sábado, 21 de fevereiro de 2009

Por que Yeda acabou com a Escola Itinerante?

Por que Yeda acabou com a Escola Itinerante?
20/02/2009

Se me perguntarem quantos prêmios a governadora do Estado recebeu pelo seu trabalho em favor da Educação, sinceramente, não saberia responder. Parece-me que ela, a Yeda Crusius, nunca fez nada de bom para a Educação ao ponto de ser premiada. Mas, quanto ao MST, a resposta é diferente.

O Movimento dos Sem Terra, o MST, já recebeu vários prêmios por seu bom trabalho realizado na área de Educação. Vamos lembrar de, pelo menos, dois. Em novembro de 1999 o MST recebeu o Prêmio Itaú-Unicef Por uma Educação Básica no Campo e em 1995 recebeu o prêmio Por uma Escola de Qualidade no Campo. O MST, um movimento social que muito fez pela educação, acabou entrando em disputa pela questão da educação com uma governadora que nada de bom realizou nesta área. E, com o apoio de uma parcela do Ministério Público, a governadora Yeda venceu a batalha. Os perdedores, nesta batalha, são crianças, cujos pais não tiveram acesso a terra. E agora o poder público nega para seus filhos o direito à educação.

Em se tratando de educação, é inacreditável que uma governadora como esta tenha vencido o MST. Não podemos comparar a importância do MST para a educação com a tranqueira que esta governadora representou para a educação no Rio Grande do Sul. Se andássemos pelos assentamentos perguntando quem aprendeu a ler e a escrever na Escola Itinerante do MST, com certeza encontraríamos milhares de jovens e adultos confirmando com orgulho que foram alfabetizadas numa escola coberta de lona.

A governadora e o Ministério Público deveriam agradecer ao Movimento Sem Terra por tantos milhares de pessoas alfabetizadas na Escola Itinerante. Pessoas que não apenas aprenderam a ler e a escrever, mas descobriram que poderiam reescrever suas histórias e redesenhar a sociedade. São pessoas que aprenderam a ler muito mais que o alfabeto, e sabem compreender a realidade e o que dela deve ser transformado. Os estudantes da Escola Itinerante tiveram aulas de cidadania e não receberam apenas um certificado escolar, mas reconquistaram o título de cidadão consciente, livre e transformador.

É lamentável que o poder público, por pura truculência e perseguição ideológica, tenha acabado com a Escola Itinerante. E o que é pior, isto aconteceu como parte das ações da melancólica ideia de banir o Movimento dos Sem Terra, defendida por um grupo radicalmente ideológico de promotores e procuradores de Justiça do Estado e o governo da Yeda Crusius, do PSDB. Impressionante como que um governo tão manchado pela falta de ética e moralmente destruído, se atreve a tomar uma atitude profundamente impopular como esta de acabar com a Escola Itinerante. Então, fica o questionamento. Por que um governo que não se aguenta a si próprio no lamaçal da corrupção, ainda segue com ações antidemocráticas e com um caráter declaradamente ideológico? Entendemos que este governo não veio para edificar, mas para destruir o que já foi feito como conquista popular.

Ao acabar com a Escola Itinerante, Yeda mostra para que veio. Ela proibiu a educação nos acampamentos do MST porque a "missão" do seu governo é ser uma tranqueira para os movimentos sociais e populares e para o progresso humano e social. Querem enfraquecer a organização do povo, criminalizar as instituições que garantem a vigência da Democracia em nosso Estado. Fechar a Escola Itinerante, vergonhosamente, faz parte da estratégia antidemocrática de criminalizar e até banir o MST no Rio Grande do Sul. Uma atitude dessas, após mais de duas décadas do fim da ditadura militar, nos indica que o governo Yeda e esta parcela do Ministério Público que está com ela, ainda estão com a cabeça, a alma e o coração empedrados com as ideologias da tirania militar que governou o Brasil a partir de 1964 até a poucos anos.

Frei Pilato Pereira é frade capuchinho.

Artigo publicado no Correio do Brasil
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6316

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Escolas itinerantes do MST. Um crime é fechá-las.

"Fechar escolas itinerantes é um crime"
19/02/2009

Escolas itinerantes do MST. Um crime é fechá-las.

Entrevista especial com Altair Morback e Isabela Braga

Do Instituto Humanitas Unisinos

Há algum tempo, o procurador de Justiça do Ministério Pública Estadual Gilberto Thums tem trabalhado para criminalizar e tornar ilegal o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Apresentou, inclusive, um dossiê para conseguir atingir tal objetivo. Mas não foi muito feliz nessa “luta”. Agora, o mesmo procurador conseguir que o Ministério Público do Rio Grande do Sul determinasse o fechamento das escolas itinerantes que o MST criou há 13 anos e, desde então, propicia às crianças acampadas uma nova forma de aprender e ver o mundo. Thums diz que o MST quer, com isso, implantar uma sociedade socialista. A grande questão é: qual o mal em implantar uma sociedade que vise à coletividade?

Para debater essa questão, a IHU On-Line convidou duas pessoas que vivem a realidade das escolas itinerantes para concederem esta entrevista. Altair Morback é professor da escola itinerante Che Guevara, localizada no acampamento Jair Antonio da Costa em Nova Santa Rita/RS, e conversou conosco por telefone. Também por telefone, debatemos esse tema com Isabela Braga, que faz parte da Coordenação Estadual do Coletivo de Educação do MST.

Confira as entrevistas.

IHU On-Line – Como o senhor analisa o conteúdo que é ensinado nas escolas do MST?

Altair Morback – O conteúdo em si das escolas itinerantes ainda está um pouco distante da realidade que está de acordo com o nosso propósito. Nossa ideia é ir de acordo com a linha do nosso grande mestre Paulo Freire [1] e, assim, tratar mais da questão humana, respeitando o conhecimento e a faixa etária do indivíduo que passa pela escola. Não é o que temos, porque os nossos educadores e educadoras passaram e passam ainda hoje por esse processo de formação da escola tradicional. Desta forma, as escolas itinerantes não são exatamente do jeito que gostaríamos que fossem. Elas são bastante tradicionais no sentido que ensinam os mesmos conteúdos aprendidos numa escola da rede municipal, estadual ou particular convencional.

IHU On-Line – Quais as principais diferenças desse conteúdo em relação às escolas convencionais?

Altair Morback – Não há muita diferença. Há uma igualdade bastante grande porque nossos educadores e educadoras são formados pelas universidades normais. Então, se ensina o ABC conforme as outras escolas ensinam. Nós redimensionamos essa metodologia pedagógica de fazer e ensinar, devido aos poucos recursos que temos. Às vezes, ao invés de ensinar o ABC numa lousa, ensinamos na areia, na terra, na horta, plantando pé de alface, por exemplo. Também redimensionamos os conteúdos para a realidade do acampamento. Este é um espaço precário, e o Estado não contribui para melhorar. Mas nossa escola pode ser considerada rica, tem muitos livros que vêm do MEC e da Escola Base de ótima qualidade.

IHU On-Line – O procurador de Justiça Gilberto Thums afirma que o problema das escolas itinerantes é o fato de o MST contratar professores que estejam de acordo com a ideologia do movimento. As escolas convencionais hoje têm muitos déficits, passam por cima de temas históricos extremamente importante sem sequer exigir uma reflexão, um debate sobre estes assuntos com os alunos. Que problemas um professor ideologicamente alinhado com os movimentos sociais pode gerar?

Altair Morback – Nunca fomos contra. A Secretaria de Educação nunca nos chamou para dialogar sobre a educação dos educadores. Os professores das escolas itinerantes são garantidos pelo Instituto Preservar, que mantém convênio com a Secretaria de Educação. O Instituto Preservar contrata professores assentados e não assentados, acampados ou não acampados, mas que são formados para dar aula à rede regular de ensino. Não vejo problema algum em relação à questão dos professores ideologicamente alinhados com o movimento. Eu acredito que todas as escolas deveriam ter uma preocupação com a formação humana, ao invés de ficar preparando pessoas para o mercado de trabalho, que é o que a maioria delas faz. Claro que nós também fazemos isso, de certa forma. É como eu disse antes. Nossos educadores vêm dessa formação. Portanto, a escola itinerante não ensina de forma isolada. Temos todas as contradições que uma escola regular também tem. Obviamente, temos especificidades como a escola itinerante. A meu ver, existe uma riqueza muito grande. Os professores, por exemplo, podem conhecer melhor os acampamentos e, por consequência, a história de vida de cada indivíduo, de cada criança, de cada pessoa que passa pela escola. Na escola tradicional é difícil de isso acontecer. O fato de vivermos próximo das pessoas que vivem a escola propicia essa educação com mais qualidade, sendo possível trabalhar todas as dimensões da formação humana e não apenas os conteúdos formais. Isso não significa que não ensinamos esses conteúdos, mas sim que nossa forma de ensinar é bem diferente, para além dos conteúdos.

IHU On-Line – E como você analisa essa determinação do Ministério Público em relação ao fechamento das escolas itinerantes?

Altair Morback – Acredito que essa determinação por parte do Ministério Público é uma questão política, de perseguição política por parte do Estado que pensa que fechando as escolas itinerantes irá desarticular e desestabilizar a classe trabalhadora que se movimenta e luta pela terra no Rio Grande do Sul. Quando fazíamos marcha e ocupação, nossas crianças sempre estavam junto e dávamos aula no mesmo jeito, porque essa forma de ver a escola tradicional não é o que fazemos e o espaço que se imagina quando se fala em escola não faz parte do nosso jeito de ensinar às crianças. Já demos aula no asfalto, no Incra, na Secretaria de Educação, na beira do rio, dentro de latifúndio, de estábulos.

IHU On-Line – As escolas itinerantes querem implantar uma sociedade socialista? Qual é o mal nisso?

Altair Morback – Nós buscamos essa questão da formação humana para que os alunos, acima de tudo, se deem conta de que devem ser os construtores da sua própria história. Se isso é pensar numa nova sociedade, talvez a escola itinerante queira sim implantar uma sociedade socialista. Mas não é o que temos nas escolas em função da questão dessa formação que nós recebemos.

IHU On-Line – Que problemas vocês temem ocorrer com a inserção das crianças acampadas nas escolas convencionais?

Altair Morback – Não sei se é temer, mas estamos fazendo o debate com as famílias de todos os acampamentos e são elas que vão dizer se a escola itinerante irá continuar ou não. Para nós, até o dia 28 existe o convênio com o Instituto Preservar e, portanto, nossas atividades continuam com as crianças. São infundadas as justificativas que o Ministério Público encontrou para dizer que temos que colocar nossas crianças em escolas regulares dos municípios. Primeiro: nem sempre existe transporte para isso. Segundo: no ano passado, durante a marcha que fizemos, tínhamos mais de 400 crianças marchando. Como é que vamos colocar todas essas crianças numa escola regular quando se chega num município como São Sepé, onde, numa escola do interior, a professora é também merendeira, diretora e secretaria da escola? Como uma escola desse porte irá receber 400 crianças? Essa justificativa do Ministério Público é infundada e evidencia que essa determinação faz parte da política do Estado, de perseguição política. Eles querem nos desarticular por aí, pois creem que automaticamente estão desarticulando a luta pela terra. Mas não vamos deixar isso acontecer.

IHU On-Line – Existe algum movimento por parte dos professores para que a escola itinerante não seja fechada?

Altair Morback – Nós estamos organizando um abaixo-assinado e também nos articulando com amigos e apoiadores de cada acampamento e vamos fazer o que for preciso para que a escola itinerante continue. Não fazemos isso por salário ou por emprego, mas porque acreditamos que esse é um direito que essas crianças têm. É por isso que nós, educadores, estamos mobilizados para que a escola itinerante continue.

Entrevista com Isabela Braga

IHU On-Line – O que implica, para os movimentos sociais, especialmente para o MST, essa Determinação do Ministério Público que visa fechar as escolas itinerantes?

Isabela Braga – Para nós, essa determinação é um tanto complicada pelo fato de termos uma escola legal, que funciona há 13 anos, aprovada e regimentada pelo Conselho Estadual de Educação. Isso, para nós, se torna uma dificuldade enorme porque temos lá uma história construída com as crianças. Trabalhamos a partir da pedagogia de Paulo Freire, ou seja, partimos da realidade do nosso trabalho pedagógico e não de uma realidade que está estancada. Uma realidade que tem outros horizontes e quer aprender a ver o mundo. E, então, com essa determinação, teremos de tirar nossas crianças de dentro desse processo construído para colocar em escolas convencionais que têm uma outra realidade de trabalho.

IHU On-Line – E de que forma essa determinação influencia na formação dos novos militantes?

Isabela Braga – As nossas escolas não estão diretamente ligadas à formação de militantes, mas sim à formação das crianças para a vida como um todo. Na verdade, ela não sofreria tanta influência nesse sentido. Agora, nossa escola tem o intuito de trabalhar a partir de um olhar real e não de alienação. Isso sim implica na vida das crianças, porque queremos formar pessoas com um olhar crítico.

IHU On-Line – Por que, em sua opinião, o procurador de Justiça Gilberto Thums reserva tanto tempo de trabalho para combater as ações do MST?

Isabela Braga –O promotor tem a intenção de extinguir o movimento, ou seja, é um objetivo para além de acabar com as escolas. O Governo do Estado e a Secretaria Estadual de Educação estão agindo dessa forma como mais um passo do dossiê feito no ano passado, para, então, desarticular o MST. Ele só está continuando algo que já começou antes e deixou claro, com isso, sua real intenção em relação ao MST.

IHU On-Line – O que o MST pretende fazer contra essa medida?

Isabela Braga – Nós estamos construindo um diálogo com as famílias para retomarmos a importância da escola dentro do acampamento, que parte da realidade das crianças acampadas e que são filhas de sem-terras. Iremos lutar para que esse processo continue, pois ele não começou num estalar de dedos. Nesse momento, pretendemos construir esse diálogo com a comunidade acampada e retomar a importância dessa escola.

IHU On-Line – O ministro Guilherme Cassel, há alguns meses, afirmou que esse movimento que visa criminalizar a luta do MST restabelece um ambiente de ditadura. Vocês esperam alguma ação provinda do governo federal contra o fechamento das escolas itinerantes?

Isabela Braga – Nesse momento, esperamos tudo. O governo que está à frente do nosso estado pretende reprimir os movimento sociais. Sabemos que, dependendo da decisão que os pais e as mães tomarem para a vida dos seus filhos, poderá ocorrer repressões por parte do governo estadual. Acreditamos que o governo federal pode nos ajudar, portanto estamos dialogando com eles também e, assim, continuar com a legalidade da nossa escola. Há pessoas no governo federal que nos ajudarão a fazer com que o estado repense essa determinação do MP.

IHU On-Line – Falta, hoje, institucionalidade ao MST?

Isabela Braga – O MST nunca pensou numa institucionalidade, até porque somos um movimento social e não um partido. Temos objetivos, como a reforma agrária, e isso envolve uma educação diferenciada. Nosso ideal é de luta como um movimento social.

Nota:

[1] Paulo Freire foi um educador brasileiro. Como diretor do Serviço de Extensão Cultural da Universidade de Recife, obteve sucesso em programas de alfabetização, depois adotados pelo governo federal (1963). Esteve exilado entre 1964 e 1971 e fundou o Instituto de Ação Cultural em Genebra, Suíça. Foi também professor da Unicamp (1979) e secretário de Educação da prefeitura de São Paulo (1989-1993). No II Ciclo de Estudos sobre o Brasil, do dia 30-09-2004, o professor Dr. Danilo Streck, do PPG em Educação da Unisinos, apresentou o livro A pedagogia do oprimido, de Paulo Freire. Sobre a obra, publicamos um arti


fonte http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6311

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Governo Yeda-RS Fecha Escolas, lamentavel- QUE BRASIL Gov YEDA CRUSIUS quer ???

MP e Governo Yeda voltam a criminalizar MST
18/02/2009

O Ministério Público Estadual e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul voltaram a criminalizar o Movimento Sem Terra e iniciaram o fechamento de todas as escolas itinerantes em acampamentos gaúchos. No dia 10 de fevereiro, a escola do acampamento de Sarandi, que atendia 130 crianças, foi fechada por determinação do MPE e do Governo do Estado. Segundo o Ministério Público, a decisão foi tomada com base em um Termo de Ajuste de Conduta – TAC, assinado pela instituição e pelo Governo do Estado.

O Termo de Ajuste de Conduta foi assinado sem conhecimento ou a participação dos outros entes interessados: pais, educandos e a escola-base, onde as crianças estão matriculadas. O TAC também ignora e desrespeita as Diretrizes Operacionais para Escolas do Campo, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação em 2002, baseada na Lei de Diretrizes Básicas da Educação/LDB de 1996.

O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado do Brasil a reconhecer e regulamentar as Escolas Itinerantes, através de parecer do Conselho Estadual de Educação em 19 de novembro de 1996. A experiência gaúcha permitiu a instalação de escolas em acampamentos em diversos estados, como Sergipe, Paraná, Bahia, entre outros.

A decisão do MPE e da Governadora Yeda Crusius retoma a decisão do Ministério Público, publicada em ata em dezembro de 2007, em “extinguir” o MST. O fechamento das escolas era uma das medidas previstas pela ata do MPE. No ano passado, com a denúncia pública da ata, o MPE alterou duas vezes o conteúdo da decisão e declararam rever a decisão. O MST teme que o Governo do Estado e o MPE reiniciem as ações ilegais de criminalização elaboradas pelas duas instituições, tais como impedir que os trabalhadores rurais possuam título de eleitor, que sejam impedidos de realizarem reuniões ou manifestações.

Confira abaixo texto de Leandro Scalabrin, membro da comissão de direitos humanos OAB de Passo Fundo, que contextualiza a decisão do Conselho Superior do Ministério Público.


FUNDAMENTALISMO DE DIREITA FECHA ESCOLAS ITINERANTES DO MST E DEIXA 310 CRIANCAS SEM EDUCAÇÃO

O Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, através de uma decisão de seu Conselho Superior (CSMP), decidiu colher dados e produzir um relatório (elaborado pelos Promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardelotto) sobre a atuação do MST no Rio Grande do Sul (processo n° 16.315-0900/07-9). O Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul em Ata no 1.116, de 03/12/2007, decidiu "que o referido expediente tem caráter confidencial...", e aprovou o voto e os encaminhamentos propostos pelo procurador e Conselheiro Gilberto Thums, com as seguintes recomendações:

1. [...]designar uma equipe de Promotores de Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e a declaração de sua ilegalidade. ...

2. [...] o voto é pela intervenção do Ministério Público nas três 'escolas' referidas a fim de tomar todas as medidas que serão necessárias para a readequação à legalidade, tanto no aspecto pedagógico quanto na estrutura de influência externa do MST [...]. Sugere-se sejam tomadas medidas para, se necessário, ocorrer o ajuizamento de ações civil públicas com vista à proteção da infância e juventude em relação às bases pedagógicas veiculadas nas escolas mantidas ou geridas pelo MST, nitidamente contrárias aos princípios contidos na Constituição Federal e que embasam o Estado Democrático de Direito. Da mesma forma, sugere-se a tomada de medidas judiciais, se necessário, para impedir a presença de crianças e adolescentes em acampamentos, assim como em marchas, colunas ou outros deslocamentos em massa de sem-terras, tendo em vista serem ambientes notoriamente inadequados para pessoas em processo de desenvolvimento. [...] [Grifos nossos]

3. [...] voto pela necessidade de desativação dos acampamentos situados nas proximidades da Fazenda Coqueiros...

4. [...]sugere-se sejam investigados os assentamentos promovidos pelo INCRA ou pelo Estado do Rio Grande do Sul, de forma a verificar se a propriedade rural, nessas áreas, cumpre sua função social.

5. [...] "realização de investigação eleitoral nas localidades em que se situam os acampamentos controlados pelo MST, examinando-se a existência de condutas tendentes ao desequilíbrio deliberado da situação eleitoral local.

6. [...] "formulação de uma política oficial do Ministério Público, com discriminação de tarefas concretas, com a finalidade de proteção da legalidade no campo. Este órgão do Ministério Público deve ser especialmente destacado para a atividade, seja na Assessoria do Procurador-Geral de Justiça, sejam com a implementação de Promotoria de Justiça Especializada em Conflitos Agrários. [...][Grifos no original]

Para dar cumprimento às decisões o CSMP designou os Promotores de Justiça Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biancon Junior, que, em 11 e 17 de junho de 2008, ingressaram com quatro ações civis públicas: uma delas na Comarca de Carazinho, contra integrantes do MST nos acampamentos Jandir e Serraria, ambos localizados próximos à Fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul, RS, e mais seis pessoas físicas e uma jurídica (para despejar os dois acampamentos); as outras três, nas comarcas de São Gabriel, Canoas e Pedro Osório contra o MST[1] e "demais sem terra e integrantes de movimentos sociais de contestação no campo" para que se abstenham de se aproximar, através de marchas, colunas ou outros deslocamentos em massa de sem-terra e demais integrantes de movimentos sociais, [...] a uma distância inferior a dois quilômetros dos limites territoriais [...] da Fazenda Southall (13.267 hectares), da Fazenda Granja Nenê (1.246 hectares) e da Fazenda Palma (3.029 hectares).

Após ter sido denunciado publicamente o teor desta deliberação, o CSMP esclareceu que em 07 de abril de 2008 reuniu-se em nova sessão, solicitou informações sobre o cumprimento das medidas aprovadas, quando seus membros manifestaram "total apoio aos Promotores de Justiça designados por tratar de tema de segurança pública" e ao final, decidiram por desclassificar o processo administrativo quanto a seu caráter sigiloso e retificar a ata de 3 de dezembro de 2007, para suprimir a determinação anterior de ajuizamento de ação civil pública para dissolução do MST e a declaração sua ilegalidade. Tamanha foi a repercussão e reação dos setores democráticos da sociedade brasileira, inclusive do próprio Ministério Público do RS, que em 30 de junho de 2008, em nova reunião do CSMP, houve nova retificação da ata, onde constou que tudo não passou de um equívoco, tudo que constou na ata não foi aprovado, fazendo constar que a deliberação do conselho teria sido somente a de designar "Promotores de Justiça para conhecer do expediente e levar a efeito as medidas legais cabíveis" e não os encaminhamentos propostos pelo Procurador Thums.

Contradizendo as duas atas retificadoras, os promotores designados pelo CSMP (Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biancon Junior – os mesmos que entraram com as ações contras os acampamentos) continuam atuando contra o MST[2], e nos autos do processo onde a dissolução do MST havia sido proposta (expediente n. 16.315-0900-07-9), firmaram TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o governo do Estado do RS (firmado pela da Secretaria Estadual de Educação Mariza Abreu), onde este assume a obrigação de "deixar de desenvolver os Cursos Experimentais (Experiencia Pedagógica) nos níveis de educação infantil – faixa etária de 4 a 6 anos, ensino fundamental e ensino fundamental na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, nas escolas dos acampados do Movimento dos Sem Terra, no Rio Grande do Sul, também denominadas de "Escolas Itinerantes", autorizados pelo Conselho Estadual de Educação do RS" (cláusula primeira), até "04 de março de 2009" (cláusula segunda), sob pena pagar multa de um salário mínimo por dia (cláusula sétima). O TAC foi firmado em 28 de novembro de 2008. No dia 10 de fevereiro de 2009, a escola itinerante do acampamento Oziel Alves, em Sarandi – RS (das famílias que foram despejadas de Coqueiros do Sul), foi a primeira escola a ser intimada da medida.

O TAC afirma que seu objetivo é garantir a todos os alunos acampados, bem como os que se agregarem ao movimento, vaga em rede de ensino público regular mais próximo ao acampamento e transporte escolar (cláusula terceira e quarta), mas na realidade, conforme afirmou o Promotor Thums, em seu voto, a ação é contra a complacência do poder público, notadamente dos "governos de esquerda" que se limitariam a "fornecer cestas básicas, lonas para as barracas, cachaça, treinamento em escolas para conhecer a cartilha de Lenin, etc".

No relatório elaborado pelos promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardeloto, onde a intervenção nas escolas foi sugerida inicialmente, a referência básicas é a revista VEJA que compara as escolas do movimento aos Madraçais do Islã e as acusa de ensinar as crianças a "defender o socialismo" e "desenvolver a consciência revolucionária". Os promotores afirmam que o objetivo da intervenção nas escolas é "colocar as crianças e adolescentes que residem nos acampamentos a salvo da ideologização agressiva" (fls. 79). O relatório também possui um capítulo "Contabilizando o prejuízo para a sociedade: quanto custo um sem-terra", onde afirmam que o poder publico gasta em média por mês, com alimentação e repressão policial, R$1.195,11 por família acampada.

Outra fonte de informações dos promotores que firmaram o TAC tentando fechar as escolas do MST é o relatório de inteligência n. 1293-251007-100 da PM2, o serviço secreto da Brigada Militar, sobre a "realidade das escolas itinerantes do MST no RS" que lhes foi entregue em 14-3-2008. Neste relatório são apresentadas informações sobre a "origem da implantação das Escolas", a "estrutura geral das Escolas Itinerantes", "dos responsáveis pelas Escolas Itinerantes ... pelo MST ... pela Secretaria Estadual de Educação"; o "setor de educação do MST no Brasil", e ainda informações sobre "2 O que foi feito para que as escolas fossem reconhecidas legalmente?", "3 Como são montadas as escolas? E como é sua estrutura física e funcional?", "4 O material pedagógico oferecido aos alunos é elaborado da seguinte forma: É seguida a linha pedagógica de Paulo Freire, pedagogia do MST e livros didáticos. O Estado fornece livros, para aulas de português, matemática e geografia. Os professores ministram também aulas sobre movimentos sociais"; "5 Quem são os educadores das escolas itinerantes", "6 A estrutura das Escolas no RS", "7 Dos outros tipos de escola do MST", "7.1 Veranópolis", "7.2 Palmeira das Missões". Nas considerações finais o relatório enfatiza que "os dados ora apreciados não são de livre acesso" provando que o atual governo, além de colocar o serviço secreto para investigar escolas, como fazia a ditadura, repassou informações que não são de acesso público aos arapongas.

O TAC contradiz a visão do Procurador Geral de Justiça do RS, Dr. Mauro Renner, que comanda o Ministério Público do RS e esteve no acampamento Jair Antonio da Costa em Nova Santa Rita (em 06 de agosto de 2008). "Renner ficou sensibilizado com a precariedade dos recursos materiais à disposição das escolas itinerantes que funcionam no local. Em contato com os alunos de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental da Escola Itinerante Che Guevara, Renner observou que as aulas acontecem sob lonas plásticas, sem qualquer iluminação. Ele prometeu intermediar uma aproximação entre o movimento e a Secretaria Estadual da Educação. "Seremos interlocutores junto ao Estado para acabar com carências e omissões que porventura estejam acontecendo", assinalou (...) "Buscamos uma sociedade justa, fraterna e solidária",esclareceu, e destacou a existência de uma "absoluta coincidência" entre os compromissos do MPF e a estrofe de uma das canções do MST: "Lutar contra injustiças e abuso de poder" (http://www.mp.rs.gov.br/imprensa/clipping/id70562.htm).

Leandro Scalabrin, membro da comissão de direitos humanos OAB - Passo Fundo - RS
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6308


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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Castelo do demo e a merenda de Kassab

O castelo do demo e a merenda de Kassab

Altamiro Borges *

Adital -
O DEM, o ex-PFL da ditadura militar, representa o que há de mais direitista e mais fisiológico na política brasileira. É o partido da oligarquia conservadora e patrimonialista, que abraçou as teses neoliberais ao aliar-se com os "modernos" rentistas do PSDB. É o partido do castelo suntuoso do deputado mineiro Edmar Moreira, que atormentou presos políticos no passado e que hoje furta as contribuições previdenciárias de funcionários de suas firmas e sonega impostos para erguer a sua fortuna. É o partido do prefeito Gilberto Kassab, marionete do presidenciável tucano José Serra, que realiza licitações irregulares e serve merendas estragadas às crianças nas escolas municipais.
Na fase recente, esta marca indelével dos demos ficou ofuscada. A mídia venal, principalmente a partir da chamada "crise do mensalão", detonada em 2005, procurou vender a idéia de que toda a política é suja, espalhando o ceticismo e livrando a cara dos corruptos endêmicos. Ninguém ficou imune. Partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais foram lançados no monturo. Erros foram cometidos, é verdade. Mas nada se compara à ação antiética dos demos. A corrupção está no seu DNA. Agora, porém, a sujeira volta à tona, como a lama das enchentes em São Paulo, que a mídia hegemônica também tenta esconder para blindar a imagem do presidenciável tucano.



A trajetória sinistra dos demos

O caso Edmar Moreira é exemplar da trajetória sinistra dos demos. Como capitão da PM mineira na época da ditadura, ele ficou conhecido pelos óculos ray-ban com que ingressava nas celas dos presos políticos aos berros de "levanta comunista", segundo recordação do engenheiro ambiental Rogério Teixeira. Na seqüência, mudou-se para São Paulo e fundou sua empresa de segurança - hoje, possui três firmas. Na época, um dossiê entregue à Polícia Federal denunciou o empresário por não pagar o FGTS dos funcionários e por sonegação do Imposto de Renda e do INSS. Edmar ingressou na política pelas mãos dos coronéis do ex-PFL; elegeu-se deputado federal pelo PRN de Collor de Mello; migrou para o PPB de Maluf; e retornou ao PFL, hoje DEM.

Em 1999, a revista Veja denunciou o bizarro enriquecimento do político mineiro - depois, na sua obsessão em atacar o presidente Lula, ela esqueceu o passado dos demos, agora seus aliados na oposição raivosa ao governo. Segundo a reportagem, o deputado "é proprietário de um fabuloso castelo no interior de Minas Gerais. São 7.500 metros quadrados de área construída (maior que o Castelo de Neuschwanstein, nos Alpes da Baviera, que inspirou o castelo da Cinderela de Walt Disney), 32 suítes, dezoito salas, oito torres, 275 janelas, piscina com cascata, fontes e espelhos d’água... Estima-se que, em doze anos de obras, a construção tenha consumido 10 milhões de reais - mais do que o preço de muitos castelos de verdade no interior da França".

Expulsão e desculpa esfarrapada

Em entrevista à TV Globo nesta segunda-feira (9), o presidente dos demos, Rodrigo Maia, jurou que desconhecia o passado sujo do parlamentar e anunciou sua expulsão do partido. Como leitor assíduo da Veja, a desculpa é esfarrapada. Há muito se sabia da existência do Castelo Mona Lisa, da sonegação dos impostos, da apropriação das contribuições previdenciárias dos funcionários de suas firmas de segurança e de outras maracutaias de Edmar Moreira. O risco desta mentira é que venham a público as fotos dos freqüentadores deste palácio medieval na Zona da Mata de Minas.

Um ex-servente do castelo revelou ao jornal mineiro O Tempo que "o local era freqüentado por muitos políticos e empresários". Também disse que o castelo servia para jogos ilegais, com caça-níquel, roleta e bilhar. "Tinha um imenso cassino construído perto da torre principal do castelo". Lembra ainda que, no final dos anos 90, "o que impressionava era a quantidade de dinheiro que os convidados perdiam. Eram notas de R$ 50 e R$ 100. O que também atraia os convidados era a adega. Tinha umas 8 mil garrafas. Uma adega enorme, climatizada. [Edmar Moreira] dizia que o vinho sempre tinha que ficar em temperaturas européias". Ai se uma foto dessas aparece!

Restos estragados para os trabalhadores

Na mesma semana em que desmoronou o castelo do demo, outra notícia desnudou o verdadeiro caráter desde partido elitista e direitista. O Ministério Público denunciou empresas fornecedoras de merenda escolar à prefeitura da capital paulista por formação de cartel para vencer licitações e pagamento de propinas aos gestores de Gilberto Kassab. A Comercial Milano, uma das empresas envolvidas, possui antigos e estranhos vínculos com o DEM. Em 2006, ela foi alvo de uma CPI na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro por praticar os mesmos crimes na gestão César Maia - pai do atual presidente dos demos. Desgastada na capital carioca, mudou-se para São Paulo.

Reportagem do Jornal da Record revelou que as refeições servidas às crianças paulistas são de péssima qualidade, feitas com alimentos podres e armazenados em áreas sem qualquer higiene. Uma cozinheira entrevistada disse que tudo é feito para reduzir o custo das merendas escolares; ela trabalha com uma máquina de calcular, selecionando os mantimentos de pior qualidade. Este é o mundo perfeito dos demos, por muito tempo ofuscado pela mídia hegemônica: restos para os filhos de trabalhadores na periferia, já que os neoliberais detestam qualquer a "gastança social", e suntuosos castelos para os políticos corrompidos e os empresários corruptores.


* Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil
fonte http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?...T&cod=37260


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sociedade civil manifesta seu pesar pela morte de Adão Pretto

Sociedade civil manifesta seu pesar pela morte de Adão Pretto

05/02/2009

A seguir, leia algumas notas de diversas organizações, autoridades e representantes de outras entidades sobre a perda do deputado Adão Pretto (PT/RS). Caso também deseje publicar a manifestação de sua entidade, organização ou gabinete, escreva para semterra@mst.org.br.


Venho expressar aos familiares amigos e companheiros de luta do campo, meus sentimentos pela morte do Colega Adão Pretto.

Sem duvida Adão significou muito para esta casa e para o país. Ele foi o legítimo representante do homem do campo no Congresso Nacional e o grande representante do movimento sem terra.

Até o seu mais ferrenho adversário sabia disso, sabia que Adão Pretto tinha compromissos com uma causa, uma ideologia, um movimento, uma utopia: a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, com terra, justiça e trabalho para todos. Adão Pretto foi a crença de que – usando um jargão muito comum no Fórum Social Mundial – um outro mundo é possível.

Ele se vai, mas fica entre nos parlamentares, amigos e colegas sua alma boa, incorruptível, radicalmente honesta, e sua vontade de fazer um Brasil melhor . O Brasil perde um grande Homem. O parlamento perde um raro deputado, que além de representantes dos sem terra, era, de fato, o grande representante do povo brasileiro no Congresso Nacional.

Deputado Federal Edson Duarte (PV-BA)



PERDEMOS UM GRANDE LUTADOR SOCIAL!!!

Conheci nosso querido Adão pretto, há mais de 30 anos. Nos conhecemos numa atividade de pastoral da diocese de Frederico, onde ele era um líder de sua comunidade e ministro da eucaristia. Frei Sergio Gorgen o apresentou fazendo muito boas referencias, de que se tratava de um pequeno agricultor, lutador, honesto, trabalhador, pai de nove filhos. E que tinha muito futuro. Criava sua familia com o trabalho na roça, nas costas do rio Miraguai.

Naqueles tempos de ditadura militar, era muito difícil encontrar pessoas corajosas, que se dispusessem a defender os interesses da comunidade. Desde o inicio o admirei por sua sensibilidade social, por sua coerência, e franqueza. Nos encontros, costumava colocar em versos singelos, as idéias que matutava e as avaliações que fazia da politica.

Por sua liderança e didicação, foi eleito presidente do sindicato dos trabalhadores rurais do municipio de Miraguai, naqueles finais da década de setenta, na onda das oposições sindicais, que renovaram nosso movimento sindical.

No sindicato, dedicou-se a organizar os pequenos agricultores na luta por preços melhores, e também, com tantos sem-terra na sua base, passou a organizar o Movimento dos Sem Terra.

Logo, transformou-se numa referência política em toda região. Lembro dele, também, da romaria da terra que realizamos em 1981, na encruzilhada Natalino, com nosso primeiro grande acampamento. Adão Pretto declamou com um filho pequeno, uma trova gauchesca denunciando as formas capitalistas de exploração dos pequenos agricultores e a necessidade da luta. Impactou a todos os mais de 25 mil participantes.

O tempo foi passando, e em 1986 organizamos a maior ocupação de terras no Rio Grande do Sul, que foi a então fazenda Annoni. Com mais de 2 ,5 mi l familias. E lá estava o Adão Pretto.

Naquele mesmo ano, elegeu-se deputado estadual. Seria o primeiro deputado estadual camponês a tomar posse na Assembléia Legislativa. Uma grande vitória do movimento camponês do Rio Grande do Sul.

No início muitos colunistas da imprensa burguesa riam de seu pouco estudo, afinal tinha apenas a terceira série do primário. A resposta veio numa atuação exemplar em defesa dos pequenos agricultores e sem-terra que impactou a toda sociedade gaucha, e lhe deu o Prêmio Springer de melhor deputado.

Depois elegeu-se deputado federal, defendendo com a mesma garra e coerência na Camara dos Deputados e no dia-a-dia, os interesses da classe trabalhadora.

Adão Pretto não era o parlamentar padrão que conhecemos. Não gostava da tribuna. Mas estava presente em todas as lutas sociais que se realizaram nesses últimos vinte anos. E as fazia repercutir no parlamento, na forma de leis ou de denúncia.

Sempre o mesmo. Simples. Com uma coerência impressionante. Nunca titubeou. O critério básico que usava em sua vida e na participação política, era se perguntar, o que interessa aos trabalhadores? E independente de tudo, os defendia.

Também, deu exemplo na sua forma de fazer campanha política. Nunca aceitou receber nenhum centavo de ajuda financeira de nenhuma empresas. Por mais que seus colegas o debochavam de perder oportunidades de receber polpudas ajudas das aracruzes. Vales, e outros corruptores. Todas as campanhas foram realizadas pela militância, e em debates das idéias e de projetos.

Os trabalhadores, o povo gaucho perde um de seus grandes lutadores sociais. O MST e a Via Campesina perde um de seus líderes mais coerentes e dedicados. Todos nos perdemos.
Mas fica seu exemplo. Que certamente o imortalizará.

Grande Adão pretto, nos deixará saudades a todos.

João Pedro Stedile - membro da coordenação nacional do MST



Adão Pretto não partiu. Adão Pretto chegou

Queria ser poeta-trovador como Adão Pretto para poder celebrar sua vida, sua luta e sua transfiguração que acaba de acontecer.

Nós não perdemos um companheiro, um lutador, um representante honrado dos camponeses e dos oprimidos junto ao Parlamento. Não perdemos um amigo querido. Ganhamos um intercessor. Ele agora chegou à Terra da Promissão, Terra que ele queria que começasse já aqui em abaixo e que nela morassem todos os irmãos e irmãs da grande família humana. Viveu o sonho da Terra da Boa Esperança. Agora esta esperança, pelo menos para ele, aconteceu.

De lá do Reino da Vida onde agora está, vive pedindo ao operário e camponês palestinense Jesus de Nazaré, que olhe para os nossos Sem Terra e Sem Teto, para os acampados, para os assentados, para todos os que lutam pelos meios de vida para que finalmente se faça justiça na Terra.

“Jesus, escute as súplicas do Adão Pretto. Apiada-te de seus companheiros e companheiras, que são também teus irmãos e irmãs, que estão aqui peregrinando, muitos deles, como Abraãos, buscando uma terrinha para poder morar, plantar, colher e viver”.

“Adão, você que leva o nome do primeiro homem que Deus criou, Adão, nome que significa na língua de Jesus, “o filho e a filha da terra boa” não deixe de insistir junto ao camponês Jesus vivo e ressuscitado para que acelere as reformas que precisamos. Que não tarde a reforma agrária que o MST e a Via Campesina e todos nós queremos, que é a Reforma agrária popular, nova e integral”.

“Adão, você não está ausente. Você é apenas invisível. Mas você está aqui presente, vivo, celebrado e amado por todos os que aqui estamos. Choramos sua partida. Você nos fará falta. Mas, por outro lado, enxugamos as lágrimas para poder continuar a ver claro, para nos consolar uns aos outros, para nos animar a prolongar a sua e a nossa luta”.

“Tua passagem por este mundo não vão ociosa e vazia. Foi cheia de boas ações. Você foi irmão, amigo, companheiro e solidário com todos os estavam em necessidade. Cante lá no céu suas trovas, alegre os bemaventurados, e continue nos assistindo porque precisamos de muita coragem para enfrentar aqueles não amam a mãe Terra, aqueles que não tem piedade para com os sofredores e aqueles insensíveis que se opõem obstinadamente à justa e necessária Reforma Agrária”.

“Queridos familiares e parentes de Adão Pretto. Sintam-se honrados de terem tido em vossas vidas uma pessoa da grandeza e do coração de Adão. Ele passou pela vida fazendo o bem, alegrando com suas cantorias a uns, ajudando a outros, a todos ouvindo e entrando em todas as lutas que tinham a ver com a justiça no campo e na cidade”.

“Irmãos e irmãs, companheiros e companheiras presentes: vocês sabem que a vida começa aqui e termina no coração de Deus. Lá mergulhou agora o nosso querido Adão Pretto. Ele foi membro das Comunidades Eclesiais de Base. Lá alimentou sua fé libertadora. Lá aprendeu que a nossa luta por justiça social e por vida digna tem o aval de Deus, o Deus vivo, o Deus da ternura dos humildes e o defensor dos oprimidos.

Para nós não vale a oposição ou vida ou morte. Para nós vale: ou vida ou ressurreição. Não vivemos para morrer. Morremos para ressuscitar. Morremos para viver mais e melhor.

Que o Adão Preto lá na glória dos benaventurados nos possa sempre acompanhar, interceder e abençoar.

Leonardo Boff - teólogo da libertação e obstinado apoiador da causa do MST e da Via Campesina



A Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra quer expressar o sentimento de toda a CPT diante da morte deste grande batalhador das causas do povo, sobretudo das causas do povo do campo. Adão Pretto foi um parlamentar que soube dignificar seu mandato, sempre atento na defesa dos interesses das pessoas mais pobres e humildes, sobretudo as que trabalham a terra. Seu gabinete incansavelmente esteve a serviço dos movimentos sociais e seu apartamento se tornou lugar de encontro e de alojamento para os trabalhadores rurais que buscavam Brasília para reivindicar seus direitos. A CPT e os movimentos sociais do campo perdem um braço forte no parlamento, onde os interesses particulares e corporativos se sobrepõem aos interesses da coletividade. Seu exemplo de vida e sua história de militância são inspiradores na continuidade da luta dos povos do campo.

Coordenação Nacional da CPT (Comissão Pastoral da Terra)



Companheiros e companheiras,
É difícil expressar o quanto lamentamos a perda de Adão Preto. Todas as pessoas, os movimentos sociais e organizações que lutam por direitos e justiça estão de luto! A Reforma Agrária no Brasil perde um apoio fundamental.

Eliana Rolemberg - Diretora Executiva da CESE



A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos se une aos atos de solidariedade e pesar, diante da perda do companheiro Adão Pretto. Que sua memória nos inspire na luta pela reforma agrária, justiça e igualdade!

Maria Luisa Mendonça - coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos



Adão Pretto, a Reforma Agrária está de Luto!

Consternado recebi a notícia da morte do estimado companheiro Deputado Federal Adão Pretto. Adão Pretto era um líder orgânico da reforma agrária que exerceu mandato popular desde 1986, quando se elegeu deputado estadual. Desde 1991, é seguidamente reeleito deputado federal, cujo mandato dedicou inteiramente - com coragem e zelo público - à causa da reforma agrária, dos trabalhadores rurais, da agricultura camponesa e da justiça social no Rio Grande do Sul, seu estado natal, e em todo o Brasil.

Ao reverenciar o grande lutador da terra, relembro um fato que marcou o início da minha gestão à frente do INCRA, no governo Itamar Franco. Em fevereiro de 1993, na solenidade de minha posse, o Adão Pretto, ao me cumprimentar no auditório do Ministério da Agricultura, me pegou pelo braço e disse assim: - Russo você tem que subir ao gabinete do ministro, porque está havendo uma reunião com os companheiros do MST do Rio Grande sobre o despejo da Fazenda Kirstz.

Eu ponderei que teria que ir à sede do INCRA para a solenidade de transmissão de cargo. Ele retrucou: - Deixa isso pra depois, Russo, o caso lá é muito grave, o ministro não vai dar conta de resolver a questão, a Brigada Militar cercou a fazenda e se eles tentarem tirar os sem-terra à força, como tudo indica, vai morrer muita gente, inclusive mulheres e crianças. Não pensei duas vezes, voei para o gabinete do ministro e pouco depois liguei para o Juiz da Comarca, enviei um fax e o despejo foi suspenso. Meses depois, ainda sem a aprovação da lei que regulamentaria o Rito Sumário previsto na Constituição, a fazenda foi adquirida mediante negociação com o Governo do Estado. Este é o Adão Preto que comecei a conhecer e estimar - compromissado e combativo.

Em novembro do ano passado, como presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, organizou o Seminário sobre os 20 anos da Constituição, colhendo antes depoimentos e artigos sobre os variados temas onde a participação popular esteve mais atuante. Na época, me solicitou que escrevesse artigo sobre a minha experiência, como representante da ABRA, na defesa da Emenda Popular da Reforma Agrária, em depoimento na Assembléia Nacional Constituinte. Esta é a minha última lembrança e ensinamento do Adão Pretto: não percamos a memória.

O Núcleo Agrário Nacional do Partido dos Trabalhadores tem a certeza de expressar o mais profundo sentimento de pesar de todos os militantes do PT que atuam na defesa da reforma agrária e das transformações que ainda se fazem necessárias para que a reforma agrária e a agricultura familiar ganhem a centralidade desejada no processo de desenvolvimento democrático, justo e sustentável do País. Adão Pretto, fundador do MST e parlamentar atuante junto aos movimentos sociais, não está mais entre nós, mas o seu exemplo de vida e de luta será sempre lembrado por todos nós.

Osvaldo Russo - coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT



Perdemos um companheiro valoroso, Perdi um amigo admirável! Consternada recebi a morte deste companheiro tão estimado. Muita lutas travamos juntos na defesa dos trabalhadores do campo e da cidade, para ele não tinha hora, nem dia, nem tempo ou lugar. Adão estava sempre em defesa dos trabalhadores e do movimento sem terra.

Uma figura admirável, lutador, guerreiro, e que também sempre defendeu as mulheres trabalhadoras rurais, fazendo com que buscassem seus direitos. O marcante era a coragem de estar sempre disponível ao MST. Ele acreditava que a terra tinha que ser compartilhada por quem trabalha, para o povo. Isto foi princípio determinante na vida dele.

Perdemos todos, o Brasil, os movimentos sociais, o nosso partido, seus familiares e amigos.

Muito aprendi com ele e o que fica em mim registrado é a ousadia e a coragem de nunca abandonar o povo. Em sua homenagem, seguirei fazendo aquilo que Adão sempre fez em vida: LUTAR SEMPRE!

Luci Choinacki – Presidente Estadual do PT/SC


Lamento a morte do parlamentar e militante Adão Pretto, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em seu trabalho, de toda a vida, em prol da reforma agrária e da agricultura familiar, deu exemplo pessoal de dedicação e cidadania na construção do país. Estendo meus mais profundos sentimentos de pesar a todos os seus familiares e amigos.

Juca Ferreira - Ministro da Cultura



Não somos escravos, mas seres livres e em construção. Não estamos condenados ao presente por que o novo está em nós, como desejo, e para além de nós, como projeto socialista! É com grande tristeza que recebemos a notícia do falecimento de nosso companheiro Adão. Assim, carregamos a memória de nossos antepassados que ousaram sonhar e lutar por um mundo justo, igualitário e onde não haja exploração do ser humano pelo ser humano. Nosso presente carrega a construção do novo. No seio desse novo, bem no lado esquerdo, está o exemplo de vida, luta e coerência do nosso camarada Adão Preto. Que a trajetória de Adão nos inspire na edificação do mundo que ele sempre sonhou e lutou para construir. A grande obra coletiva, da emancipação do Ser Humano carrega consigo a contribuição de Adão Preto. Até sempre camarada!

3ª Turma do curso de Teorias Sociais e Produção do Conhecimento – Filosofia – MST/UFRJ



O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, através desta, manifesta o seu pesar pelo falecimento do agricultor, militante e poeta popular Adão Pretto.

Em nossa Carta de Princípios fazemos questão de registrar uma série de heróis anônimos que inspiram a nossa atuação na luta coletiva em busca de um mundo sem exploração e opressões de qualquer forma. Pelo que fez e pelo que é, Adão Pretto se encaixa em várias delas:

"...os camponeses que regam o campo, semeiam e colhem os frutos de seu trabalho, mostrando que a economia é meio e não fim";

"...os pequenos apicultores, agricultores, pescadores, que se organizam em cooperativas, lutando de forma colaborativa e não predatória";

"...os militantes de movimentos sociais, homens e mulheres de todas as idades, que na marra, e aos poucos, fazem justiça social no Brasil".

Pessoa humilde, simples e doce, de sorriso fácil a aberto. Militante incansável, dedicado e coerente. Parlamentar que jamais esqueceu que o mandato – e, portanto, a sua voz e a sua atividade cotidiana – era um instrumento a serviço da luta popular.

Um apoiador de primeira hora das rádios comunitárias e da luta pela democratização da comunicação. Sua educação formal limitada – tal qual grande parcela da população brasileira – não o impediu de registrar em livros as suas idéias políticas, inclusive na linguagem da arte popular. É mais um símbolo de que a comunicação é um direito humano fundamental e deve ser garantido a todos e todas, sem discriminações de qualquer espécie.

Sua passagem representa dor para todos aqueles que o conheceram e nele reconheciam uma grande referência enquanto político e ser humano.

Sua personalidade, sua trajetória e suas realizações, entretanto, ficam como lição. Seguirão indeléveis na memória de todas as pessoas e organizações que empunham as bandeiras da reforma agrária, dos direitos humanos e da luta maior por um outro mundo possível e necessário.

Em particular, solidarizamo-nos com a família de Adão Pretto e com todos aqueles que, assim como muitos e muitas militantes do Intervozes, tiveram o prazer de sentir de perto a grandeza deste legítimo filho do povo brasileiro.

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social



Com pesar a Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB recebeu a notícia do falecimento do deputado federal Adão Pretto, ocorrido nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre - RS.

Incansável lutador em favor da causa dos pequenos agricultores, dos trabalhadores sem terra e dos Movimentos Sociais, Adão Preto deixa um legado de que é possível fazer política com ética e compromisso social. Seu falecimento, sem dúvida, é uma grande perda para os que sonham com um Brasil justo e terra de cidadãos.

Firmados na palavra do Cristo que disse: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá" (Jo 11,25), elevamos a Deus nossa prece para que o acolha no reino dos bem-aventurados.

Dom Pedro Luiz Stringhini - presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e da Paz



A despedida do companheiro Adão Pretto é revestida da Luz que brilha nos seres que partilham seu bocado com os famintos. "Quando repartires teu bocado com o faminto, tua luz brilhará (Isaias 58)". Meu bocado é aquilo que é vida para mim. Foi testemunha de que cada pessoa tem direito inegociável à sua porção para que viva com dignidade e esperança.

Dom Mauro Morelli - bispo católico e peregrino



O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), irmanado com as demais entidades da Via Campesina e com militantes sociais de todo o país, lamenta profundamente a perda, na manhã de hoje, 5 de fevereiro, do companheiro Adão Pretto, deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul e um dos fundadores do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Nascido na cidade de Coronel Bicaco (RS), em 1945, criado em Miraguaí (RS), Adão Pretto participou das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miraguaí e fundador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado. Em 1991 foi eleito deputado federal pela primeira vez e, atualmente, exercia seu quinto mandato consecutivo. Adão Pretto deixou esposa e nove filhos – e uma infinidade de companheiras e companheiros, de amigas e amigos.

Em 2008 presidiu a Comissão de Legislação Participativa (CLP), da Câmara dos Deputados, onde abriu espaço para a participação, naquela Casa, dos movimentos sociais do campo, povos indígenas, quilombolas, mulheres e muitos outros setores, recebendo denúncias sobre a criminalização dos movimentos e lideranças, debatendo seus problemas, escutando suas demandas e encaminhando suas propostas para uma sociedade verdadeiramente plural, justa e democrática.

Adão Pretto foi um exemplo de integridade e coerência. Quando ele falava, só se podia escutar e concordar, pois expressava sempre a verdade concreta vivida pelo povo do campo. E ele falava com os olhos brilhando, com a serena certeza de que era apenas porta-voz de algo muito maior: a dura história, a vida cotidiana, os sofrimentos e esperanças de todo um povo. Adão era trabalhador, honesto, combativo e construtor do futuro como os camponeses que representava. Alimentava as bases populares com suas idéias e projetos e estas o alimentavam com seu reconhecimento e seu terno afeto.

E Adão era poeta, fazia e declamava trovas, nas grandes assembléias e marchas camponesas, que demoliam o latifúndio, explicavam pedagogicamente as injustiças e anunciavam um mundo melhor, feito a partir das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras, um mundo justo, um mundo pleno, um mundo sem amos.

Adão Pretto sonhava alto, com os pés sempre na terra. Fecundava a terra com sonhos de justiça e alimentava os sonhos com os frutos da terra libertada, que ajudava conquistar.

Adão Pretto se foi e agora ficou para sempre, a nos dar força nas lutas atuais e nas que virão; a nos ensinar com poesia e exemplo; a nos inspirar com coragem e ousadia; a nos mostrar o caminho rumo a um país melhor, que ele construia a cada dia, de maneira calma e generosa, cuia de chimarrão nas mãos e olhos postos no futuro. Adão Pretto hoje já faz trovas no céu.

Conselho Indigenista Missionário - Cimi



É com muita tristeza e pesar que a Equipe do PRONERA – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, vem sentir a perca do companheiro Adão Pretto. Grande lutador da classe trabalhadora e defensor incansável da Questão Agrária e da Educação do Campo, ele participou em diversas atividades do Pronera, como nas Conferências de Educação do Campo, Audiência Pública no Congresso Nacional, nos 10 Anos do Pronera. Sentiremos muito sua falta, pois sua presença, cheia de vida, esperança e convicção, era um exemplo na luta pela melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, pela construção de um Brasil livre do analfabetismo, de uma sociedade sem desigualdades e injustiças. Companheiro Adão: nos deixa saudades e lembranças. Obrigado por tudo.

Da Equipe do PRONERA – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária



É com grande pesar que a CNASI, em nome dos servidores do INCRA, vem prestar o seu último tributo ao amigo e companheiro, Deputado Adão Pretto, cuja vida foi marcada pela dedicação, com fervor e entusiasmo, à luta dos trabalhadores rurais, por justiça e cidadania, vislumbrando na reforma agrária a sua grande bandeira.

Queremos também transmitir a todos, familiares e amigos, o nosso sentimento de consternação por essa grande perda, entendendo que a história de vida de Adão Pretto é um exemplo a ser seguido por todos aqueles que se identificam com as causas sociais e acreditam na luta como o instrumento mais eficaz de materialização dos direitos fundamentais da pessoa humana e sustentação dos nossos sonhos libertários.

Esse nosso Companheiro partiu para cumprir uma nova jornada, dentro do que representa a vida na sua dimensão eterna, e nós, servidores do INCRA, gratos pelo seu inestimável apoio as nossas lutas e à causa da reforma agrária, guardaremos, carinhosamente, a sua imagem em nossa lembrança.

Direção Nacional da CNASI



Como soldados em terras perseguidas, trilhamos as mesmas serras e campos. sem estradas.
Você, como o mais experiente, foi na frente abrindo as picadas e foi nos alertando dos cuidados.
Crescemos, com o mesmo espírito, revoltado, buscando com as massas todas as soluções.
Vencemos, tempestades e furacões, sem nunca perder de vista a utopia pendurada no horizonte.
Bebemos, a água límpida das fontes, de nossos formadores que plantaram nas montanhas o otimismo.
Defendemos com eles o socialismo, e todas as conquistas verdadeiramente humanitárias.
Cerzimos as costuras da reforma agrária, em todos os recantos das belas terras brasileiras.
Plantamos, esperanças em todas as trincheiras, sem nunca rejeitar sequer uma missão.
Cantamos a revolução, em versos, trovas e poesias, sem nunca tropeçar na métrica das rimas.
Cultivamos os valores e a auto-estima, procurando pôr em ordem o comportamento e a coerência.
E, juramos com a força da consciência, de jamais se render, vender ou se deixar cooptar.
Agora, nesta hora, no momento da partida, não queremos que seja uma despedida, mas uma continuidade.
Continuarás presente em todos os momentos, principalmente em nossos movimentos, que se orgulham de tê-lo conhecido, como um dos filhos mais queridos, que até hoje fez nascer, a humanidade.

Ademar Bogo



A Marcha Mundial das Mulheres, nesta triste manhã de 5 de fevereiro, solidariza-se com a família e os amigos de Adão Pretto, com seus companheiros e companheiras de militância, com o MST, e com todo o povo gaúcho, pela perda desse companheiro de longa caminhada, que tanta falta nos fará a partir de agora. Adão Pretto atualmente era Deputado Federal pelo Partido dos Trabalhadores.
Com certeza, Adão estará presente na nossa luta por reforma agrária, por justiça, por igualdade, luta que marcou a sua vida. Sua militância integrou de forma indissociável uma trajetória coletiva de lutas e vitórias que, com certeza, marcaram a história recente do povo brasileiro. Que sua simplicidade, sua coragem e sua sensibilidade sigam conosco, iluminando nossos caminhos vindouros. Que seus sonhos sejam a nossa luta. Até sempre, companheiro Adão.

Marcha Mundial das Mulheres



Há uma gaita que geme e desafia
Filho do barro e da esperança: Adão.
Pai da palavra, da trova, do canto, apoiado na gaita e na invenção.
Regressas ao barro, na estação das chuvas, como quem fecunda...
Levas no corpo que baixa sobre o pampa - e se enterra com a lágrima de teus irmãos e amores e filhos e sonhos - a surda condição da semente.
Em que madrugada o corpo de Adão Pretto se apartou do barro e se fez vagido, grito, palavra, canto?
Em que marcha as foices levantaram a vontade da manhã, acenderam a luz azul dos seus olhos e desataram o rio da palavra que brotou de sua garganta?
Havia uma cruz e uma encruzilhada. Havia frio. E medo. E a morte dos anjos. Havia panos brancos sobre os braços da cruz como bandeiras de paz. Para que não se extravie a memória dos anjos.
Havia medo. E a palavra como centelha acendendo no acampamento uma canção de coragem. Ouvidos que ouvem e olhos que brilham contra a tarde de cinzas.
Há uma gaita que geme e desafia. Sempre haverá enquanto houver ouvidos que acolham e desafiem a ordem, o medo, a submissão.
Não houve tempo para colher a semeadura. Mas houve tempo suficiente para erguer os olhos e deixá-los contemplar a bandeira vermelha - sinal de terra livre - no portal dos assentamentos.
Há uma gaita que geme e desafia a ordem, o medo, a submissão. A gaita de Adão Pretto desafia o silêncio."

Pedro Tierra - militante do PT e das lutas pela Reforma Agrária



Em nome dos funcionários do Consulado Geral da República Bolivariana da Venezuela de São Paulo e no meu próprio envio-lhes nossas mias sentidas palavras de condolências pela irreparável perda do amigo e lutador Adão Pretto. Hoje nos unimos à dor que embarga a todos os familiares e amigos e confiamos que, com o exemplo de luta em defesa da justiça e a liberdade, sua lembrança sempre permanecerá viva para sempre entre nós. Recebam, queridos amigos, um forte abraço carinhoso e solidário nestes momentos de tanta aflição.

Doris Theis – Cônsul Geral (Venezuela)



Hemos recibido las emotivas y profundas palabras de Joao Pedro con relaciòn a la muerte del compañero Adao Pretto. Igual que ustedes tuve tambièn el placer de conocerlo, de compartir con èl sus puntos de vista. Era un hombre muy profundo y de convicciones firmes. Nos unimos al dolor de sus familiares, amigos y compañeros de la vida. Pero para ustedes en el Movimiento, les debe quedar la satisfacciòn de su enseñanza y sobre todo el orgullo de las palabras de
Joao Pedro : NO PERDEMOS TODO, QUEDA SU EJEMPLO, QUE CIERTAMENTE LO INMORTALIZARA. Un abrazo revolucionario desde Cuba.

Maria del Carmen Barroso - dirigente cubana da Associação Nacional de Pequenos Agricultores



Por favor receba meu abraço fraterno e em meu nome abrace todos os companheiros no momento em que a tragédia biológica retira de nosso concurso um de nossos melhores lutadores sociais, o companheiro Adão Pretto.

Roberto Amaral



A ABRAÇO Nacional – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária e os seus militantes de todo o Brasil estão de luto pelo falecimento do Deputado Federal Adão Pretto, mais do que um parlamentar foi um militante ativo dos movimentos sociais, utilizando de seu mandato na defesa e à disposição das lutas populares, principalmente a das rádios comunitárias

Para termos um país melhor é necessária uma nova comunicação, e as palavras do amigo e companheiro jamais será esquecida. O seu desejo "da reforma agrária do ar" ainda ocorrerá e teremos um país justo e igualitário.

Aos familiares e assessores desejamos força neste momento difícil, pois uma vida marcante, de luta e de realizações deixou marcas profundas e impossíveis de serem esquecidas.

Onde se critica a qualidade, eficiência e honradez do parlamento, o companheiro Adão sempre foi um exemplo as ser seguido.

José Luiz do Nascimento Sóter - Coordenador Executivo Abraço Nacional



O PCB, Partido Comunista Brasileiro, vem a público manifestar o seu pesar pela morte de Adão Pretto, militante de todas as horas da reforma agrária e um dos fundadores do MST. Foi o primeiro parlamentar camponês do Rio Grande do Sul, e, como deputado federal, era uma de nossas mais incisivas vozes contra a criminalização dos movimentos sociais.

Como se não bastasse o fortalecimento dos grupos oligárquicos no Congresso Nacional, a perda de um parlamentar como Adão Pretto, neste momento, exige-nos ainda mais disposição e decisão para enfrentar aqueles que eram os seus maiores inimigos, os ruralistas com seus capangas, o grande latifúndio com seu regime de fome, miséria e desigualdade para os trabalhadores do campo e da cidade. Seguiremos sua luta! Adão Pretto, presente!

Ivan Pinheiro - Secretário Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)



Quero manifestar minha mais profunda tristeza com o passamento de um dos parlamentares - senão o mais importante - que mais defendeu, na luta social, na solidariedade política e na ação parlamentar - que mais defenderam e lutaram pela Reforma Agrária e na defesa das organização dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, especialmente o MST, do qual foi um dos fundadores e um de seus mais aguerridos militantes.

Tive a honra, o prazer e alegria de ser seu colega na última legislatura da Câmara dos Deputados. Ali, junto com outr@s companheir@s, participamos da CPI da Terra - da qual fui relator -, enfrentamos a truculência da bancada ruralista, que, a todo o custo, combatia não só a realização da Reforma Agrária, mas procurava criminalizar os movimentos sociais. Adão, não só por sua atuação, mas também por sua assessoria (que foi fundamental na elaboração do Relatório Paralelo), nunca se calou diante dessa truculência, fazendo sempre, junto com a pequena bancada de esquerda que integramos, com toda a valentia que lhe era peculiar, a defesa intransigente da Reforma Agrária, das lutas socias e dos movimentos que lutam contra a concentração fundiária.

Parafraseando Bertold Brecht, em seu tão lido e divulgado poema, Adão Pretto fazia - e faz - parte dos seres humanos imprescindíveis, porque lutaram por toda a vida, porque toda a sua vida foi um luta em defesa não só da Reforma Agrária, mais da construção de uma sociedade justa, humana, igulalitária, sustentável e fraterna: a socieade socialista.

Adão Pretto vive em nossos corações, em nossa memória, em nossa luta.

Um grande, saudoso, respeitoso e triste abraço deste amig@ e companheir@,

João Alfredo Telles Melo - Ex-deputado federal (pelo PT e depois PSOL), atual Vereador em Fortaleza (PSOL)



A Justiça Global vem a público manifestar seu pesar pelo falecimento do deputado Adão Pretto, histórico militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Adão Pretto foi um parlamentar que sempre respeitou o compromisso de representar sua gente. Nascido em uma família de agricultores gaúchos, Adão firmou-se como um grande defensor da reforma agrária e um porta-voz das classes camponesas no Congresso Nacional.

A Justiça Global teve a oportunidade de testemunhar sua luta pelo acesso à terra e contra as violações de direitos humanos. Em abril de 2008, participamos de uma audiência pública convocada por Adão Pretto na Câmara para debater a violência contra trabalhadores rurais no Estado do Paraná. Em setembro de 2008, Adão convocou uma Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) para verificar de perto os processos de criminalização dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul, e participamos como representante da sociedade civil. Em ambas as ocasiões, um profundo sentimento de admiração pelo trabalho do deputado.

A morte de Adão Pretto significa uma grande perda para o Congresso, para os trabalhadores rurais sem terra e para todos os que anseiam por uma sociedade mais igualitária. Talvez um consolo seja a consciência de que outros seguirão seus passos de luta.

Justiça Global



Nossas homenagens dos militantes do Núcleo Paulo Freire, a família, amigos(as), aos trabalhadores sem terra, militantes do PT do Rio Grande do Sul, e dos lutadores sociais do Brasil pela perda de nosso companheiro deputado federal PT RS Adão Pretto, um ativista no congresso e nas lutas sociais, na defesa dos trabalhadores do campo e da cidade. Sua luta permanecerá nas bandeiras pela reforma agrária, e por um Brasil Livre e soberano e socialista.

Viva o Adão Pretto!
Viva o MST!

Carlos Alves - Núcleo Paulo Freire



La RED de Grupos de Mujeres Rurales del Uruguay se solidariza ante la desaparición física del compañero Adao Pretto y manifestamos que personalidades como la que Uds. describen no desaparecen sino que se proyectan en el tiempo con sus ejemplos de lucha, solidaridad y amor por el otro/y ante su nombre debe quedar impregnado en todas y todos una agridulce nostalgia de haberlo conocido,deseamos si es posible que este mensaje llegue a su familia.

Silvia Páez



Adão Pretto despontou como uma liderança expressiva do movimento camponês no interior do Rio Grande do Sul. Participou das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), instituições ligadas à Igreja Católica. Chegou à presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miraguaí no Rio Grande do Sul, onde dedicou-se a organizar os pequenos agricultores e o movimento dos sem terra. Foi um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra em seu estado. Fez da reforma agrária sua principal bandeira política. Atuou ainda na da defesa dos direitos humanos e na luta por uma sociedade justa e igualitária.

Era um político diferente. Foi o primeiro deputado estadual camponês, representando o estado gaúcho. Por sua atuação exemplar, recebeu o Premio Springer de melhor deputado. Ainda deputado estadual, presidiu a CPI da Violência no Campo na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para investigar conflitos entre grandes fazendeiros e trabalhadores rurais. Elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 1991 e foi reeleito seguidamente para cinco legislaturas. Coerente, nunca aceitou receber financiamento de empresas em suas campanhas. Adão Pretto era uma presença constante em todas as lutas sociais dos últimos 20 anos. Sua atuação parlamentar na Câmara Federal esteve a serviço dos trabalhadores, fazendo frente ao setor ruralista e encampando importantes lutas, como a travada na CPMI da Terra, que elaborou um diagnóstico da questão fundiária no Brasil. Em seu último projeto apresentado, propôs o fim do pagamento de indenização compensatória nos processos de desapropriação para fins de reforma agrária, o que mostra o compromisso com seus ideais.

Com a sua morte, o povo brasileiro e os trabalhadores perdem um dos seus grandes lutadores sociais, mas o exemplo que está expresso em sua trajetória de luta o imortalizará.

João Alfredo - vereador (Psol/CE)

Adão Pretto, além de sem-terra, era socialista.
Quero dizer, com emoção, que, nos últimos dias do ano passado, o companheiro Adão Pretto me procurou várias vezes para que eu pudesse ir ao 12º Encontro do MST, no Rio Grande do Sul, que já tem 25 anos de fundação. Ele,um dos fundadores, um dos baluartes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, voz da reforma agrária e dos sem-terra e o mais legítimo representante dessa luta no Congresso Nacional!

Quando cheguei a Sarandi, onde se realizou o encontro, levei um susto, e os companheiros logo me posicionaram sobre as condições de saúde do companheiro Adão Pretto, que resistiu todos esses dias. E foi uma consternação geral no Encontro do MST, porque todos sabem do valor, da luta do MST. Não é fácil pertencer aos de baixo, não é fácil enfrentar interesses poderosos, não é fácil enfrentar o latifúndio, o poder econômico do agronegócio e a expectativa que se gerou neste País. Adão Pretto era essa figura. Eleito sucessivamente para a Câmara dos Deputados, era uma voz proletária do campo neste Parlamento brasileiro.

Infelizmente, hoje o Brasil perde um grande lutador, mas não perde a memória da luta de Adão Pretto.

Nós, que estivemos no Rio Grande, vimos a luta da Encruzilhada Natalino, o confronto político necessário, o cerco feito pela Polícia Militar da Governadora Yeda Crusius ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra neste momento de democracia, em que o Chefe do Governo Federal é do partido do nosso companheiro Adão Pretto, para mostrar que as forças retrógradas contra a mudança, contra a reforma agrária, ainda têm muito peso. Mas a luta, a memória, o exemplo de Adão Pretto permanecerão para sempre.

Eu gostaria de deixar registrada a minha relação política, pessoal, de amizade e companheirismo com Adão Pretto, que foi um dos maiores brasileiros, um representante legítimo, no Parlamento brasileiro, da classe baixa, da luta social, da luta transformadora, da luta revolucionária, daqueles que querem uma sociedade de iguais, daqueles que querem uma sociedade sem explorados nem oprimidos.

Viva Adão Pretto!
Viva a reforma agrária!
Viva a luta do povo brasileiro!

Ivan Valente - deputado federal (Psol/SP)



Somos seres pequenininhos, transitórios, com prazo de validade e com muitos defeitos de fabricação. O nosso Adão, honrando o seu nome, tinha poucos. Ele cumpriu algo que o Presidente Fernando Lugo, também um homem de trajetória mística, religiosa, ex-bispo católico no Paraguai, disse agora no Fórum Social Mundial: Meus amigos de infância, que permanecem até hoje — e esses são os mais fiéis — , me lembram sempre que não devemos perder duas virtudes fundamentais: a simplicidade e a humildade.

O Deputado Adão Pretto, o camponês Adão Pretto, o membro das comunidades eclesiais de base Adão Pretto, o líder sindical dos trabalhadores rurais sem-terra Adão Pretto estava aqui,no seu quinto mandato, sem perder um milímetro da simplicidade e da humildade; sem se inebriar com o poder mesmo quando o seu — e, então, o meu, o nosso — partido chegou à Presidência da República. Adão é um exemplo. Adão merece a consideração de todos aqueles que querem uma representação política mais autêntica.

Adão — eu disse que ele, como todos nós, de certa forma, realizava o seu próprio nome — era pioneiro na primordial busca de não perder a ligação com a luta social, com a busca da justiça.
Pretto no sobrenome, de origem italiana, com seus olhos muito azuis, também tinha um compromisso fundamental contra o racismo, contra toda forma de discriminação. Estivemos juntos, neste fim de ano, quando ele encerrava o seu belíssimo trabalho à frente da desprestigiada Comissão de Legislação Participativa, acolhendo, como poucos, todos os movimentos populares. Estivemos na nossa celebração de Natal na CNBB, e o Adão sempre lá, com a sua humildade, sua simplicidade, e com a sua combatividade.

O Parlamento brasileiro, e, mais do que ele, o povo brasileiro, perde não propriamente um representante, mas um filho dileto das suas próprias lutas. Por isso, quero deixar, em nome do Partido Socialismo e Liberdade, muito triste, muito comovido, em especial aos familiares do Adão, às pessoas que o amavam e com ele conviviam cotidianamente, que são muitas, o abraço mais solidário.

Cumprindo a exortação de São Francisco de Assis, nos resta a melhor maneira de homenagear aqueles a quem admiramos: fazer o que eles fizeram. Cada um de nós — e digo isso pela pequena e aguerrida bancada do PSOL, com quem Adão tinha ótimas relações — vamos procurar cumprir, sermos todos um pouco Adão Pretto aqui neste Parlamento e nas lutas da nossa gente.
Deus o tenha e vamos celebrar a sua transvivenciação também aqui, na semana que vem, com o maior número de colegas possível.

Chico Alencar - deputado federal (Psol/RJ)



Com enorme pesar envio meu abraço de solidariedade e agradeço o envio do poema maravilhoso.
Adão Pretto, presente - agora e sempre!

Maria Victoria Benevides - professora


fonte http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6270




Piramide Na Colombia, US$ 270 milhões, e o POVO leva paulada

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Protestos contra esquema de "pirâmide" deixam 17 feridos na Colômbia


Moradores entraram em choque e saquearam lojas em Honda. Empresa teria dado calote de US$ 270 milhões em investidores

Dezessete pessoas ficaram feridas neste domingo (23) durante um protesto contra o esquema de "pirâmides" na Colômbia.

Centenas de pessoas que perderam dinheiro com a fraude protestaram nas ruas e depredaram e saquearam lojas na cidade de Honda, em Tolima. A polícia reagiu com bombas de gás.


O prefeito da cidade decretou toque de recolher por conta dos confrontos. Tropas do Exército iriam reforçar o policiamento na região.

As perdas com a "pirâmide" da companhia Proyecciones 'Dinero Rapido Facil Efectivo' (DRFE) chegam ao equivalente a US$ 270 milhões.

Segundo as autoridades, a empresa era mais um dos muitos esquemas de "pirâmides" que estavam recentemente em operação no país, oferecendo lucros rápidos até que o fluxo de novos investimentos ficava insuficiente.

A imprensa local informou que o proprietário da DRFE deixou o país, deixando os investidores na mão.

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/mund...dos-na-Colombia


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Piramide - Us$ 1,411 Bilhão De Fraude, com moeda eletronica e juros de 36% ao ano

Japonês preso por golpe milionário

TÓQUIO - O empresário japonês Kazutsugi Nami, 75, dono de uma empresa de colchões e camas que criou uma moeda paralela e um esquema de pirâmide foi preso por uma fraude estimada em 126 bilhões de ienes (US$ 1,411 bilhão) que afetou 37 mil pessoas.

A polícia confirmou a prisão de Nami, proprietário da empresa falida "L and G", e de 20 colaboradores, mas não revelou o valor da fraude. Segundo a agência de notícias Jiji, as suspeitas são de que Nami arrecadou desde 2001 vários bilhões de ienes para realizar investimentos, com a promessa de rendimentos gigantescos, de até 36% ao ano, o que não conseguiu cumprir. Kazutsugi Nami também emitiu em 2004 uma moeda eletrônica virtual, batizada de "enten", combinação de dois ideogramas que significam iene e paraíso, que era utilizada em vários hotéis e lojas.

Por um mínimo de 100 mil ienes pagos a Nami, os clientes recebiam o equivalente em "enten" e podiam recuperar, em tese, os investimentos em 12 meses. Nami prometia "revolucionar a economia" com a moeda.



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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tudo Que Você Precisa Saber Sobre O Peido

As informações deste artigo não é o que se pode dizer: “isso era tudo o que eu precisava saber nesta sexta-feira!” Mas pelo menos dá pra terminar a semana com uma pitada de humor, ainda que pareçam bem verídicas.

Observação: Dedico as informações aqui compartilhadas a uma amiga. Não posso colocar o nome, mas ela saberá que é de coração.

1. O que é o flato? Do que ele é feito?

Flato, do latim flatus, significa sopro e é uma composição de gases altamente variável, expelida pelo ânus.

É formado por parte do ar que engolimos, que é quase só nitrogênio e dióxido de carbono, pois o organismo absorve o oxigênio, e gases resultantes das reações químicas entre ácido estomacal, fluidos intestinais e flora bacteriana.

Ou seja, dióxido de carbono, hidrogênio e metano.

2. O que faz os peidos federem?

O odor dos peidos vem de pequenas quantidades de sulfeto de hidrogênio (gás sulfídrico) e enxofre livre na mistura.

Quanto mais rica em enxofre for sua dieta, mais desses gases vão ser produzidos pelas bactérias no seu intestino e mais os seus peidos vão feder.

Pratos como cebola, couve-flor e ovos são notórios por produzirem peidos fedidos. Feijão, por exemplo, produz grandes quantidades de peidos não necessariamente fedidos.

3. Por que peidos fazem barulho?

Os sons são produzidos pela vibração da abertura anal.

O som depende da velocidade da expulsão do gás e de quanto estreita for a abertura dos músculos do esfíncter anal.

4. Quanto gás uma pessoa normal produz por dia?

Em média, uma pessoa produz cerca de um litro de peido por dia, distribuído em cerca de 14 peidos diários.

Pode ser difícil para você determinar o volume dos seus peidos diários, mas você pode estimar quantas vezes peida.

Pense nisso como um pequeno experimento científico: anote tudo que você come e conte o número de vezes que você peida. Você pode inclusive anotar sobre o fedor deles.

Você descobrirá uma relação entre o que você come, quanto você peida, e quanto seus peidos fedem.

5. Quanto tempo leva até que o peido chegue ao nariz de alguém?

Isso depende das condições atmosféricas, umidade e velocidade do vento, além da distância entre as pessoas também. Os peidos também se dispersam e sua potência nauseante diminui com a diluição.

Condições excepcionais existem quando o peido é liberado numa área pequena e fechada, como um elevador, um quarto pequeno ou um carro, porque essas condições limitam a quantidade de diluente possível (ar) e o peido vai permanecer numa concentração perceptível por mais tempo, até que se condense nas paredes.

6. É verdade que algumas pessoas nunca peidam?

Não. Se elas estiverem vivas, peidam.

Pessoas podem peidar até mesmo algumas horas depois de mortas.

7. Homens peidam mais que mulheres?

Mulheres peidam tanto quanto homens.

O caso é que os homens têm mais orgulho disso.

8. Em que parte do dia um “gentleman” está mais sujeito a peidar?

Durante a manhã, quando estiver no banheiro. Isso é conhecido como “trovoada matinal”.

Se o gentleman conseguir uma boa ressonância, ele pode ser ouvido na casa inteira.

9. Por que feijão faz as pessoas peidarem tanto?

Feijão contém açúcares que seres humanos não conseguem digerir. Quando esses açúcares chegam em nossos intestinos, as bactérias fazem a festa e produzem um monte de gás.

Outros produtores notórios de peidos são milho, pimenta, repolho e leite.

10. Um peido é mesmo só um arroto que saiu pelo lado errado?

Não, a frase “arroto é um peido maroto que subiu de elevador” é puro folclore.

Arroto vem do estômago e tem composição química diferente de um peido.

Peidos têm menos ar atmosférico e mais gases produzidos por bactérias.

11. Para onde vão os peidos quando você segura eles?

Quantas vezes você segurou um flato, pretendendo soltá-lo na primeira oportunidade apropriada e depois descobriu que ele tinha “desaparecido” quando você estava pronto?

Ele saiu lentamente sem a pessoa saber?

Foi absorvido pela corrente sangüínea?

O que aconteceu com ele?

Os médicos concordam que o peido não é nem liberado nem absorvido. Ele simplesmente volta para os intestinos e sai depois. Isso reafirma o fato de que os peidos não são realmente perdidos, e sim adiados.

12. É possível mesmo “acender” peidos?

A resposta é SIM. Normalmente os puns incluem metano e hidrogênio, ambos são gases inflamáveis. Entretanto, você deve estar avisado de que colocar um peido em ignição é perigoso. Não só a chama pode subir de volta para seu cólon, como a sua roupa e o que estiver ao redor pode pegar fogo.

Cerca de 25% das pessoas que o fizeram queimaram as bordas e os cabelinhos do ânus.

Peidos tendem a se traduzir em chamas azuis ou amarelas.

13. Por que as meninas não assumem seus peidos?

Acho que você deveria começar dizendo que somente algumas meninas não assumem seus peidos. A razão é cultural. Elas são ensinadas a pensar que peidar não é coisa que uma dama faça.

É um grande erro pensar assim. Todas as pessoas praticam a emissão de gases anais.

14. Cheirar peido deixa “chapado”?

Não se conhecem agentes intoxicantes na flatulência.

15. É possível enlatar um peido para uso posterior?

Teoricamente sim, mas há uma série de problemas logísticos. Você pode tentar usar um saco plástico ao invés de uma lata.

Você pode usar o seguinte como uma experiência de feira de ciências:
peide em vários sacos plásticos e os vede com cuidado. Então encha outros sacos com ar normal. Espere 6 horas.

Então eleja voluntários para cheirar o conteúdo dos sacos e verifique se eles conseguem dizer se o que tem ali dentro é peido ou é ar. Isso vai te dar a informação se é possível estocar peidos.

Se você fizer na banheira e se inclinar de forma que seus peidos emirjam como bolhas na sua frente e não por trás, você pode pegar as bolhas numa garrafa e ter peidos puros dentro de garrafas, sem estarem contaminados com ar atmosférico.

16. É estranho gostar de peidar?

Não. Mas se a pessoa peida numa quantidade que lhe traz problemas e infelicidade, deveria consultar seu médico.

17. De que cor é o peido?

Via de regra, incolor, porque os gases que o constituem são incolores.

Imagine que interessante seria peidar laranja, tipo dióxido de nitrogênio.

Ninguém mais perguntaria de quem é o peido.

18. Outras pessoas sentem mais o cheiro do peido do que o “autor”?

O peido deveria cheirar tanto para quem o fez quanto para as pessoas que dele “desfrutam”. Mas quem fez leva vantagem pelo fato de que propeliu o ar para longe do seu corpo, numa direção oposta à do seu nariz.

Peidar contra o vento anula essa vantagem.

Esta curiosidade foi recebida por email, se você conhece o autor, deixe seus comentários.

Se você procura uma informação mais científica, consulte a Wikipedia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Flatul%C3%AAncia

fonte do artigo


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