/04/2010. http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2010/04/100425_cuba_elecciones_municipales_resultado_jaw.shtml.
(4) Fernando Ravsberg. Cuba: elecciones municipales. BBC Mundo, 20/10/2007 (http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/latin_america/newsid_7052000/7052517.stm, acesso em 19/04/2009).
(5) Ver http://www.nodo50.org/cesc/Documentos/Charla.E.Valdes.251105.pdf.
(6) Após uma solenidade no Palácio das Convenções de Havana, em dezembro de 2006, vimos o presidente da Assembleia Nacional, Ricardo Alarcón, ser recolhido por uma viatura daquele órgão. Quando o carro (um automóvel da montadora russa Lada, da década de 1980) chegou, ele abriu a porta, cumprimentou o motorista familiarmente e entrou. Nenhum séquito de cortesãos e de guarda-costas, nenhuma pompa, nenhum luxo. Tratava-se de uma das maiores autoridades do governo cubano, que não se diferenciava de um cidadão comum.
(7) "Esquerda não pode aceitar definição da direita para democracia". Portal Vermelho, 28/04/2010. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=128383&id_secao=7.
(8) Gary Younge (The Guardian). Não vamos permitir que os mercados atropelem as urnas. O Estado de S. Paulo, 11/05/2010.
(9) Ver em http://www.elnuevoherald.com/2010/04/04/689025/mirta-ojito-mi-valiente-y-sensible.html.
fonte http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16592&boletim_id=696&componente_id=11671
Oposição faz campanha livremente, mas a mídia dominante ignora as eleições municipais cubanas, que acabam de ser realizadas. Ao lado da participação exercida diretamente pela população, elas são parte da atual democracia cubana. O povo cubano está satisfeito? O tema da participação popular e da eficácia do sistema de representação tem sido discutido nas assembleias populares. Muitos dizem que o parlamento é eleitoralmente democrático, mas os deputados têm pouca autonomia para decidir. O artigo é de Hideyo Saito.
Hideyo Saito (*)
Ocupada em denunciar a suposta ditadura existente em Cuba, quase toda a mídia dominante brasileira ignorou as eleições municipais cubanas, que acabam de ser realizadas, inclusive com participação de setores dissidentes. O primeiro turno aconteceu em 25 de abril e o segundo, nas circunscrições em que ninguém obteve maioria absoluta, em 2 de maio último. Foi o 14º pleito consecutivo desde a institucionalização da revolução cubana, em 1976, quando foi aprovado, em referendo popular, o texto da Constituição Socialista, após um processo de exaustivas discussões em locais de trabalho, em escolas, em bairros e em comunidades rurais de todo o país. Importantes alterações surgiram dessa mobilização, que se estendeu por dois anos: a comissão de redação teve de alterar o preâmbulo e cerca de 60 dos 141 artigos originais do anteprojeto.
Nas últimas eleições, dos 37.766 candidatos para as Assembleias dos 169 municípios do país, indicados diretamente pelos moradores em cada circunscrição (área de mais ou menos uma quadra), os negros e mulatos somavam 41,3% e as mulheres, 35,76%. Os postulantes à reeleição eram 60,9%. Três quartos deles nasceram após a vitória da revolução, em 1959, e 87,3% têm o ensino médio completo ou formação universitária. Pouco mais de 8,2 milhões de cubanos (aproximadamente 94,7% dos eleitores) participaram do primeiro turno, enquanto no segundo e no terceiro (convocado em três circunscrições, onde nem mesmo a segunda votação apontou um vencedor) compareceram às urnas 1,65 milhão (89,67% do total). O voto é facultativo e podem exercer esse direito todos os cubanos a partir de 16 anos de idade. A presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Ana María Mari Machado, informou que, no primeiro turno, os votos válidos superaram 91% do total, enquanto as cédulas em branco somaram 4,58% e as anuladas, 4,33% (1).
A campanha eleitoral dos dissidentes
O manto de silêncio erguido por quase todos os oligopólios da comunicação foi furado pela Agência BBC Mundo, que cobriu o processo eleitoral, não deixando de registrar a participação de setores contrários ao governo (2). Matéria assinada pelo correspondente em Havana, Fernando Ravsberg, relata que um grupo de opositores fez campanha em todo o país, com o objetivo de conquistar apoio para seus candidatos nas assembleias das circunscrições eleitorais. Um dos líderes do grupo é Silvio Benítez, que se apresenta como presidente do Partido Liberal. Ele reconhece que as organizações de oposição têm pouca penetração, mas acredita que elas podem crescer.
A reportagem da BBC acompanhou a assembleia eleitoral em que Silvio se indicou candidato, em Punta Brava, nos arredores de Havana. Segundo Ravsberg, estavam presentes cerca de 120 eleitores. Houve críticas e questionamentos tanto ao governo como ao dissidente postulante, mas sem agressões, insultos e muito menos repressão. O único guarda que o jornalista observou estava ocupado com o trânsito de veículos na rua em frente. Na assembleia, alguns moradores propuseram indicar para reeleição a atual delegada, uma médica pertencente ao Partido Comunista, enquanto Silvio se apresentou como candidato opositor. A médica obteve 50 indicações, enquanto o dissidente recebeu 20. Houve ainda 50 abstenções.
Ravsberg concluiu que Benítez não conseguiu ser indicado, mas “fez com que muita gente se abstivesse”. Após a eleição propriamente dita, a BBC acompanhou a apuração dos votos (também realizada publicamente) no colégio eleitoral correspondente à mesma circunscrição, e constatou que houve crescimento do número de pessoas que não votaram em nenhum dos candidatos: a soma de abstenções, votos anulados e em branco chegou a 20% dos eleitores (a média nacional, como vimos acima, foi de aproximadamente 15%). Silvio Benítez diz que está disposto a fazer um trabalho “casa por casa, como os Testemunhas de Jeová”, para conquistar o apoio de pessoas que já não votam na proposta governamental (3). Em sua campanha, ele procurou “questionar as barbaridades e a manipulação do governo, as farsas e as faltas de resposta ao povo”, segundo suas inflamadas palavras.
Não há veto, mas oposição teme mostrar falta de votos
O correspondente da BBC Mundo escreveu que era a primeira vez que os dissidentes cubanos participaram de eleições oficiais no país, mas ele mesmo já havia produzido matéria relatando como, em 2007, o candidato Gerardo Sánchez, apresentando-se como dissidente, obteve apenas 5% dos votos dos moradores de sua circunscrição. Na reportagem, Gerardo criticou os grupos dissidentes por se afastarem do processo eleitoral: “Quando me dizem que a oposição está forte em algum bairro, eu pergunto se ela tem condição de apresentar candidato. Se me respondem ‘não’, concluo que não é verdade o que me estão dizendo” (4). Ele é irmão de Elizárdo Sánchez, o presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos, um dos heróis mais festejados da mídia dominante, que, entretanto, jamais quis se apresentar candidato.
Como vimos, não há qualquer restrição à campanha e à participação dessas pessoas. O que acontece é que a maioria prefere ficar à margem para não tornar visível a sua falta de popularidade. Eles preferem pregar o voto nulo. O presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia Nacional, José Luis Toledo, declarou à BBC: “Se eles alcançarem representatividade suficiente para que o povo os indique e depois vote neles, serão representantes. O problema é querer representar o povo sem ter seu apoio”.
As eleições municipais acontecem a cada dois anos e meio, enquanto as provinciais e as nacionais, a cada cinco. Todas são por voto popular direto. Os candidatos às assembleias municipais são indicados diretamente pelos moradores de cada circunscrição entre seus vizinhos, enquanto os das provinciais e nacionais são indicados por uma comissão de candidatura constituída por representantes das seis principais organizações de massa de caráter nacional: Comitê de Defesa da Revolução, Federação das Mulheres Cubanas, Central de Trabalhadores de Cuba, Federação Estudantil Universitária, Federação dos Estudantes do Ensino Médio e Associação Nacional dos Pequenos Agricultores.
O Partido Comunista de Cuba e a União de Jovens Comunistas não apresentam candidatos nem participam, como tal, do processo, pois não têm caráter eleitoral como nas democracias capitalistas. Também não há propaganda política, nem marqueteiros, nem dinheiro influenciando o voto popular. A única divulgação dos candidatos é feita através de folhetos preparados pela comissão eleitoral e afixados em locais públicos, com uma pequena biografia e uma foto de cada postulante, além de debates dos postulantes com os moradores.
Eleitos continuam a receber o mesmo salário, sem mordomia
Os delegados eleitos escolhem, entre seus pares, o presidente e o vice da Assembleia Municipal, órgão que tem a responsabilidade de administrar e fiscalizar os serviços públicos e as empresas industriais, comerciais e de prestação de serviços que estiverem sob jurisdição de seu município. Indicam, também dentre os eleitos, os membros do Conselho Popular, estrutura permanente para apoiar o trabalho dos delegados municipais.
Todo representante cubano deve prestar contas de sua atuação, em reuniões convocadas periodicamente para essa finalidade, aos cidadãos de sua base eleitoral ou ao órgão que o indicou. Ele está sujeito à revogação de mandato por insuficiência de desempenho ou por conduta incompatível com a representação popular. Assim, delegados municipais podem ter seus mandatos interrompidos pelos eleitores da circunscrição; representantes provinciais e nacionais, pelas Assembleias Municipais que aprovaram suas candidaturas; presidentes e vice-presidentes das assembleias dos três níveis, pelos respectivos órgãos que os elegeram. Os membros do Conselho de Estado podem ser destituídos pela Assembleia Nacional. Na esfera municipal, estima-se que, a cada legislatura, entre 7% e 12% dos delegados perdem suas representações dessa maneira (5).
Os representantes eleitos, em todos os níveis, permanecem com o mesmo salário de seus empregos e ocupações anteriores à eleição. Além disso, continuam a desempenhar seus ofícios nos centros de trabalho a que são vinculados, enquanto exercem seus mandatos. Os únicos dispensados disso são os que devem dedicação exclusiva aos respectivos órgãos (caso dos presidentes e vice-presidentes do Poder Popular nos três níveis e também dos deputados que participam de comissões temáticas permanentes). Quando estritamente necessário para o cumprimento de suas obrigações políticas e administrativas, utilizam veículos da frota oficial ou recebem passagem aérea específica. Ninguém possui cota de dinheiro público para gastar a bel-prazer, nem autonomia para contratar assessor ou incorrer em quaisquer despesas extras destinadas a seu gabinete (6).
Democracia ou ditadura?
Bem ou mal, esse é o sistema eleitoral que, ao lado da participação exercida diretamente pela população em diversos momentos, conforma a atual democracia cubana. Os cubanos estão satisfeitos? Em sua cobertura das eleições de 2010, a BBC Mundo ouviu diversos eleitores. Uma delas revelou que se absteve pela primeira vez, garantindo que só voltará a participar se for para eleger o secretário municipal do Partido Comunista, “que é quem pode mudar as coisas”, enquanto outros declararam haver votado para manifestar apoio à revolução e a suas lideranças. Toledo, o já mencionado presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais do parlamento, reconhece as limitações de poder dos representantes municipais, mas atribui o fato às severas restrições orçamentárias do país, uma vez que a maioria das reivindicações da população depende, para sua solução, de recursos financeiros hoje indisponíveis.
O tema da participação popular e da eficácia do sistema cubano de representação tem aparecido igualmente nos debates populares, especialmente entre intelectuais. O subdiretor da revista Casa de las Américas, sociólogo Aurelio Alonso, por exemplo, afirma que vigora em Cuba uma institucionalidade demasiado estatizada e burocratizada, com um nível limitado de participação nos âmbitos decisivos. Para ele, as próprias discussões da Assembleia Nacional deixam a desejar, pois frequentemente têm caráter apenas formal. O parlamento é eleitoralmente democrático, mas os deputados têm pouca autonomia para decidir, em sua avaliação. Alonso entende que uma das alterações necessárias implica a redefinição do papel do próprio Partido Comunista, que não pode abranger a direção do Estado, atribuição que pertence a todo o povo.
O escritor Enrique Ubieta questiona os conceitos de democracia, de direitos humanos e de liberdade usualmente manejados pela direita em sua campanha contra Cuba. “Nós temos, sim, a nossa democracia. Acontece que nosso modelo não é igual, por exemplo, ao que existe na Espanha. Mas sob muitos aspectos, é mais autenticamente democrático. Nosso sistema eleitoral não é perfeito, mas ele não elege os candidatos com mais dinheiro. É possível discutir como aperfeiçoá-lo, mas não se pode decretar que não seja democrático” (7).
Enquanto isso, na tão admirada democracia britânica ...
O breve relato acima, baseado em informações de um tradicional órgão de mídia insuspeito de ser comunista, desmente (ou, no mínimo, põe em dúvida) assertivas autoritariamente impostas pelos oligopólios da comunicação e por seus prestimosos acólitos. Uma delas sentencia que Cuba é uma ditadura. Outra reza que, naquele país, não é possível criticar o governo sem ser preso ou reprimido. Uma terceira garante que os 56 presos do julgamento de 2003 foram postos na cadeia por serem contrários ao governo. E assim por diante. Essas proclamações são olimpicamente reafirmadas a cada momento, por mais que sejam desmentidas pelos fatos.
Enquanto isso, as recentes eleições britânicas deram nova demonstração de que a democracia liberal dos países capitalistas avançados não tem lá muito cabedal moral para ser imposta como modelo para o mundo, como pretendem os setores dominantes vocalizados por aquela mídia oligopólica.
O colunista do The Guardin, Gary Younge, por exemplo, interpretou o voto do povo britânico como uma manifestação contra a claudicante democracia naquele país, permanentemente frustrada pelo poder econômico. “Em última instância, são eles [os banqueiros e demais representantes do capital) que decidirão o quão rápidos e brutais serão os cortes iminentes das despesas públicas. Além do que, é seu endosso – não o do eleitorado – que os políticos buscam (...) Essa contradição entre democracia e capitalismo não é nova. Mas, durante este período de crise financeira e econômica na Europa, ela ficou particularmente aguda”, fulminou Younge, para completar: “Assim, o setor que nós salvamos com dinheiro público, administrado por pessoas incompetentes que novamente estão se pagando grandes bonificações, agora ameaça desestabilizar o próximo governo, caso ele não demita milhares de trabalhadores mal pagos, reduza seus salários e acabe com os serviços que presta a milhões de pessoas pobres” (8). Onde está mesmo o poder do povo, isto é, a democracia, nesse tão incensado regime de Sua Majestade?
Aliás, os exaltados inimigos de Cuba, convictos de atuar em nome da democracia, devem tomar cuidado em sua cruzada, para não se igualarem demasiado a seus companheiros de trincheira de Miami, cuja convicção democrática não parece ser tão profunda, como exemplifica o artigo “Mi valiente y sensible coronel”, publicado por Mirta Ojito em El Nuevo Herald, porta-voz dos exilados cubanos (9). A autora pede, nada mais, nada menos, que os militares dêem um golpe de estado em Cuba, já que as manifestações populares (em Nova York e em Miami) e os artigos de jornais (como o dela) não têm conseguido derrubar o regime de Havana.
(*) O autor é jornalista, com passagem pela Rádio Havana. Tem concluídos os originais de um livro que relata a situação atual do país, sob o título provisório de “Cuba sem bloqueio: a revolução cubana sem as manipulações impostas pela mídia dominante”, com a colaboração de Antonio Gabriel Haddad.
NOTAS
(1) Os números são de reportagens publicadas no jornal Granma de 27/04/2010 e de 04/05/2010.
(2) Fernando Ravsberg. Disidentes cubanos en campaña electoral. BBC Mundo, 13/03/2010. http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2010/03/100312_0021_cuba_disidentes_elecciones_gz.shtml.
(3) Idem. Cubanos votaron, no se esperan cambios. BBC Mundo, 26/04/2010. http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2010/04/100425_cuba_elecciones_municipales_resultado_jaw.shtml.
(4) Fernando Ravsberg. Cuba: elecciones municipales. BBC Mundo, 20/10/2007 (http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/latin_america/newsid_7052000/7052517.stm, acesso em 19/04/2009).
(5) Ver http://www.nodo50.org/cesc/Documentos/Charla.E.Valdes.251105.pdf.
(6) Após uma solenidade no Palácio das Convenções de Havana, em dezembro de 2006, vimos o presidente da Assembleia Nacional, Ricardo Alarcón, ser recolhido por uma viatura daquele órgão. Quando o carro (um automóvel da montadora russa Lada, da década de 1980) chegou, ele abriu a porta, cumprimentou o motorista familiarmente e entrou. Nenhum séquito de cortesãos e de guarda-costas, nenhuma pompa, nenhum luxo. Tratava-se de uma das maiores autoridades do governo cubano, que não se diferenciava de um cidadão comum.
(7) "Esquerda não pode aceitar definição da direita para democracia". Portal Vermelho, 28/04/2010. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=128383&id_secao=7.
(8) Gary Younge (The Guardian). Não vamos permitir que os mercados atropelem as urnas. O Estado de S. Paulo, 11/05/2010.
(9) Ver em http://www.elnuevoherald.com/2010/04/04/689025/mirta-ojito-mi-valiente-y-sensible.html.
fonte http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16592&boletim_id=696&componente_id=11671
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Por que ser um doador voluntário de medula óssea é tão importante?
Por que ser um doador voluntário de medula óssea é tão importante?
TU TENS O PODER DE SALVAR UMA VIDA AGORA
*************
Doação de Medula Óssea
Que é medula óssea?
A medula óssea é a matriz do sangue, encontrada no interior dos ossos, ela contém as células mãe que dão origem aos glóbulos vermelhos, plaquetas e os glóbulos brancos, agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo.
Como o sangue, a medula óssea não é um órgão sólido, mas um tecido orgânico que está em constante regeneração no organismo. A medula óssea é responsável pela formação das células sangüíneas e está localizada nos ossos longos, como o esterno, fêmur e osso da bacia (crista ilíaca). É importante ressaltar que medula óssea é diferente de medula espinhal e que, portanto, não se coleta células da medula da coluna vertebral.
Por que ser um doador voluntário de medula óssea é tão importante?
O Transplante de Medula Óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemias e algumas outras doenças do sangue.
Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as medulas do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a UMA em MIL.
Para o doador, a doação será apenas um incomodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.
A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e amor ao próximo.
Como se tornar um doador?
O candidato deve ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado de saúde.
Fornecer sua identificação e endereço.
Deve colher uma pequena quantidade de sangue (10ml).
O sangue será tipado para HLA, que é um teste de laboratório para identificar sua genética.
O tipo de HLA será colocado em um banco de dados.
Quando aparecer um paciente, a compatibilidade será verificada.
Se o candidato for compatível com o paciente, outros testes sangüíneos serão necessários.
Se a compatibilidade for confirmada, o candidato será consultado para decidir a doação.
Pessoas especializadas prestarão maiores informações nesta fase.
O atual estado de saúde do candidato será avaliado por um clínico e receberá mais informações.
O Instituto Nacional de Câncer é o responsável pelo REDOME - Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea.
Para se cadastrar no REDOME procure a rede sangue no Paraná nos seguintes endereços:
APUCARANA - HEMONÚCLEO
Rua Antônio Ostrenski,03-Centro – Apucarana – PR - CEP: 86800-200
Fone: Fax (43) 3420-4216/3422-9798/3420-4200
E-mail: hemoapucarana@sesa.pr.gov.br
CAMPO MOURÃO - HEMONÚCLEO
Rua Mamborê,1500-Centro,CEP 87302-140
Fone (44) 3525-1102 Fax (44) 3525-1712/3523-1844
E-mail: dirhemocampo@sesa.pr.gov.br/hemocampo@sesa.pr.gov.pr
CASCAVEL - HEMOCENTRO
Rua Avaetés,370-Santo Onofre,CEP 85806-380
Fone:Fax: (45) 3226-4549/3226-0808
E-mail: sesahemo@pr.gov.Br/hemocrh@sesa.pr.gov.br
CIANORTE - U.C.T
Praça da República, 71 - CEP: 87200-000
Fone: (44) 3619-1900/3629-4991/3619-1991 – Fax : 3629-2894
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CORNELIO PROCÓPIO - U.C.T
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CURITIBA - HEMEPAR
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CURITIBA - BIOBANCO
Rua Agostinho de Leão Junior, 108 - Centro - 80060-240
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E-mail: hemo@hc.ufpr.br,
CURITIBA - HEMOBANCO
Rua Capitão Souza Franco, 290 - Bigorrilho - 80730-420
Fone (41) 3023-5545
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CURITIBA - Santa Casa de Curitiba
Praça Rui Barbosa, 694 - Centro - 80010-030
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CURITIBA - Hospital Erasto Gaertner
Rua Dr.Ovande do Amaral, 201 - Jd.Americas - 81520-060
Fone (41) 3361-5000
E-mail:
FOZ DO IGUAÇU - HEMONÚCLEO
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Avenida Gramado, 364 Vila “A” de Itaipu CEP: 85860-460
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FRANCISCO BELTRÃO - HEMONÚCLEO
Rua Marília, 1327 Entre Rios - CEP 85604-400
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GOIOERÊ - U.C.T
Avenida Bento Munhoz da Rocha, 462 - CEP: 87360-000
Fone: (44) 3909-3034/3522-1745/3522-1240 - Fax: 3909-3033
E-mail: saude.goioere@brturbo.com.br
GUARAPUAVA - HEMONÚCLEO
Rua Afonso Botelho, 134-Trianon CEP: 85015-000
Fone: (42) 3622-2819/3622-3790/3621-3600
E-mail: hemoguarapuava@sesa.pr.gov.br
IRATI - U.C.T
Rua Coronel Gracia,761 fundos - Centro - CEP: 84500-000
Fone: (42) 3422-3119/3423-2400
E-mail: rs04sam@pr.gov.br
IVAIPORÂ - U.C.T
Rua Diva Proença,500 – Centro - CEP:86870-000
Fone: Fax (43) 3472-2575/3272-4343 – Fax: 3472-1428
E-mail: uctivaipora@hotmail.coM
JACAREZINHO - U.C.T
Rua Paraná, 1261 2º andar - CEP: 86400-000
Fone: fax (43) 3525-0356 regional (43) 3527-1777 (fax)
E-mail: uctjac@sesa.pr.gov.br
LONDRINA - HEMOCENTRO
Rua Cláudio Donizete Cavalieri, 156 JD Aruba CEP 86038-670
Fone Fax (43) 3371-2366/3371-2218/3371-2468
E-mail: hemolon@uel.Br/info17rs@sesa.pr.gov.Br/dar17rs@sesa.pr.gov.br
MARINGÁ - HEMOCENTRO
Avenida Mandacaru, 1600 CEP: 87080-000
Fone: Fax:(44) 2101-9154/2101-94-00/2101-9100
E-mail: hemomaringa@sesa.pr.gov.Br/hemocentromga@sesa.pr.gov.br
PALMAS - U.C.T
Rua Joaquim de Araújo Perpétuo, 170 Centro - CEP: 58555-000
Fone: Fax (46) 3262-6013
E-mail: hemopalmas@sesa.pr.gov.br/uctpalmas@sesa.pr.gov.br
PARANAGUA - U.C.T
Avenida Gabriel de Lara, 481 CEP: 83203-250
Fone: Fax (41) 3422-4931/3423-1300
E-mail: hemopgua@hotmail.com/sampng@pr.gov.br
PARANAVAI - HEMONÚCLEO
Rua Rio Grande do Sul,2390 CEP:87704-320
Fone: (44) 3423-1823/3423-6944 – Fax: 3421-5100
E-mail: hemoparanavai@sesa.pr.gov.br
PONTA GROSSA - HEMONÚCLEO
Rua General Osório Esquina c/ Coronel Dulcídio s/n – Ponta Grossa – PR- CEP: 84.010.080
Fone: (42) 3223-1616/3223-1737/3224-4056
E-mail: sesapgo@pr.gov.br/chirichela@uol.com.br
PATO BRANCO - U.C.T
Rua Paraná, 1633-Sambugaro - CEP: 85501-090
Fone: (46) 3225-1014
E-mail: uctpb@sesa.pr.gov.br
TELEMACO BORBA - U.C.T
Rua Leopoldo Voight,106,CEP:84261-160
Fone: Fax (42) 3273-3311/3272-3743
E-mail: rs21sam@pr.gov.br/sesateb@pr.gov.br
TOLEDO - U.C.T
Rua Almirante Barroso, 2490 – CEP: 85900-020
Fone: Fax (45) 3277-3500
E-mail: ucttoledo@sesa.pr.gov.br/saude.toledo@pr.gov.br
UMUARAMA - U.C.T
Avenida Manaus, 4444 – Umuarama – PR - CEP: 83203-250
Fone: Fax (44) 3622-2737/3622-6564
E-mail: uctumuarama@sesa.pr.gov.br
UNIAO DA VITORIA - U.C.T
Rua Castro Alves, 26 - Centro - CEP: 84600-000
Fone: (42) 3522-1365/3522-1793
E-mail: hemepar06rs@sesa.pr.gov.br/sam06rs@pr.gov..br
FONTE
http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=139
TU TENS O PODER DE SALVAR UMA VIDA AGORA
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Doação de Medula Óssea
Que é medula óssea?
A medula óssea é a matriz do sangue, encontrada no interior dos ossos, ela contém as células mãe que dão origem aos glóbulos vermelhos, plaquetas e os glóbulos brancos, agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo.
Como o sangue, a medula óssea não é um órgão sólido, mas um tecido orgânico que está em constante regeneração no organismo. A medula óssea é responsável pela formação das células sangüíneas e está localizada nos ossos longos, como o esterno, fêmur e osso da bacia (crista ilíaca). É importante ressaltar que medula óssea é diferente de medula espinhal e que, portanto, não se coleta células da medula da coluna vertebral.
Por que ser um doador voluntário de medula óssea é tão importante?
O Transplante de Medula Óssea é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemias e algumas outras doenças do sangue.
Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as medulas do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a UMA em MIL.
Para o doador, a doação será apenas um incomodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.
A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e amor ao próximo.
Como se tornar um doador?
O candidato deve ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado de saúde.
Fornecer sua identificação e endereço.
Deve colher uma pequena quantidade de sangue (10ml).
O sangue será tipado para HLA, que é um teste de laboratório para identificar sua genética.
O tipo de HLA será colocado em um banco de dados.
Quando aparecer um paciente, a compatibilidade será verificada.
Se o candidato for compatível com o paciente, outros testes sangüíneos serão necessários.
Se a compatibilidade for confirmada, o candidato será consultado para decidir a doação.
Pessoas especializadas prestarão maiores informações nesta fase.
O atual estado de saúde do candidato será avaliado por um clínico e receberá mais informações.
O Instituto Nacional de Câncer é o responsável pelo REDOME - Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea.
Para se cadastrar no REDOME procure a rede sangue no Paraná nos seguintes endereços:
APUCARANA - HEMONÚCLEO
Rua Antônio Ostrenski,03-Centro – Apucarana – PR - CEP: 86800-200
Fone: Fax (43) 3420-4216/3422-9798/3420-4200
E-mail: hemoapucarana@sesa.pr.gov.br
CAMPO MOURÃO - HEMONÚCLEO
Rua Mamborê,1500-Centro,CEP 87302-140
Fone (44) 3525-1102 Fax (44) 3525-1712/3523-1844
E-mail: dirhemocampo@sesa.pr.gov.br/hemocampo@sesa.pr.gov.pr
CASCAVEL - HEMOCENTRO
Rua Avaetés,370-Santo Onofre,CEP 85806-380
Fone:Fax: (45) 3226-4549/3226-0808
E-mail: sesahemo@pr.gov.Br/hemocrh@sesa.pr.gov.br
CIANORTE - U.C.T
Praça da República, 71 - CEP: 87200-000
Fone: (44) 3619-1900/3629-4991/3619-1991 – Fax : 3629-2894
E-mail: sesacne@pr.gov.br/cecisnop@uol.com.br
CORNELIO PROCÓPIO - U.C.T
Rua Justino Marques Bonfim, 27- CEP: 86300-000
Fone: Fax (43) 3520-3500/3524-2388
E-mail: sesarcpp@pr.gov.br/rdiretor@pr.gov.br
CURITIBA - HEMEPAR
Travessa João Prosdócimo, 145 Alto da XV CEP 80060-220
Fone: (41) 3281-4000 Fax: (41) 3264-7029
E-mail: hemepar@pr.gov.br
CURITIBA - BIOBANCO
Rua Agostinho de Leão Junior, 108 - Centro - 80060-240
Fone (41) 3360-1875
E-mail: hemo@hc.ufpr.br,
CURITIBA - HEMOBANCO
Rua Capitão Souza Franco, 290 - Bigorrilho - 80730-420
Fone (41) 3023-5545
E-mail: hemobanco@uol.com.br
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Praça Rui Barbosa, 694 - Centro - 80010-030
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E-mail: bancosangue@terra.com.br
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Rua Dr.Ovande do Amaral, 201 - Jd.Americas - 81520-060
Fone (41) 3361-5000
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Hospital Ministro Costa Cavalcanti
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Fone: (44) 3909-3034/3522-1745/3522-1240 - Fax: 3909-3033
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Rua Afonso Botelho, 134-Trianon CEP: 85015-000
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Rua Diva Proença,500 – Centro - CEP:86870-000
Fone: Fax (43) 3472-2575/3272-4343 – Fax: 3472-1428
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Rua Paraná, 1261 2º andar - CEP: 86400-000
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FONTE
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"Campeão do Mundo no combate contra a fome"
"Campeão do Mundo no combate contra a fome"

"Consumo dos pobres ajudou país a enfrentar crise dos ricos"
Em discurso proferido na abertura do Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a contribuição das políticas sociais do governo brasileiro no enfrentamento da crise econômica internacional. "O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à crise dos países ricos", disse Lula.
Redação
No dia 10 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a realização da reunião Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, em Brasília, para fazer um balanço das políticas sociais implementadas pelo governo brasileiro nos últimos anos. Lula falou sobre as dificuldades, resistências e preconceitos enfrentados no início e sobre como os resultados de hoje mostram o acerto do caminho adotado. Após receber o prêmio da ONU “Campeão do Mundo na Batalha Contra a Fome”, o presidente lembrou que foi o consumo das classes menos favorecidas um dos responsáveis pelo fortalecimento da economia nacional, que se descolou do cenário internacional e sofreu menos com os efeitos da crise econômica mundial.
“A classes D e E do Norte e do Nordeste consumiram mais que as classes A e B do Sul e Sudeste, ou seja, os pobres foram à luta para comprar. (…) O que nós fizemos foi garantir um pouquinho para muita gente. E os pobres, que antes ficavam à margem, viraram gente de classe média e compraram coisas que só parte da classe media podia comprar”, destacou Lula. O presidente resumiu assim as dificuldades enfrentadas no início da implementação de programas como o Bolsa Família:
"Tinha gente que falava assim para mim: “Por que o presidente Lula vai criar o programa Fome Zero, gastar R$ 12 bilhões se isso daria para fazer pontes, fazer estradas?” Na verdade, daria para fazer pontes e fazer estradas. Mas naquele momento, o mais importante do que uma ponte era colocar comida na barriga de uma criança, era colocar comida na barrida de uma mulher ou de um homem que estava fragilizado. E a gente não poderia vacilar entre os discursos daqueles que são contra e a realidade. O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à crise dos países ricos..."
Publicamos a seguir o discurso proferido pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura do Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural (Palácio Itamaraty, 10 de maio de 2010).
Quero dizer para vocês da alegria imensa de vocês terem aceito o convite nosso para participar deste debate sobre a relação África-Brasil e a questão da segurança alimentar.
Eu queria começar contando um caso para vocês. Hoje, graças a Deus, eu não tenho discurso. Tenho apenas aqui alguns pontos de conversação, e eu penso que vai ser mais rápido, não vou tomar muito o tempo de vocês. De vez em quando o improviso faz com que a gente utilize muito mais tempo do que se tivesse o discurso por escrito. Mas, de qualquer forma, eu vou compreender que vocês viajaram muito para chegar aqui, atravessaram o Atlântico e, portanto, o fuso horário deve estar mexendo com a cabeça de vocês.
Então, eu vou começar contando uma história, das dificuldades das relações entre os estados. Eu não vi aqui o meu ministro Eloi, companheiro ministro da Igualdade Racial. Eu tinha aproximadamente três meses de mandato na Presidência da República do Brasil, quando o presidente Wade, do Senegal, me liga pedindo ajuda do Brasil para que lhe enviasse um avião, chamado Ipanema, para enfrentar uma praga de gafanhotos que se aproximava do Senegal. Eu fiquei muito entusiasmado porque era o meu primeiro gesto de solidariedade com um país africano, e decidimos, então, mandar o avião. Entre decidir mandar o avião e o avião chegar lá, levou seis meses. A praga de gafanhotos já tinha comido todo o milharal, e o avião... Foi para lá, está lá. Eu espero que tenha combatido outras pragas de gafanhotos, mas aquela não deu porque eu não sabia que, para dar um avião, tinha que passar pelo Congresso Nacional, tinha que debater não sei das quantas, e demorou muito.
Eu estou dizendo isso apenas para mostrar para vocês que, muitas vezes, a gente toma as decisões – vocês, do lado de vocês; nós, do nosso lado; os americanos, do lado deles; os europeus, do lado deles – e até a gente concretizar as coisas, leva um tempo muito grande. Para quem está com fome, para quem está sofrendo muito e para quem precisa comer as calorias e as proteínas necessárias, são tempos intermináveis que, muitas vezes, não chegam a tempo de as pessoas sobreviverem. Esse é um assunto que eu quero discutir com vocês.
"A gente pensa de acordo com o chão que os nossos pés pisam".
Eu queria, antes, agradecer o prêmio que eu recebi. Eu penso que cada dirigente, no mundo, ou melhor, cada um de nós, a gente pensa de acordo com o chão que os nossos pés pisam. Se os dirigentes políticos do mundo não estiverem, cotidianamente, comprometidos com as pessoas que estão em pior situação no seu estado e no seu país, fica mais difícil a gente tomar decisão em benefício dos mais pobres. A verdade é que, normalmente, nós somos eleitos pelos mais pobres, mas quando a gente ganha as eleições, quem tem acesso ao gabinete dos dirigentes não são os mais pobres, são os mais ricos. E, muitas vezes, o orçamento da União é feito para aquelas pessoas na sociedade que já estão organizadas e que, portanto, fazem uma pressão sobre o governo, e o orçamento é dividido normalmente para a parte organizada da sociedade e, quando a gente vai ver, não sobra nada para a gente fazer política para aqueles que não têm sindicato, para aqueles que não vão à capital, para aqueles que não fazem passeata, para aqueles que não têm sequer o direito de protestar porque não têm como protestar.
Esse é um desafio que está colocado para as gerações de dirigentes do século XXI: é ter claro que o combate à pobreza só será vencido se houver determinação, se houver uma determinação de prioridade na política orçamentária de cada país, de tratar a questão da fome como coisa prioritária. Se a gente esperar sobrar dinheiro no orçamento para cuidar da fome, nunca vai sobrar, porque os que têm acesso ao orçamento são gananciosos e querem todo o dinheiro para eles, e não fica nada para os pobres. Essa é uma experiência muito rica que eu vivi aqui no Brasil.
A segunda coisa importante, meu caro Diouf, é que os dirigentes políticos do mundo precisam definir que não tem nada mais importante para cada país, não tem nada mais importante para cada povo do que a segurança alimentar, como a forma mais extraordinária de garantir a soberania e a autodeterminação dos povos. Se um país tiver a arma mais poderosa que tiver, mas ele não tiver a comida de cada dia, do seu povo, plantada no seu território ou comprada fora, esse país não tem soberania.
"Quem tem fome não pensa, a dor do estômago é maior do que muita gente imagina".
Então, a segurança alimentar precisa ser vista como uma questão de soberania de cada país. Nós temos que garantir a cada cidadão do nosso país que ele possa ter o café da manhã, o almoço e a janta todos os dias, porque isso é o que permite às pessoas terem tempo de pensar no que fazer no dia seguinte. Quem tem fome não pensa, a dor do estômago é maior do que muita gente imagina. E as pessoas que têm fome não viram revolucionárias, elas viram submissas, elas viram pedintes, elas viram dependentes. Portanto, a fome não faz o guerreiro que nós gostaríamos que fizesse. A fome faz um ser humano subserviente, humilhado e sem forças para brigar contra os seus algozes, que são responsáveis pela fome.
Em terceiro lugar, é importante que a gente tenha clareza... eu estava ouvindo o discurso do companheiro Diouf e estava prestando muita atenção. Nenhum ser humano do mundo é contra os pobres, nem nos nossos países. Vocês nunca viram, numa campanha política eleitoral em cada país africano, em cada país latino-americano, em cada país do mundo, um candidato fazer campanha defendendo os ricos contra os pobres.
Normalmente, a campanha é feita, todo mundo defendendo os pobres, até o rico que é candidato. O problema é que na hora de governar, o pobre sai da agenda e o rico permanece na agenda. São eles que indicam ministros, são eles que indicam assessores, ou seja, são, na maioria das vezes, eles que determinam a política que você tem que fazer.
Como mudar isso para que a gente possa garantir um mundo de paz, um mundo sem fome, um mundo com mais educação, um mundo com mais desenvolvimento? Qual é a lógica que explica a África, que é o berço da Humanidade, chegar ao século XXI ainda como o continente mais atrasado na questão do combate à miséria e à fome? Qual é a explicação sociológica, qual é a explicação econômica, mesmo quando o continente africano foi ocupado por nações extremamente ricas? Ao conquistar a independência, muitos países africanos continuaram pobres depois da independência, como foi o caso do nosso querido país, como é o caso de todos na América do Sul, em que os colonizadores foram embora, depois de levar grande parte da riqueza existente no país, e nós continuamos pobres.
"Nós temos apenas um mar de obstáculosentre nós"
Bem, essa lição eu aprendi aqui no Brasil. Nós precisamos aprender a nos conhecer melhor para que a gente possa tomar decisões a partir da nossa realidade, a partir da nossa similaridade, a partir daquilo que a gente pode produzir e construir juntos, e, na maioria das vezes, nós não fizemos isso. No século XX, possivelmente o Brasil tenha se preocupado mais com a sua relação com os europeus e com os americanos, e vocês também, com os europeus e com os americanos. A nossa relação era um pouco estranha, mesmo nós sendo tão parecidos, mesmo nós tendo tanta coisa em comum, a verdade é que nós tínhamos outros parceiros, tínhamos outras expectativas e outra esperança.
Bem, nós já fizemos um primeiro encontro Brasil, América do Sul e África, que a ideia era tentar fazer os dois continentes se enxergarem. Nós temos apenas um mar de obstáculo entre nós, e o mar termina sendo um ponto que facilita a nossa relação e não um ponto que dificulta a nossa relação. Já fizemos dois encontros. Certamente, ainda não colhemos aquilo que era necessário colher mas, certamente, países que nunca tinham ido à África já foram à África, já participaram de encontros com a África e já não acham o continente africano tão estranho a eles. Da mesma forma, os africanos que jamais imaginaram ter ido à Venezuela participar de um encontro, certamente passaram a conhecer outros povos e outros países. E começar a discutir outras possibilidades, aprofundar, de forma meticulosa, o que nós poderemos fazer uns pelos outros.
Bem, nós acabamos de perder um guerreiro, o presidente Yar’Adua, da Nigéria, que visitou o Brasil em julho do ano passado, já não está mais entre nós. Ele era um homem que veio conversar comigo e veio dizer, categoricamente, que ele estava disposto a fazer com que a Nigéria olhasse mais para a relação Sul-Sul, para ver se nós poderíamos construir o que não foi construído no século XX. Eu espero que quem vier para o governo continue pensando nessa mesma trajetória, pensando nesse [com esse] mesmo olhar para o Sul-Sul, porque nós nos olhamos muito pouco no século passado.
Eu já disse a vocês que a África é prioridade na minha relação. Eu já visitei... eu devo terminar o meu mandato visitando 25 países africanos. Isso é mais do que tudo o que já foi visitado por todos aqueles que governaram o Brasil desde que Cabral chegou ao Brasil, em 1500, para descobrir o Brasil. Eu espero que outros presidentes que venham a governar o Brasil viajem mais, viajem mais do que eu e viajem mais países do que eu, para que a gente possa descobrir o potencial que existe nas nossas relações, e trabalhar com a ideia firme e a convicção de que o século XXI tem que ser o século do renascimento africano. Isso só será possível se nós acreditarmos e se nós trabalharmos para isso. Não é possível acontecer alguma coisa se nós não quisermos que aconteça.
Eu lembro perfeitamente bem, e vou dar esse testemunho para vocês, que quando nós começamos a pensar o projeto Fome Zero e depois pensar o programa Bolsa Família – o Graziano está aqui –, nós tivemos muita adversidade. Adversidade numa parte da elite política brasileira, que dizia que dar dinheiro na mão de pobre era proselitismo, era compra de voto, era favor, era... tem todos os adjetivos que vocês possam imaginar. Depois, a incompreensão de alguns que diziam: “Se você vai dar R$ 100 para um pobre, ele não vai querer mais trabalhar, ele não vai querer mais trabalhar, vai virar um vagabundo”. Era isso que diziam. “Ele vai tomar cachaça, ele não vai querer mais trabalhar”. E nós tivemos que enfrentar esse preconceito. O Graziano, que foi o primeiro ministro, Diouf, tinha hora que eu tinha ficar paparicando ele aí, para ninguém desistir, porque a pressão era para desistir, a pressão era que cuidar de pobre não podia. Tinha gente que falava assim para mim: “Por que o presidente Lula vai criar o programa Fome Zero, gastar R$ 12 bilhões se isso daria para fazer pontes, fazer estradas?” Na verdade, daria para fazer pontes e fazer estradas. Mas naquele momento, o mais importante do que uma ponte era colocar comida na barriga de uma criança, era colocar comida na barrida de uma mulher ou de um homem que estava fragilizado. E a gente não poderia vacilar entre os discursos daqueles que são contra e a realidade.
"Foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à chamada crise dos países ricos".
O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à chamada crise dos países ricos. Os pobres do Norte brasileiro e do Nordeste consumiram mais. As Classes D e E do Norte e do Nordeste consumiram mais do que as classes A e D da região Sul e Sudeste. E os pobres foram à luta comprar coisas que, até então, eles não estavam habituados a comprar. Porque quem tem muito dinheiro, quem tem muito dinheiro dá US$ 30, US$ 40 de gorjeta, depois de tomar dez uísques no restaurante. Mas quem não tem nada e pega US$ 40, é capaz de levar comida para seus filhos comerem durante 20 dias ou 30 dias, é capaz de fazer a multiplicação dos pães, é capaz de garantir o sustento de uma família. Esse é um dos milagres que aconteceram neste país.
Neste país, eles diziam: “Nós não podemos aumentar o salário mínimo, porque o salário mínimo vai causar inflação”. Quando nós chegamos aqui, o salário mínimo – se eu não estiver enganado – comprava 1,4 cesta básica. Hoje está comprando 2,4 cestas básicas, ou seja, praticamente, o dobro, e a inflação está totalmente controlada.
O problema é simples: pouco dinheiro na mão de muitos é distribuição de riqueza; muito dinheiro na mão de poucos é concentração de riqueza. Então, o que nós fizemos foi garantir um pouquinho para muita gente, e os pobres, que antes ficavam à margem, viraram gente de classe média, começaram a frequentar shopping centers, começaram a comprar coisas que antes só uma parte da sociedade podia comprar.
Esse é um dos milagres das coisas que aconteceram aqui no Brasil, mediante também muitas outras políticas. Eu, hoje, sou um homem convencido de que o problema nosso não é apenas a questão de dinheiro. Dinheiro é sempre muito importante, dinheiro é sempre muito importante, mas o problema maior nosso é a falta de definição de prioridades. O problema nosso, às vezes, é a falta de projeto, e o problema nosso, às vezes, é a falta de focar aquilo que é prioridade.
O Brasil, na década de 70, tinha uma extraordinária assistência técnica na agricultura brasileira e, no final dos anos 90, toda a assistência técnica estadual tinha, praticamente, com raríssimas exceções, sido dizimada. Nós precisamos reconstruir, porque senão a agricultura familiar não sobrevive. E eu tenho verdadeira ojeriza ao discurso da agricultura de subsistência, tenho verdadeira ojeriza. Dizer para um agricultor: “Você tem que plantar a sua mandioquinha, você tem que plantar o seu milhozinho, você tem que plantar o seu arrozinho”, só para comer? Não! Nós precisamos mostrar que ele tem direito ao acesso à tecnologia, que ele tem que ter direito ao acesso a crédito para ele produzir com mais escala, para, além de comer, ele poder ter um dinheiro e ter acesso a outros bens, senão o homem não fica no campo. O velho fica, mas a juventude não fica no campo, porque as luzes da cidade são uma paixão para a juventude. Entre ficar ouvindo um grilo cantar ou a luz de um vagalume a nos clarear, na porta de um cinema no centro da cidade, com tanta coisa bonita acontecendo lá, é uma paixão a que nenhum jovem resistirá. E ele só vai ficar no campo na hora em que a gente criar as condições para que ele possa ficar no campo.
Aqui, eu penso que o Brasil acumulou uma experiência. Eu não vou entrar em detalhes, porque muita gente nossa vai falar com vocês. Depois das 15h, nós vamos visitar a Embrapa, vocês vão ver de perto uma apresentação na Embrapa. Então, eu não vou me ater a coisas técnicas porque vocês vão ouvir, até enjoar, nesses dias que vocês vão estar aqui.
"Teve um tempo em que o culpados eram “os chineses, os chineses estão comendo demais”.
Mas vou contar uma coisa para vocês. Em julho de 2008 nós fomos pegos de surpresa pelo aumento dos alimentos. Feijão, no Brasil, não é uma coisa de exportação e, de repente, o saco de feijão saiu de R$ 60 para R$ 200; a soja subiu de forma extraordinária; o arroz tinha desaparecido, e todo mundo querendo saber o que era, todo mundo querendo saber o que era.
Então, a coisa mais fácil era dizer: “São os chineses”. Teve um tempo em que o culpados eram “os chineses, os chineses estão comendo demais”.
Bom, e eu fui constatar que não tinha havido nenhum grão de feijão importado pela China, do Brasil. Então, não poderia ser a China. Eu fui detectar que a soja tinha tido a mesma quantidade do ano anterior. Também não tinha sido. E também o preço do petróleo: de US$ 30 para US$ 150. Eu me reunia com as empresas, inclusive com a minha, e com as outras multinacionais, para alguém me explicar por que o petróleo tinha chegado a US$ 150. Eles diziam: “É a China, é o consumo da China”. Aí, quando sai a crise do subprime, quando sai a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos é que a gente descobriu que já tinha, no mercado futuro, a mesma quantidade de petróleo comprada no mercado futuro, que a China consumia. Os espertalhões, que estavam ganhando dinheiro especulando com papel, resolveram tirar o dinheiro do fracassado subprime e ir para a soja, para os alimentos e para o petróleo, e muita gente sofreu com isso.
Nós estávamos prontos para fazer o acordo da Rodada de Doha. Tinha só uma divergência entre a China, entre a Índia e os Estados Unidos, e o problema eleitoral, porque isso era mais ou menos no mês de julho, e tinha eleições em novembro nos Estados Unidos, e tinha eleições em maio do ano seguinte, no estado do negociador indiano, que é na Índia, mas, sobretudo no estado do negociador, que era candidato. Por conta disso, nós não avançamos na Rodada de Doha e, lamentavelmente, já faz dois anos e a gente ainda não retomou as negociações. A Rodada de Doha, no entendimento do Brasil, e certamente no de vocês, era a possibilidade de a gente abrir um pouco mais do mercado para que vocês pudessem exportar os produtos de vocês para os mercados mais ricos. Bem, mas não andou, vamos ver se andamos. Parece que a teoria do livre mercado era extraordinária quando nós só éramos compradores. Na hora em que a gente quer ser vendedor, o livre mercado não era tão livre como parecia ser. E as pessoas não levam...
Eu acho isso, Diouf, uma barbaridade, uma barbaridade da visão capitalista, porque cabe a um homem que tem uma visão capitalista compreender que quanto mais os africanos comerem, quanto mais os latino-americanos comerem, quanto mais nós ganharmos um dinheirinho, mais nós seremos consumidores dos produtos de alto valor agregado que eles produzem. Isso, (incompreensível), você deve ter aprendido na escola de Economia, não precisava ser nenhum dirigente sindical para vir dizer isto aqui. Henry Ford dizia, no começo do século XX: “Eu preciso pagar aos meus trabalhadores para que eles possam comprar o carro que eu produzo, senão eu não vendo”. A mesma coisa é o mundo desenvolvido.
Eles têm que contribuir para a melhoria de vida na África, o Brasil tem que contribuir, os americanos têm que contribuir, os chineses têm que contribuir, porque vocês passarão a ser consumidores no planeta Terra e, portanto, um mercado extraordinário para quem tem sofisticada tecnologia.
Nós estamos há quanto tempo pedindo para os países mais ricos construírem parceria conosco? Fizemos uma com o Japão, em Moçambique, e queremos fazer com outros países para produzir as coisas que interessam a vocês com a nossa tecnologia, mas com incentivo financeiro nosso, para que eles comprem.
Me diga uma coisa: a Europa vai precisar colocar, nos próximos [anos], até 2020, 10% de etanol na sua gasolina, não é isso? A Europa não pode ficar produzindo etanol de beterraba, fica muito caro, ou de milho, não é prudente. É prudente, então, que a gente, olhando o mapa-mundi, [veja] onde é que tem terra para produzir. Onde é que tem terra para produzir?
No continente africano, no Brasil e na América Latina. Os outros países já produziram muito, já utilizaram grande parte da sua terra agricultável, nós é que estamos... Ora, uma parte dessa terra tem que garantir a segurança alimentar da humanidade; na outra parte, onde puder, as pessoas têm que plantar aquilo que vai render dinheiro para as pessoas poderem fazer a economia crescer. E tudo isso é muito visível e perceptível por todos os dirigentes. Mas entre a gente compreender e a gente executar um projeto, é difícil.
Depois vocês conversem com o companheiro de Angola que tem um grande projeto lá, de etanol, do governo de Angola com uma empresa brasileira, que vai suprir, na Angola, metade do etanol que a Angola usa e também metade do açúcar, ou seja, isso é um salto extraordinário – em pouco tempo, em pouco tempo. Essa tecnologia o Brasil domina e é essa tecnologia que o Brasil quer repartir com vocês.
A Embrapa... Eu vou assinar a lei hoje, aqui, vou mandar a medida provisória. É na Embrapa que eu vou assinar, Pedro? Porque a Embrapa está em Gana, ela já estudou projetos em 16 países, e nós já temos a convicção de que parte da savana africana tem as mesmas características produtivas do cerrado brasileiro. O cerrado brasileiro, há 40 anos, era tido como terra imprestável. Na minha ignorância, Pedro, quando eu vinha de carro de São Paulo para Brasília, que passava no Cerrado, a gente dizia: “Essa terra não presta para nada, olha como as árvores estão tortas, nem crescer não crescem”. Bastou um pouco de carinho com a terra, ela virou a área de maior produção de grãos do nosso país. E isso pode acontecer com a savana africana e com muitos países.
Uma outra coisa que eu fico vendo o mapa e fico imaginando, é que tem problema de água na África, em alguns países, mas tem excesso de água na África, em outros países. E nós, os países que têm um pouco mais de recursos, mais os países ricos, nós temos que começar a imaginar como é que a gente socializa essa água. Eu estou fazendo um canal aqui, no Brasil, de 640 quilômetros para levar água para 12 milhões de pessoas da área mais seca do Brasil. Esse projeto está sendo pensado desde 1847 – o Brasil ainda tinha um imperador –, e esse projeto não saía do papel. Pois bem, ele agora saiu do papel e eu inauguro a primeira parte dele. Eu fico vendo ali, na África, alguns rios, a imensidão de água que vai para o mar sem a gente aproveitar. E eu sei que não tem dinheiro nos países, mas é essa contribuição que os países ricos podem dar, financiar um projeto. É esse o financiamento que a gente tem que fazer.
"Quando eu cheguei ao governo, no Brasil inteiro, em todo o território brasileiro, nós tínhamos apenas R$ 380 bilhões de crédito".
No G-20, se pensou em US$ 22 bilhões para ajudar. Agora, esses US$ 22 bilhões precisam ter uma coordenação eficaz, projetos bastante definidos, porque senão o dinheiro desaparece. E quando a gente vai ver não ficou nada no lugar, porque dinheiro, de vez em quando, voa. Então é preciso... e eu acho que as organizações que vocês construíram na África são muito representativas. Acho que eu poderia citar como exemplo aqui, por exemplo, a União Africana, que está mais organizada do que a nossa Unasul; eu poderia citar o Banco Africano, que é um banco que tem um potencial de crescimento, e é lá que os bancos de fomento tipo o FMI, tipo o Banco Mundial, deveriam colocar um pouco de dinheiro para que vocês pudessem administrar do jeito que quisessem, para fazer funcionar o crédito. Uma coisa, Diouf, eu vou dizer a você: quando eu cheguei ao governo, no Brasil inteiro, em todo o território brasileiro, nós tínhamos apenas R$ 380 bilhões de crédito. Eu fiquei pensando: como é que este país quer ser um país capitalista se não tem nem crédito? Pois bem, hoje o nosso país tem mais de 1 trilhão e 500 bilhões de crédito, por isso a economia funciona. Nós criamos aqui um crédito para os pequenos, crédito para o trabalhador aposentado, para o trabalhador que não tem nem conta bancária. Esse crédito já disponibilizou, nesses quatro anos, R$ 115 bilhões de financiamento para as pessoas físicas, aposentados, catadores de papel. Essa é uma parte da explicação do sucesso da agricultura familiar brasileira e do sucesso do agronegócio no Brasil. Aqui no Brasil, o governo tem que financiar o agronegócio e a agricultura familiar, e fazemos isso com prazer porque sabemos da importância que tem os dois setores na economia brasileira.
Bem, nós... uma notícia boa que eu quero dar para os companheiros. Antes, dizer para vocês o seguinte a África já tem um instrumento como o Nepad, a África já tem o Banco de Desenvolvimento, portanto, nós temos instituições mais sólidas na África com quem o restante dos outros países e o Brasil podem fazer negócio. Nós temos condições de criar, para a África, as mesmas políticas de crédito que nós oferecemos aos agricultores brasileiros, mas isso, vai ter gente que vai conversar com vocês, porque muitas vezes as pessoas querem se modernizar, muitas vezes as pessoas até recebem máquinas de graça, mas não tem a formação para a pessoa manusear a máquina, ou às vezes não tem tecnologia para fazer funcionar, às vezes tem a máquina, precisa do combustível, não é?
Eu lembro que quando nós lançamos o Programa Mais Alimentos, no auge da crise do alimento, nós, em 18 meses, criamos uma linha de crédito para o pequeno produtor, nós vendemos aqui, internamente, 25 mil tratores para pessoas que jamais tinham imaginado ter um trator. E esse programa terminava agora, nós vamos ter que continuar com ele, porque... E eu quero ver se estendo essa mesma linha de crédito para o Brasil, para a América Latina e para os países africanos que precisarem modernizar a sua agricultura.
Nós gostaríamos de partilhar com vocês, companheiros, as nossas experiências, e vocês vão ter o prazer de conhecer a Embrapa. A Embrapa é a empresa responsável pela revolução tecnológica no Brasil na questão da agricultura, e nós queremos que ela faça com a África o mesmo que está fazendo no Brasil, por isso nós estamos com os técnicos lá fora. Mas hoje nós vamos mandar um projeto de lei oficializando a implantação da Embrapa em território estrangeiro, coisa que a lei atual não permite.
Nós estamos querendo, temos intenção de implantar 10 projetos-piloto nos moldes do programa de aquisição de alimentos na África. O programa de aquisição de alimentos, certamente o Ministro vai falar, na parte da tarde, mas uma coisa extraordinária aqui, no Brasil, é o programa da compra de alimentos feito pelo governo. E a outra coisa extraordinária é que nós determinamos que 30% do alimento vendido para a merenda escolar seja da agricultura familiar, mas que seja da agricultura local, regional, ou seja, para um cidadão comprar do produtor na sua cidade, para fomentar a produção da sua cidade. Senão, o cidadão planta a 2 mil quilômetros de distância, esse produto sai de lá, vai para, aqui no Brasil, vai para o Ceasa, que é um setor de comercialização e depois volta para lá, ou seja, anda 4 mil quilômetros para ganhar preço, para depois chegar ao produtor [consumidor]. Então, nós decidimos que 30% é comprado ali, na cidade do pequeno produtor rural dali: é a batatinha, é o feijão, é a mandioca, ou seja, tem que ser comprada lá, para a gente fomentar a produção.
Bem, uma coisa importante que eu queria dizer para vocês: finalmente, a Câmara dos Deputados, no Brasil, aprovou – e eu queria que o Eduardo prestasse atenção, porque vai para o Senado –, a Câmara dos Deputados finalmente aprovou, na semana passada, a Universidade Afro-Brasileira. É uma universidade que nós estamos pensando em 10 mil alunos, metade africanos, metade brasileiros. Ela vai ser no estado do Ceará, portanto, estarão todos os estudantes olhando para o continente africano, para que ninguém esqueça de onde veio, porque se a gente não tomar cuidado, esses meninos vêm, se formam, arrumam uma namorada e já ficam por aqui mesmo; e nós queremos que eles fiquem de olho para o continente africano, olhando ali... Quem é de Cabo Verde, vai estar ali, olhando Cabo Verde. Se ele não quiser ir, a gente empurra ele e ele vai nadando, e volta para o seu local. O que nós queremos é dar uma contribuição... Se for aprovada no Senado, Eduardo, nós ainda lançaremos a pedra fundamental e começaremos a construí-la ainda este ano. Será na cidade de Redenção, no Ceará, que é a cidade onde começou a luta pelo fim da escravidão no nosso país.
Por último, companheiros e companheiras, nós também queremos oferecer treinamento técnico em extensão rural, num trabalho com o nosso Ministério, com a Embrapa, com o Sebrae. O que nós precisamos habituar é fazer com que as nossas pessoas viajem mais e se encontrem mais. Por isso é que nós vamos inaugurar, à tarde, um centro da Embrapa, que é uma coisa chique, que tem... é um centro de tecnologia, de formação, de treinamento, em que a gente quer receber muitos engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas da África, para poderem fazer treinamento na Embrapa, aprender a tecnologia que nós temos aqui, de ponta, levar para a África e produzir o mesmo que nós produzimos aqui.
Eu quero ressaltar o papel das Nações Unidas e, particularmente, do Fida, do PMA e da FAO, porque o papel de vocês é decisivo para construir este mundo sem fome que todos nós queremos construir. Acho que nós precisamos implementar a reforma do Comitê de Segurança Alimentar, e é preciso torná-lo um fórum representativo de todos os acordos relevantes para a construção de uma parceria global para a agricultura e a segurança alimentar. Acho que o Programa Mundial de Alimentos deve ampliar suas atividades, por meio de compras locais de alimentos que assegurem o fornecimento às populações vulneráveis e estimulem o pequeno produtor. O Fida pode ajudar muito no apoio aos programas nacionais de regularização fundiária e de ampliação de crédito e seguro agrícola.
"Temos que fazer um esforço e não ficar competindo com países mais pobres do que nós".
Aqui, eu queria dizer uma coisa, tanto ao Diouf, quanto ao Programa (incompreensível): o Brasil, o Brasil, graças a Deus, o Brasil não precisa de ajuda financeira para fazer as suas coisas. O Brasil tem tamanho, tem tecnologia, dinheiro e tem vergonha. Portanto, nós temos que fazer um esforço e não ficar competindo com países mais pobres do que nós. Nós temos que colocar dinheiro no orçamento e aprovar as coisas que nós precisamos, porque o Brasil, Diouf, o Brasil ainda não aprendeu que entrou no rol dos países doadores. O Brasil não é mais um país receptor. E isso está acontecendo, e é importante, Celso, as ONGs...
As ONGs importantes que atuavam no Brasil, elas estão comunicando à gente que estão indo embora, muitas delas, para cuidar de outros países mais pobres. Qual é o sentido de o Brasil ficar competindo com a Tanzânia, com Botsuana? Não, o Brasil tem que entrar no rol dos países doadores e contribuir. Ora, se nós tivemos coragem de aprovar US$ 14 bilhões para emprestar para o FMI, por que é que a gente não pode ter, através do nosso BNDES, uma política de financiamento para os países africanos? É só decisão política, que já está tomada. Por isso, isso vai ser discutido à tarde com os companheiros aí.
Por último, eu queria dizer para vocês que no G-20 nós vamos continuar brigando para que a gente possa fortalecer as instituições multilaterais, para que a gente faça o Banco Mundial cumprir com as suas funções de ajudar os países em desenvolvimento, para que o FMI empreste dinheiro sem precisar das exigências que fazia antigamente, e vamos continuar brigando para que a gente possa concluir a Rodada de Doha da forma mais justa possível.
Uma coisa que eu queria pedir para vocês... Nós vamos estar juntos ainda, na Embrapa, hoje à noite; depois nós vamos estar juntos na visita de uma feira de agricultura familiar, é isso? Hoje ainda, ou amanhã? Amanhã. Eu quero estar junto com vocês nessa visita à feira. Eu quero que a gente, ao terminar isto aqui, eu não sei qual é a ideia central, Celso, mas que a gente crie uma espécie de grupo dirigente disso aqui, para que a gente possa acompanhar e dar sequência a cada coisa que a gente vai fazer. Cada projeto tem que ter um acompanhante, para que a coisa possa vencer as barreiras com mais facilidade do que nós temos hoje.
Eu acho que o Brasil tem um problema para resolver, o Celso tem me cobrado, que é a questão de vôos para o continente africano. As empresas brasileiras adoram ir para Paris, adoram ir para Londres, adoram... mas não querem parar no território africano. Agora, com esse vulcão soltando fumaça preta para tudo quanto é lado, eles estão parando em qualquer lugar, com medo. Mas nós estamos trabalhando, o ministro Jobim já tem pronta uma proposta que ele quer me apresentar, para ver se a gente começa a fazer com que nossas empresas possam parar em alguns países africanos, porque se não tiver possibilidade de trabalhar, se a gente não tiver voo para garantir o direito de ir e vir dos ministros, dos empresários, dos cientistas, a gente não vai conseguir o desenvolvimento que nós queremos.
Então, eu queria dizer para vocês, do fundo do coração: muito obrigado por vocês terem aceito o nosso convite, muito obrigado. E eu espero que desta reunião aqui a gente tire uma nova e mais aperfeiçoada política com os nossos irmãos africanos. E, certamente, certamente, eu me encontrarei com vocês, porque eu ainda tenho que visitar cinco países africanos. Mas, no dia 11 estarei na África do Sul, para a final da Copa do Mundo. Não é que eu seja tão otimista que o Brasil vá para a final, não é que eu seja tão otimista que vai para a final. É que eu tenho que estar lá porque, como o Brasil vai sediar a Copa do Mundo de 2014, eu tenho que estar na festa de encerramento, para trazer o espírito da Copa do Mundo para o Brasil. E, certamente, eu posso trazer junto a Taça do Mundo, pela sexta vez.
Um abraço e muito obrigado, companheiros.
fonte http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16590&boletim_id=695&componente_id=11649

"Consumo dos pobres ajudou país a enfrentar crise dos ricos"
Em discurso proferido na abertura do Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a contribuição das políticas sociais do governo brasileiro no enfrentamento da crise econômica internacional. "O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à crise dos países ricos", disse Lula.
Redação
No dia 10 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a realização da reunião Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, em Brasília, para fazer um balanço das políticas sociais implementadas pelo governo brasileiro nos últimos anos. Lula falou sobre as dificuldades, resistências e preconceitos enfrentados no início e sobre como os resultados de hoje mostram o acerto do caminho adotado. Após receber o prêmio da ONU “Campeão do Mundo na Batalha Contra a Fome”, o presidente lembrou que foi o consumo das classes menos favorecidas um dos responsáveis pelo fortalecimento da economia nacional, que se descolou do cenário internacional e sofreu menos com os efeitos da crise econômica mundial.
“A classes D e E do Norte e do Nordeste consumiram mais que as classes A e B do Sul e Sudeste, ou seja, os pobres foram à luta para comprar. (…) O que nós fizemos foi garantir um pouquinho para muita gente. E os pobres, que antes ficavam à margem, viraram gente de classe média e compraram coisas que só parte da classe media podia comprar”, destacou Lula. O presidente resumiu assim as dificuldades enfrentadas no início da implementação de programas como o Bolsa Família:
"Tinha gente que falava assim para mim: “Por que o presidente Lula vai criar o programa Fome Zero, gastar R$ 12 bilhões se isso daria para fazer pontes, fazer estradas?” Na verdade, daria para fazer pontes e fazer estradas. Mas naquele momento, o mais importante do que uma ponte era colocar comida na barriga de uma criança, era colocar comida na barrida de uma mulher ou de um homem que estava fragilizado. E a gente não poderia vacilar entre os discursos daqueles que são contra e a realidade. O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à crise dos países ricos..."
Publicamos a seguir o discurso proferido pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura do Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural (Palácio Itamaraty, 10 de maio de 2010).
Quero dizer para vocês da alegria imensa de vocês terem aceito o convite nosso para participar deste debate sobre a relação África-Brasil e a questão da segurança alimentar.
Eu queria começar contando um caso para vocês. Hoje, graças a Deus, eu não tenho discurso. Tenho apenas aqui alguns pontos de conversação, e eu penso que vai ser mais rápido, não vou tomar muito o tempo de vocês. De vez em quando o improviso faz com que a gente utilize muito mais tempo do que se tivesse o discurso por escrito. Mas, de qualquer forma, eu vou compreender que vocês viajaram muito para chegar aqui, atravessaram o Atlântico e, portanto, o fuso horário deve estar mexendo com a cabeça de vocês.
Então, eu vou começar contando uma história, das dificuldades das relações entre os estados. Eu não vi aqui o meu ministro Eloi, companheiro ministro da Igualdade Racial. Eu tinha aproximadamente três meses de mandato na Presidência da República do Brasil, quando o presidente Wade, do Senegal, me liga pedindo ajuda do Brasil para que lhe enviasse um avião, chamado Ipanema, para enfrentar uma praga de gafanhotos que se aproximava do Senegal. Eu fiquei muito entusiasmado porque era o meu primeiro gesto de solidariedade com um país africano, e decidimos, então, mandar o avião. Entre decidir mandar o avião e o avião chegar lá, levou seis meses. A praga de gafanhotos já tinha comido todo o milharal, e o avião... Foi para lá, está lá. Eu espero que tenha combatido outras pragas de gafanhotos, mas aquela não deu porque eu não sabia que, para dar um avião, tinha que passar pelo Congresso Nacional, tinha que debater não sei das quantas, e demorou muito.
Eu estou dizendo isso apenas para mostrar para vocês que, muitas vezes, a gente toma as decisões – vocês, do lado de vocês; nós, do nosso lado; os americanos, do lado deles; os europeus, do lado deles – e até a gente concretizar as coisas, leva um tempo muito grande. Para quem está com fome, para quem está sofrendo muito e para quem precisa comer as calorias e as proteínas necessárias, são tempos intermináveis que, muitas vezes, não chegam a tempo de as pessoas sobreviverem. Esse é um assunto que eu quero discutir com vocês.
"A gente pensa de acordo com o chão que os nossos pés pisam".
Eu queria, antes, agradecer o prêmio que eu recebi. Eu penso que cada dirigente, no mundo, ou melhor, cada um de nós, a gente pensa de acordo com o chão que os nossos pés pisam. Se os dirigentes políticos do mundo não estiverem, cotidianamente, comprometidos com as pessoas que estão em pior situação no seu estado e no seu país, fica mais difícil a gente tomar decisão em benefício dos mais pobres. A verdade é que, normalmente, nós somos eleitos pelos mais pobres, mas quando a gente ganha as eleições, quem tem acesso ao gabinete dos dirigentes não são os mais pobres, são os mais ricos. E, muitas vezes, o orçamento da União é feito para aquelas pessoas na sociedade que já estão organizadas e que, portanto, fazem uma pressão sobre o governo, e o orçamento é dividido normalmente para a parte organizada da sociedade e, quando a gente vai ver, não sobra nada para a gente fazer política para aqueles que não têm sindicato, para aqueles que não vão à capital, para aqueles que não fazem passeata, para aqueles que não têm sequer o direito de protestar porque não têm como protestar.
Esse é um desafio que está colocado para as gerações de dirigentes do século XXI: é ter claro que o combate à pobreza só será vencido se houver determinação, se houver uma determinação de prioridade na política orçamentária de cada país, de tratar a questão da fome como coisa prioritária. Se a gente esperar sobrar dinheiro no orçamento para cuidar da fome, nunca vai sobrar, porque os que têm acesso ao orçamento são gananciosos e querem todo o dinheiro para eles, e não fica nada para os pobres. Essa é uma experiência muito rica que eu vivi aqui no Brasil.
A segunda coisa importante, meu caro Diouf, é que os dirigentes políticos do mundo precisam definir que não tem nada mais importante para cada país, não tem nada mais importante para cada povo do que a segurança alimentar, como a forma mais extraordinária de garantir a soberania e a autodeterminação dos povos. Se um país tiver a arma mais poderosa que tiver, mas ele não tiver a comida de cada dia, do seu povo, plantada no seu território ou comprada fora, esse país não tem soberania.
"Quem tem fome não pensa, a dor do estômago é maior do que muita gente imagina".
Então, a segurança alimentar precisa ser vista como uma questão de soberania de cada país. Nós temos que garantir a cada cidadão do nosso país que ele possa ter o café da manhã, o almoço e a janta todos os dias, porque isso é o que permite às pessoas terem tempo de pensar no que fazer no dia seguinte. Quem tem fome não pensa, a dor do estômago é maior do que muita gente imagina. E as pessoas que têm fome não viram revolucionárias, elas viram submissas, elas viram pedintes, elas viram dependentes. Portanto, a fome não faz o guerreiro que nós gostaríamos que fizesse. A fome faz um ser humano subserviente, humilhado e sem forças para brigar contra os seus algozes, que são responsáveis pela fome.
Em terceiro lugar, é importante que a gente tenha clareza... eu estava ouvindo o discurso do companheiro Diouf e estava prestando muita atenção. Nenhum ser humano do mundo é contra os pobres, nem nos nossos países. Vocês nunca viram, numa campanha política eleitoral em cada país africano, em cada país latino-americano, em cada país do mundo, um candidato fazer campanha defendendo os ricos contra os pobres.
Normalmente, a campanha é feita, todo mundo defendendo os pobres, até o rico que é candidato. O problema é que na hora de governar, o pobre sai da agenda e o rico permanece na agenda. São eles que indicam ministros, são eles que indicam assessores, ou seja, são, na maioria das vezes, eles que determinam a política que você tem que fazer.
Como mudar isso para que a gente possa garantir um mundo de paz, um mundo sem fome, um mundo com mais educação, um mundo com mais desenvolvimento? Qual é a lógica que explica a África, que é o berço da Humanidade, chegar ao século XXI ainda como o continente mais atrasado na questão do combate à miséria e à fome? Qual é a explicação sociológica, qual é a explicação econômica, mesmo quando o continente africano foi ocupado por nações extremamente ricas? Ao conquistar a independência, muitos países africanos continuaram pobres depois da independência, como foi o caso do nosso querido país, como é o caso de todos na América do Sul, em que os colonizadores foram embora, depois de levar grande parte da riqueza existente no país, e nós continuamos pobres.
"Nós temos apenas um mar de obstáculosentre nós"
Bem, essa lição eu aprendi aqui no Brasil. Nós precisamos aprender a nos conhecer melhor para que a gente possa tomar decisões a partir da nossa realidade, a partir da nossa similaridade, a partir daquilo que a gente pode produzir e construir juntos, e, na maioria das vezes, nós não fizemos isso. No século XX, possivelmente o Brasil tenha se preocupado mais com a sua relação com os europeus e com os americanos, e vocês também, com os europeus e com os americanos. A nossa relação era um pouco estranha, mesmo nós sendo tão parecidos, mesmo nós tendo tanta coisa em comum, a verdade é que nós tínhamos outros parceiros, tínhamos outras expectativas e outra esperança.
Bem, nós já fizemos um primeiro encontro Brasil, América do Sul e África, que a ideia era tentar fazer os dois continentes se enxergarem. Nós temos apenas um mar de obstáculo entre nós, e o mar termina sendo um ponto que facilita a nossa relação e não um ponto que dificulta a nossa relação. Já fizemos dois encontros. Certamente, ainda não colhemos aquilo que era necessário colher mas, certamente, países que nunca tinham ido à África já foram à África, já participaram de encontros com a África e já não acham o continente africano tão estranho a eles. Da mesma forma, os africanos que jamais imaginaram ter ido à Venezuela participar de um encontro, certamente passaram a conhecer outros povos e outros países. E começar a discutir outras possibilidades, aprofundar, de forma meticulosa, o que nós poderemos fazer uns pelos outros.
Bem, nós acabamos de perder um guerreiro, o presidente Yar’Adua, da Nigéria, que visitou o Brasil em julho do ano passado, já não está mais entre nós. Ele era um homem que veio conversar comigo e veio dizer, categoricamente, que ele estava disposto a fazer com que a Nigéria olhasse mais para a relação Sul-Sul, para ver se nós poderíamos construir o que não foi construído no século XX. Eu espero que quem vier para o governo continue pensando nessa mesma trajetória, pensando nesse [com esse] mesmo olhar para o Sul-Sul, porque nós nos olhamos muito pouco no século passado.
Eu já disse a vocês que a África é prioridade na minha relação. Eu já visitei... eu devo terminar o meu mandato visitando 25 países africanos. Isso é mais do que tudo o que já foi visitado por todos aqueles que governaram o Brasil desde que Cabral chegou ao Brasil, em 1500, para descobrir o Brasil. Eu espero que outros presidentes que venham a governar o Brasil viajem mais, viajem mais do que eu e viajem mais países do que eu, para que a gente possa descobrir o potencial que existe nas nossas relações, e trabalhar com a ideia firme e a convicção de que o século XXI tem que ser o século do renascimento africano. Isso só será possível se nós acreditarmos e se nós trabalharmos para isso. Não é possível acontecer alguma coisa se nós não quisermos que aconteça.
Eu lembro perfeitamente bem, e vou dar esse testemunho para vocês, que quando nós começamos a pensar o projeto Fome Zero e depois pensar o programa Bolsa Família – o Graziano está aqui –, nós tivemos muita adversidade. Adversidade numa parte da elite política brasileira, que dizia que dar dinheiro na mão de pobre era proselitismo, era compra de voto, era favor, era... tem todos os adjetivos que vocês possam imaginar. Depois, a incompreensão de alguns que diziam: “Se você vai dar R$ 100 para um pobre, ele não vai querer mais trabalhar, ele não vai querer mais trabalhar, vai virar um vagabundo”. Era isso que diziam. “Ele vai tomar cachaça, ele não vai querer mais trabalhar”. E nós tivemos que enfrentar esse preconceito. O Graziano, que foi o primeiro ministro, Diouf, tinha hora que eu tinha ficar paparicando ele aí, para ninguém desistir, porque a pressão era para desistir, a pressão era que cuidar de pobre não podia. Tinha gente que falava assim para mim: “Por que o presidente Lula vai criar o programa Fome Zero, gastar R$ 12 bilhões se isso daria para fazer pontes, fazer estradas?” Na verdade, daria para fazer pontes e fazer estradas. Mas naquele momento, o mais importante do que uma ponte era colocar comida na barriga de uma criança, era colocar comida na barrida de uma mulher ou de um homem que estava fragilizado. E a gente não poderia vacilar entre os discursos daqueles que são contra e a realidade.
"Foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à chamada crise dos países ricos".
O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à chamada crise dos países ricos. Os pobres do Norte brasileiro e do Nordeste consumiram mais. As Classes D e E do Norte e do Nordeste consumiram mais do que as classes A e D da região Sul e Sudeste. E os pobres foram à luta comprar coisas que, até então, eles não estavam habituados a comprar. Porque quem tem muito dinheiro, quem tem muito dinheiro dá US$ 30, US$ 40 de gorjeta, depois de tomar dez uísques no restaurante. Mas quem não tem nada e pega US$ 40, é capaz de levar comida para seus filhos comerem durante 20 dias ou 30 dias, é capaz de fazer a multiplicação dos pães, é capaz de garantir o sustento de uma família. Esse é um dos milagres que aconteceram neste país.
Neste país, eles diziam: “Nós não podemos aumentar o salário mínimo, porque o salário mínimo vai causar inflação”. Quando nós chegamos aqui, o salário mínimo – se eu não estiver enganado – comprava 1,4 cesta básica. Hoje está comprando 2,4 cestas básicas, ou seja, praticamente, o dobro, e a inflação está totalmente controlada.
O problema é simples: pouco dinheiro na mão de muitos é distribuição de riqueza; muito dinheiro na mão de poucos é concentração de riqueza. Então, o que nós fizemos foi garantir um pouquinho para muita gente, e os pobres, que antes ficavam à margem, viraram gente de classe média, começaram a frequentar shopping centers, começaram a comprar coisas que antes só uma parte da sociedade podia comprar.
Esse é um dos milagres das coisas que aconteceram aqui no Brasil, mediante também muitas outras políticas. Eu, hoje, sou um homem convencido de que o problema nosso não é apenas a questão de dinheiro. Dinheiro é sempre muito importante, dinheiro é sempre muito importante, mas o problema maior nosso é a falta de definição de prioridades. O problema nosso, às vezes, é a falta de projeto, e o problema nosso, às vezes, é a falta de focar aquilo que é prioridade.
O Brasil, na década de 70, tinha uma extraordinária assistência técnica na agricultura brasileira e, no final dos anos 90, toda a assistência técnica estadual tinha, praticamente, com raríssimas exceções, sido dizimada. Nós precisamos reconstruir, porque senão a agricultura familiar não sobrevive. E eu tenho verdadeira ojeriza ao discurso da agricultura de subsistência, tenho verdadeira ojeriza. Dizer para um agricultor: “Você tem que plantar a sua mandioquinha, você tem que plantar o seu milhozinho, você tem que plantar o seu arrozinho”, só para comer? Não! Nós precisamos mostrar que ele tem direito ao acesso à tecnologia, que ele tem que ter direito ao acesso a crédito para ele produzir com mais escala, para, além de comer, ele poder ter um dinheiro e ter acesso a outros bens, senão o homem não fica no campo. O velho fica, mas a juventude não fica no campo, porque as luzes da cidade são uma paixão para a juventude. Entre ficar ouvindo um grilo cantar ou a luz de um vagalume a nos clarear, na porta de um cinema no centro da cidade, com tanta coisa bonita acontecendo lá, é uma paixão a que nenhum jovem resistirá. E ele só vai ficar no campo na hora em que a gente criar as condições para que ele possa ficar no campo.
Aqui, eu penso que o Brasil acumulou uma experiência. Eu não vou entrar em detalhes, porque muita gente nossa vai falar com vocês. Depois das 15h, nós vamos visitar a Embrapa, vocês vão ver de perto uma apresentação na Embrapa. Então, eu não vou me ater a coisas técnicas porque vocês vão ouvir, até enjoar, nesses dias que vocês vão estar aqui.
"Teve um tempo em que o culpados eram “os chineses, os chineses estão comendo demais”.
Mas vou contar uma coisa para vocês. Em julho de 2008 nós fomos pegos de surpresa pelo aumento dos alimentos. Feijão, no Brasil, não é uma coisa de exportação e, de repente, o saco de feijão saiu de R$ 60 para R$ 200; a soja subiu de forma extraordinária; o arroz tinha desaparecido, e todo mundo querendo saber o que era, todo mundo querendo saber o que era.
Então, a coisa mais fácil era dizer: “São os chineses”. Teve um tempo em que o culpados eram “os chineses, os chineses estão comendo demais”.
Bom, e eu fui constatar que não tinha havido nenhum grão de feijão importado pela China, do Brasil. Então, não poderia ser a China. Eu fui detectar que a soja tinha tido a mesma quantidade do ano anterior. Também não tinha sido. E também o preço do petróleo: de US$ 30 para US$ 150. Eu me reunia com as empresas, inclusive com a minha, e com as outras multinacionais, para alguém me explicar por que o petróleo tinha chegado a US$ 150. Eles diziam: “É a China, é o consumo da China”. Aí, quando sai a crise do subprime, quando sai a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos é que a gente descobriu que já tinha, no mercado futuro, a mesma quantidade de petróleo comprada no mercado futuro, que a China consumia. Os espertalhões, que estavam ganhando dinheiro especulando com papel, resolveram tirar o dinheiro do fracassado subprime e ir para a soja, para os alimentos e para o petróleo, e muita gente sofreu com isso.
Nós estávamos prontos para fazer o acordo da Rodada de Doha. Tinha só uma divergência entre a China, entre a Índia e os Estados Unidos, e o problema eleitoral, porque isso era mais ou menos no mês de julho, e tinha eleições em novembro nos Estados Unidos, e tinha eleições em maio do ano seguinte, no estado do negociador indiano, que é na Índia, mas, sobretudo no estado do negociador, que era candidato. Por conta disso, nós não avançamos na Rodada de Doha e, lamentavelmente, já faz dois anos e a gente ainda não retomou as negociações. A Rodada de Doha, no entendimento do Brasil, e certamente no de vocês, era a possibilidade de a gente abrir um pouco mais do mercado para que vocês pudessem exportar os produtos de vocês para os mercados mais ricos. Bem, mas não andou, vamos ver se andamos. Parece que a teoria do livre mercado era extraordinária quando nós só éramos compradores. Na hora em que a gente quer ser vendedor, o livre mercado não era tão livre como parecia ser. E as pessoas não levam...
Eu acho isso, Diouf, uma barbaridade, uma barbaridade da visão capitalista, porque cabe a um homem que tem uma visão capitalista compreender que quanto mais os africanos comerem, quanto mais os latino-americanos comerem, quanto mais nós ganharmos um dinheirinho, mais nós seremos consumidores dos produtos de alto valor agregado que eles produzem. Isso, (incompreensível), você deve ter aprendido na escola de Economia, não precisava ser nenhum dirigente sindical para vir dizer isto aqui. Henry Ford dizia, no começo do século XX: “Eu preciso pagar aos meus trabalhadores para que eles possam comprar o carro que eu produzo, senão eu não vendo”. A mesma coisa é o mundo desenvolvido.
Eles têm que contribuir para a melhoria de vida na África, o Brasil tem que contribuir, os americanos têm que contribuir, os chineses têm que contribuir, porque vocês passarão a ser consumidores no planeta Terra e, portanto, um mercado extraordinário para quem tem sofisticada tecnologia.
Nós estamos há quanto tempo pedindo para os países mais ricos construírem parceria conosco? Fizemos uma com o Japão, em Moçambique, e queremos fazer com outros países para produzir as coisas que interessam a vocês com a nossa tecnologia, mas com incentivo financeiro nosso, para que eles comprem.
Me diga uma coisa: a Europa vai precisar colocar, nos próximos [anos], até 2020, 10% de etanol na sua gasolina, não é isso? A Europa não pode ficar produzindo etanol de beterraba, fica muito caro, ou de milho, não é prudente. É prudente, então, que a gente, olhando o mapa-mundi, [veja] onde é que tem terra para produzir. Onde é que tem terra para produzir?
No continente africano, no Brasil e na América Latina. Os outros países já produziram muito, já utilizaram grande parte da sua terra agricultável, nós é que estamos... Ora, uma parte dessa terra tem que garantir a segurança alimentar da humanidade; na outra parte, onde puder, as pessoas têm que plantar aquilo que vai render dinheiro para as pessoas poderem fazer a economia crescer. E tudo isso é muito visível e perceptível por todos os dirigentes. Mas entre a gente compreender e a gente executar um projeto, é difícil.
Depois vocês conversem com o companheiro de Angola que tem um grande projeto lá, de etanol, do governo de Angola com uma empresa brasileira, que vai suprir, na Angola, metade do etanol que a Angola usa e também metade do açúcar, ou seja, isso é um salto extraordinário – em pouco tempo, em pouco tempo. Essa tecnologia o Brasil domina e é essa tecnologia que o Brasil quer repartir com vocês.
A Embrapa... Eu vou assinar a lei hoje, aqui, vou mandar a medida provisória. É na Embrapa que eu vou assinar, Pedro? Porque a Embrapa está em Gana, ela já estudou projetos em 16 países, e nós já temos a convicção de que parte da savana africana tem as mesmas características produtivas do cerrado brasileiro. O cerrado brasileiro, há 40 anos, era tido como terra imprestável. Na minha ignorância, Pedro, quando eu vinha de carro de São Paulo para Brasília, que passava no Cerrado, a gente dizia: “Essa terra não presta para nada, olha como as árvores estão tortas, nem crescer não crescem”. Bastou um pouco de carinho com a terra, ela virou a área de maior produção de grãos do nosso país. E isso pode acontecer com a savana africana e com muitos países.
Uma outra coisa que eu fico vendo o mapa e fico imaginando, é que tem problema de água na África, em alguns países, mas tem excesso de água na África, em outros países. E nós, os países que têm um pouco mais de recursos, mais os países ricos, nós temos que começar a imaginar como é que a gente socializa essa água. Eu estou fazendo um canal aqui, no Brasil, de 640 quilômetros para levar água para 12 milhões de pessoas da área mais seca do Brasil. Esse projeto está sendo pensado desde 1847 – o Brasil ainda tinha um imperador –, e esse projeto não saía do papel. Pois bem, ele agora saiu do papel e eu inauguro a primeira parte dele. Eu fico vendo ali, na África, alguns rios, a imensidão de água que vai para o mar sem a gente aproveitar. E eu sei que não tem dinheiro nos países, mas é essa contribuição que os países ricos podem dar, financiar um projeto. É esse o financiamento que a gente tem que fazer.
"Quando eu cheguei ao governo, no Brasil inteiro, em todo o território brasileiro, nós tínhamos apenas R$ 380 bilhões de crédito".
No G-20, se pensou em US$ 22 bilhões para ajudar. Agora, esses US$ 22 bilhões precisam ter uma coordenação eficaz, projetos bastante definidos, porque senão o dinheiro desaparece. E quando a gente vai ver não ficou nada no lugar, porque dinheiro, de vez em quando, voa. Então é preciso... e eu acho que as organizações que vocês construíram na África são muito representativas. Acho que eu poderia citar como exemplo aqui, por exemplo, a União Africana, que está mais organizada do que a nossa Unasul; eu poderia citar o Banco Africano, que é um banco que tem um potencial de crescimento, e é lá que os bancos de fomento tipo o FMI, tipo o Banco Mundial, deveriam colocar um pouco de dinheiro para que vocês pudessem administrar do jeito que quisessem, para fazer funcionar o crédito. Uma coisa, Diouf, eu vou dizer a você: quando eu cheguei ao governo, no Brasil inteiro, em todo o território brasileiro, nós tínhamos apenas R$ 380 bilhões de crédito. Eu fiquei pensando: como é que este país quer ser um país capitalista se não tem nem crédito? Pois bem, hoje o nosso país tem mais de 1 trilhão e 500 bilhões de crédito, por isso a economia funciona. Nós criamos aqui um crédito para os pequenos, crédito para o trabalhador aposentado, para o trabalhador que não tem nem conta bancária. Esse crédito já disponibilizou, nesses quatro anos, R$ 115 bilhões de financiamento para as pessoas físicas, aposentados, catadores de papel. Essa é uma parte da explicação do sucesso da agricultura familiar brasileira e do sucesso do agronegócio no Brasil. Aqui no Brasil, o governo tem que financiar o agronegócio e a agricultura familiar, e fazemos isso com prazer porque sabemos da importância que tem os dois setores na economia brasileira.
Bem, nós... uma notícia boa que eu quero dar para os companheiros. Antes, dizer para vocês o seguinte a África já tem um instrumento como o Nepad, a África já tem o Banco de Desenvolvimento, portanto, nós temos instituições mais sólidas na África com quem o restante dos outros países e o Brasil podem fazer negócio. Nós temos condições de criar, para a África, as mesmas políticas de crédito que nós oferecemos aos agricultores brasileiros, mas isso, vai ter gente que vai conversar com vocês, porque muitas vezes as pessoas querem se modernizar, muitas vezes as pessoas até recebem máquinas de graça, mas não tem a formação para a pessoa manusear a máquina, ou às vezes não tem tecnologia para fazer funcionar, às vezes tem a máquina, precisa do combustível, não é?
Eu lembro que quando nós lançamos o Programa Mais Alimentos, no auge da crise do alimento, nós, em 18 meses, criamos uma linha de crédito para o pequeno produtor, nós vendemos aqui, internamente, 25 mil tratores para pessoas que jamais tinham imaginado ter um trator. E esse programa terminava agora, nós vamos ter que continuar com ele, porque... E eu quero ver se estendo essa mesma linha de crédito para o Brasil, para a América Latina e para os países africanos que precisarem modernizar a sua agricultura.
Nós gostaríamos de partilhar com vocês, companheiros, as nossas experiências, e vocês vão ter o prazer de conhecer a Embrapa. A Embrapa é a empresa responsável pela revolução tecnológica no Brasil na questão da agricultura, e nós queremos que ela faça com a África o mesmo que está fazendo no Brasil, por isso nós estamos com os técnicos lá fora. Mas hoje nós vamos mandar um projeto de lei oficializando a implantação da Embrapa em território estrangeiro, coisa que a lei atual não permite.
Nós estamos querendo, temos intenção de implantar 10 projetos-piloto nos moldes do programa de aquisição de alimentos na África. O programa de aquisição de alimentos, certamente o Ministro vai falar, na parte da tarde, mas uma coisa extraordinária aqui, no Brasil, é o programa da compra de alimentos feito pelo governo. E a outra coisa extraordinária é que nós determinamos que 30% do alimento vendido para a merenda escolar seja da agricultura familiar, mas que seja da agricultura local, regional, ou seja, para um cidadão comprar do produtor na sua cidade, para fomentar a produção da sua cidade. Senão, o cidadão planta a 2 mil quilômetros de distância, esse produto sai de lá, vai para, aqui no Brasil, vai para o Ceasa, que é um setor de comercialização e depois volta para lá, ou seja, anda 4 mil quilômetros para ganhar preço, para depois chegar ao produtor [consumidor]. Então, nós decidimos que 30% é comprado ali, na cidade do pequeno produtor rural dali: é a batatinha, é o feijão, é a mandioca, ou seja, tem que ser comprada lá, para a gente fomentar a produção.
Bem, uma coisa importante que eu queria dizer para vocês: finalmente, a Câmara dos Deputados, no Brasil, aprovou – e eu queria que o Eduardo prestasse atenção, porque vai para o Senado –, a Câmara dos Deputados finalmente aprovou, na semana passada, a Universidade Afro-Brasileira. É uma universidade que nós estamos pensando em 10 mil alunos, metade africanos, metade brasileiros. Ela vai ser no estado do Ceará, portanto, estarão todos os estudantes olhando para o continente africano, para que ninguém esqueça de onde veio, porque se a gente não tomar cuidado, esses meninos vêm, se formam, arrumam uma namorada e já ficam por aqui mesmo; e nós queremos que eles fiquem de olho para o continente africano, olhando ali... Quem é de Cabo Verde, vai estar ali, olhando Cabo Verde. Se ele não quiser ir, a gente empurra ele e ele vai nadando, e volta para o seu local. O que nós queremos é dar uma contribuição... Se for aprovada no Senado, Eduardo, nós ainda lançaremos a pedra fundamental e começaremos a construí-la ainda este ano. Será na cidade de Redenção, no Ceará, que é a cidade onde começou a luta pelo fim da escravidão no nosso país.
Por último, companheiros e companheiras, nós também queremos oferecer treinamento técnico em extensão rural, num trabalho com o nosso Ministério, com a Embrapa, com o Sebrae. O que nós precisamos habituar é fazer com que as nossas pessoas viajem mais e se encontrem mais. Por isso é que nós vamos inaugurar, à tarde, um centro da Embrapa, que é uma coisa chique, que tem... é um centro de tecnologia, de formação, de treinamento, em que a gente quer receber muitos engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas da África, para poderem fazer treinamento na Embrapa, aprender a tecnologia que nós temos aqui, de ponta, levar para a África e produzir o mesmo que nós produzimos aqui.
Eu quero ressaltar o papel das Nações Unidas e, particularmente, do Fida, do PMA e da FAO, porque o papel de vocês é decisivo para construir este mundo sem fome que todos nós queremos construir. Acho que nós precisamos implementar a reforma do Comitê de Segurança Alimentar, e é preciso torná-lo um fórum representativo de todos os acordos relevantes para a construção de uma parceria global para a agricultura e a segurança alimentar. Acho que o Programa Mundial de Alimentos deve ampliar suas atividades, por meio de compras locais de alimentos que assegurem o fornecimento às populações vulneráveis e estimulem o pequeno produtor. O Fida pode ajudar muito no apoio aos programas nacionais de regularização fundiária e de ampliação de crédito e seguro agrícola.
"Temos que fazer um esforço e não ficar competindo com países mais pobres do que nós".
Aqui, eu queria dizer uma coisa, tanto ao Diouf, quanto ao Programa (incompreensível): o Brasil, o Brasil, graças a Deus, o Brasil não precisa de ajuda financeira para fazer as suas coisas. O Brasil tem tamanho, tem tecnologia, dinheiro e tem vergonha. Portanto, nós temos que fazer um esforço e não ficar competindo com países mais pobres do que nós. Nós temos que colocar dinheiro no orçamento e aprovar as coisas que nós precisamos, porque o Brasil, Diouf, o Brasil ainda não aprendeu que entrou no rol dos países doadores. O Brasil não é mais um país receptor. E isso está acontecendo, e é importante, Celso, as ONGs...
As ONGs importantes que atuavam no Brasil, elas estão comunicando à gente que estão indo embora, muitas delas, para cuidar de outros países mais pobres. Qual é o sentido de o Brasil ficar competindo com a Tanzânia, com Botsuana? Não, o Brasil tem que entrar no rol dos países doadores e contribuir. Ora, se nós tivemos coragem de aprovar US$ 14 bilhões para emprestar para o FMI, por que é que a gente não pode ter, através do nosso BNDES, uma política de financiamento para os países africanos? É só decisão política, que já está tomada. Por isso, isso vai ser discutido à tarde com os companheiros aí.
Por último, eu queria dizer para vocês que no G-20 nós vamos continuar brigando para que a gente possa fortalecer as instituições multilaterais, para que a gente faça o Banco Mundial cumprir com as suas funções de ajudar os países em desenvolvimento, para que o FMI empreste dinheiro sem precisar das exigências que fazia antigamente, e vamos continuar brigando para que a gente possa concluir a Rodada de Doha da forma mais justa possível.
Uma coisa que eu queria pedir para vocês... Nós vamos estar juntos ainda, na Embrapa, hoje à noite; depois nós vamos estar juntos na visita de uma feira de agricultura familiar, é isso? Hoje ainda, ou amanhã? Amanhã. Eu quero estar junto com vocês nessa visita à feira. Eu quero que a gente, ao terminar isto aqui, eu não sei qual é a ideia central, Celso, mas que a gente crie uma espécie de grupo dirigente disso aqui, para que a gente possa acompanhar e dar sequência a cada coisa que a gente vai fazer. Cada projeto tem que ter um acompanhante, para que a coisa possa vencer as barreiras com mais facilidade do que nós temos hoje.
Eu acho que o Brasil tem um problema para resolver, o Celso tem me cobrado, que é a questão de vôos para o continente africano. As empresas brasileiras adoram ir para Paris, adoram ir para Londres, adoram... mas não querem parar no território africano. Agora, com esse vulcão soltando fumaça preta para tudo quanto é lado, eles estão parando em qualquer lugar, com medo. Mas nós estamos trabalhando, o ministro Jobim já tem pronta uma proposta que ele quer me apresentar, para ver se a gente começa a fazer com que nossas empresas possam parar em alguns países africanos, porque se não tiver possibilidade de trabalhar, se a gente não tiver voo para garantir o direito de ir e vir dos ministros, dos empresários, dos cientistas, a gente não vai conseguir o desenvolvimento que nós queremos.
Então, eu queria dizer para vocês, do fundo do coração: muito obrigado por vocês terem aceito o nosso convite, muito obrigado. E eu espero que desta reunião aqui a gente tire uma nova e mais aperfeiçoada política com os nossos irmãos africanos. E, certamente, certamente, eu me encontrarei com vocês, porque eu ainda tenho que visitar cinco países africanos. Mas, no dia 11 estarei na África do Sul, para a final da Copa do Mundo. Não é que eu seja tão otimista que o Brasil vá para a final, não é que eu seja tão otimista que vai para a final. É que eu tenho que estar lá porque, como o Brasil vai sediar a Copa do Mundo de 2014, eu tenho que estar na festa de encerramento, para trazer o espírito da Copa do Mundo para o Brasil. E, certamente, eu posso trazer junto a Taça do Mundo, pela sexta vez.
Um abraço e muito obrigado, companheiros.
fonte http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16590&boletim_id=695&componente_id=11649
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