A reparação de Buchman ligada ao Movimento que impacta milhões
No dia 27 de Junho de 1908, há 100 anos, um jovem americano Frank Buchman experimentou um despertar espiritual que levou a um movimento hoje conhecido como Iniciativas de Mudança. Houve outras conseqüências extraordinárias – incluindo a contribuição direta na fundação do grupo Alcoólicos Anônimos. De Los Angeles, Jay Stinnett pesquisa esta relação.
O Legado Permanente: os grupos anônimos
O pedido de perdão que influenciou milhões
Jay Stinnett, Los Angeles
27 de Junho de 2008, marco do 100º aniversário do despertar espiritual de Frank Buchman – que o ligou diretamente aos co-fundadores do AA.
Ainda jovem, Buchman deu tudo que tinha para abrigar garotos de rua nas favelas da Filadélfia. O sucesso dos abrigos excedeu seu orçamento e os seis diretores insistiram que cortassem a quantidade de comida dada sob sua responsabilidade. Ao invés de criticar, ele desistiu. O ressentimento o consumiu. Sua família temeu que ele não voltasse ao seu juízo. Seu trabalho foi destruído pelo que ele via como a falta de preparação de outros. Sua saúde estava bem depois do ponto de desunião. ‘A todo lugar que fui, me levei comigo’, disse depois.
Durante uma viagem na Europa para recuperar-se, ele acabou com os recursos que seu pai lhe deu e viveu da compaixão de sua família e da generosidade de amigos. Cansado e deprimido, ele foi a uma Conferência Evangélica em Keswick, na Inglaterra, na esperança de encontrar F.B. Meyer, um famoso ministro, para ajuda espiritual. Meyer não estava lá; outro plano se ia embora. Em 27 de Junho de 1908, Frank Buchman com 30 anos, um ministro luterano da Pensilvânia, andou numa tarde com outras 17 pessoas para ouvir Jessie Penn Lewis pregar na cruz de Cristo. E então aconteceu. Quando Buchman sentou na capela, ‘Houve um momento de clímax espiritual pelo qual Deus intercedeu por mim. De mim foi feito um novo homem. Minha amargura se foi... Eu sabia que tinha que escrever seis cartas para aqueles homens a quem odiei’.
‘Estou escrevendo’, declarou Buchman, ‘para lhe contar que alimentei um sentimento desagradável por você – algumas vezes controlei isso mas sempre voltava. Nossas visões podem ser diferentes mas como irmãos devemos amar. Escrevo para pedir perdão e assegurar que o amo e juro pela graça de Deus que nunca mais deverei falar de você de forma desagradável ou com julgamento’. Essas cartas de reparação produziram uma revolução em Frank Buchman, uma revolução que levou ao nascimento dos Alcoólicos Anônimos.
Naquela noite, Frank foi apresentado a um jovem de Cambridge, que uma vez tendo ouvido a história de Buchman de regeneração moral, tomou a decisão de mudar sua própria vida. Como Buchman descreveu, ‘Este foi o primeiro companheiro que conheci que tive uma experiência central face-a-face’. Pelo meio século seguinte, Buchman dedicou sua vida a demonstrar que uma experiência de Deus estava disponível para qualquer um a qualquer momento, independente de raça, religião, classe ou nacionalidade.
Da Inglaterra, Frank retornou aos EUA onde ele foi trabalhar como diretor da Associação Cristã de Moços (YMCA) na Universidade de Penn State. Lá ele teve um profundo efeito na vida do campus, em parte pela conversão do comerciante de álcool no local, que durante uma viagem a Toronto com Frank e um grupo de alunos de Penn State, tomou a decisão de mudar sua vida. Frank Buchman descreveu os quatro anos que passou em Penn State como laboratório no qual desenvolveu um programa prático de ação e aprendeu como ter diálogos honestos que levassem pessoas a fazer as decisões para mudar suas vidas.
A fórmula desenvolvida era:
1. Compartilhar nossos pecados e tentações com outro cristão que tenha entregado sua vida a Deus, e usar esse desabafo como aprendizado para ajudar a outros, não transformados, para reconhecerem seus pecados.
2. Assumir nossa vida, passado, presente e futuro, sob a direção e guarda de Deus.
3. Reparação de todos com quem tenhamos errado direta ou indiretamente.
4. Escutar, aceitar, entregar-se à direção divina e levar isso a tudo o que façamos ou digamos, grande ou pequeno.
Soa familiar? A aplicação deste curso de ação revolucionou a vida espiritual do campus, seu sucesso trouxe evangelistas cristãos de todo o mundo a descobrir o que estava acontecendo em um remoto campus que havia sido paralisado. Depois de Penn State, Frank foi para a China em 1917 onde uma conversa honesta com o jovem Sam Shoemaker ajudou o próprio a contar a Frank, ‘Tenho sido uma fraude religiosa, fingindo servir a Deus mas de fato mantendo as cartas nas minhas mãos. Agora disse a Ele o quanto eu sinto muito, e confio que você vai me perdoar por manter um desejo ruim contra você. Isso reverberou no momento que você usou a palavra Pecado!’. Buchman disse que o perdoou livremente.
‘Agora qual o próximo passo?’, disse Shoemaker. O próximo passo seria corrigir as aulas de estudo da Bíblia de Sam. A confusão era que Shoemaker contou aos seus alunos cristãos que não gostava da China. Assumir isso produziu uma experiência espiritual profunda em Shoemaker a qual o levou a trabalhar ao lado de Buchman pelos 21 anos seguintes e trouxe a revolução da ‘Cristandade do Primeiro Século’ (depois conhecido como Grupo Oxford) a pessoas de todas as partes. A mensagem de revolução pessoal foi transmitida por um ‘cristão informado’ compartilhando com outro e convidando pessoas a ‘reuniões em casa’. Se você algum dia participou de uma reunião do AA, já experimentou uma reunião doméstica do Grupo Oxford. Oradores foram reunidos de uma variedade de lugares para compartilhar suas experiências, fortalecer e dar esperança tanto em grandes encontros com palestras quanto pequenas reuniões interessantes. Os homens contariam suas histórias em encontros para homens; mulheres nos de mulheres; houve ainda fóruns para dependentes de drogas, obesos e alcoólatras.
Nesses encontros, tanto os oradores quanto os membros experientes estariam disponíveis para ‘entrevistas individuais’ onde se poderia compartilhar e reconhecer. Então as pessoas poderiam ser encorajadas a fazer reparações e ter um ‘momento de silêncio’ diário para receber inspiração em como conduzir suas vidas. Quando foi questionado por uma definição de pecado, Buchman disse: ‘O que pode ser um pecado para um pode não ser para o outro. A verdadeira definição de pecado é o que separa você de Deus ou de seus companheiros’. Em 1922, Jim Newton, um jovem vendedor do tipo ‘vida curta’, seguiu um grupo de mulheres jovens e atraentes num salão de um hotel pensando que iriam dançar. Para sua decepção, ele achou a si mesmo numa casa do Grupo Oxford na Taverna Toy Town em Winchengton, Massachusetts, onde ouviu uma mensagem que mudou sua vida. Buchman dirigiu Newton a Shoemaker, que o ajudou a revisar sua vida, reconhecer, reparar, e começar a viver ‘uma vida guiada’.
Se quiser saber a técnica de condução do Grupo Oxford, leia as páginas 85-87 no livro dos Alcoólicos Anônimos. Poucos anos depois, Jim Newton tentava ajudar Bud Firestone, o filho alcoólatra de seu patrão, Harvey Firestone, a mudar. Incapaz de ajudar seu amigo, Jim apresentou Bud a seu mentor, Samuel Shoemaker. Sam, que tinha um talento marcante de ajudar as pessoas em suas decisões, seguiu um processo com Bud que imediatamente deixou sua obsessão em beber, fez as pazes com seu pai e sua esposa, e retornou às boas graças de sua família. Harvey Firestone estava tão impressionado com a mudança de seu filho que convenceu seus amigos industriais em Akron, Ohio, a apoiar uma reunião do Grupo Oxford em Janeiro de 1933 no Hotel Mayflower. Buchman e seu grupo foram recebidos pelo Rev. Walter Tunks, um amigo próximo da família F.; também presentes estavam Henrietta Seiberling e T. Henry e Clarace Williams, que se tornariam fundadores do Grupo Oxford em West Hills, em Akron.
Também em 1933, o ministério de Shoemaker na Igreja de Calvary no Parque Gramercy, em New York, foi núcleo de atividades do Grupo Oxford. Existiam reuniões três vezes por semana na igreja de Calvary onde pessoas compartilhavam as mudanças na vida que descobriram aplicando os princípios do Grupo Oxford. Ele também fundou a Missão de Calvary, um abrigo para alcoólatras indigentes. Muitas famílias importantes tinham laços com essa igreja de Calvary, entre eles a família Hazard cujo filho mais velho era descrito por Bill W. como ‘um homem de negócios que tinha habilidade, bom senso e alto caráter... que perambulou de um hospital a outro’. Rowland retornou da Europa depois de outra tentativa de colocar sua vida em ordem depois de consultar o Dr. Carl Jung. Rowland estava bebendo e indo aos encontros do Grupo Oxford na Igreja de Calvary.
Dentre as pessoas que ele encontrou em Calvary estava Vic. Kitchen, autor de ‘Eu era o Pagão’ (publicado em 1934), que descreveu sua superação do alcoolismo, dependência de drogas, e ‘tudo o que me dava prazer, poder ou aplausos’ no Grupo Oxford. Durante uma viagem de negócios a Detroit, Rowland leu o livro, identificou sua profundidade, e como Shoemaker disse, ‘teve uma mudança ali mesmo, no trem’. Rowland parou de beber, se reconciliou com sua família, desfez algumas transações duvidosas nos negócios, tornou-se ativo na equipe de empresários do Grupo Oxford, falou em encontros e encorajou outros a encontrar o que ele encontrou.
Um dos muitos que Rowland tocou foi um velho amigo de infância, Edwin ‘Ebby’ T., que estava prestes a ser internado como alcoólatra crônico. Rowland, cujo problema com álcool era bem conhecido, convenceu o juizado a deixar Ebby sob sua responsabilidade. Duas semanas depois, Ebby estava falando em reuniões do Grupo Oxford em Vermont, e depois de algumas semanas com Rowland (permaneceu por 6 meses no grupo), o agora sóbrio Ebby foi para a Missão de Calvary em New York e tornou-se ativo lá. ‘Limpo’ há 6 semanas, Ebby foi inspirado a encontrar outro amigo de escola, Bill W., conhecido por estar em péssima forma. Bill não poderia acreditar na mudança em que Ebby, que sabia que era um bêbado sem salvação assim como ele, ainda estava sóbrio. Poucos dias depois, Bill foi ver Ebby na Missão de Calvary , dando um testemunho profundo, apesar de ainda bêbado, no palco e logo depois seguiu para o Hospital Townes. Ebby o visitou e o aproximou de novo aos passos do Grupo Oxford que teve como resultado o fato de Bill ter sua experiência de luz branca, perdendo sua compulsão por beber e ser apanhado pelo desejo de passar sua experiência a outros.
Quando Bill estava limpo, ele e Lois começaram imediatamente a comparecer aos encontros do Grupo Oxford na Igreja de Calvary e teve contato freqüente com Sam Shoemaker. Lois disse que eles iam a, pelo menos, três reuniões por semana e participavam de encontros domésticos durante os três primeiros anos de sobriedade de Bill. Seis meses depois do alcoolismo superado, Bill foi a Akron, Ohio, numa viagem de negócios que falhou. Quando esteve à beira de entrar num bar no mesmo Hotel Mayflower onde havia estado o Grupo Oxford, começou a buscar um alcoólatra para ajudar. Aquele momento de desespero o levou até o Rev. Walter Tunks e finalmente a Henrietta Seiberling, que conhecia o homem certo. Um proctologista local, que Bill pensou que era um alcoólatra reservado, participou da reunião do Grupo Oxford em West Hill por dois anos com sua esposa, cujo problema estava tornando-se progressivamente pior.
O médico depois descreveu suas impressões do Grupo de West Hills, ‘Eu estava nervoso com aquela multidão de pessoas... Senti que eles tinham algo que eu não tinha, do qual eu poderia prontamente me beneficiar. Aprendi que era algo de natureza espiritual, que não mexia muito comigo, mas pensei que mal não poderia me fazer’. Bill W. encontrou com Bob S. (carinhosamente chamado de Dr. Bob) no Dia das Mães em 1935. Bob parou de beber de repente. Apesar de ele ter aceitado a descrição de Bill sobre o alcoolismo como doença fatal e que os passos do Grupo Oxford seriam a solução, Bob acreditou que reparar o mal feito aos que ele antes atingiu poderia destruir sua prática e colocar sua família em risco.
Pouco tempo depois, Bob voltou a beber e estava totalmente desmoralizado. A caminho de uma cirurgia, Bill colocou na mão de seu amigo uma garrafa de cerveja. Antes de entrar no hospital, Bob contou a Bill, ‘Eu vou atravessar isso’. Naquela tarde, Bob não retornou para casa. Sua esposa, Anne, e Bill estavam com medo que Bob tenha ido para outra overdose. Quando Dr. Bob retornou tarde àquela noite, ele contou aos seus queridos que estava se retratando com pessoas com as quais ele tinha medo de admitir seu alcoolismo. Bob. S. nunca bebeu de novo. Seu aniversário no AA não foi o dia em que Bill W. parou de beber, nem o dia que ele encontrou Dr. Bob, mas o dia que Bob parou de beber e fez suas reparações com as pessoas.
Há 100 anos atrás em Keswick, 73 anos atrás em Akron, até esse grande momento; mulheres e homens estão provando a validade do despertar espiritual de cada um através da assunção dos erros do passado, reparando-os e corrigindo-os. As metamorfoses de Frank Buchman eram remarcáveis. Ele desenvolveu um programa de mudança pessoal que afeta lares e nações. É um programa prático de ação usando os quatro padrões de absoluta honestidade, pureza, altruísmo e amor.
Pelos últimos 100 anos, a visão de Buchman tem sido transmitida sob diferentes nomes: Movimento Cristão do Primeiro Século, o Grupo Oxford, Rearmamento Moral e, desde 2001, Iniciativas de Mudança, que continua a curar as feridas da história pela construção da confiança em meio às divisões do mundo.
Sem Frank Buchman, aqueles hoje em tantos programas anônimos não teriam os 12 passos e não teriam liberdade por conta da repressão. Seu despertar espiritual e a ação que se seguiu provocaram um milhão de retratações e produziram muitos milhões de vidas transformadas.
fonte http://www.uk.iofc.org/node/38578
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