sábado, 3 de outubro de 2009

Protestos, tragédias e luta pela terra marcam os 25 anos do MST

Protestos, tragédias e luta pela terra marcam os 25 anos do MST

Movimento fundado em 1984 é reconhecido como símbolo da resistência camponesa


Surgido em 1984 no interior do Paraná, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) é um movimento social que luta pela reforma agrária no Brasil. Tem inspiração no marxismo, doutrina difundida por Karl Marx e que defende a divisão coletiva do que é produzido pela classe trabalhadora. Além de trabalhadores rurais que não tinham terras para produzir, o MST foi originalmente formado por posseiros - pessoa que possui terra, mas não é o dono por direito -, famílias desalojadas por barragens, meeiros – trabalhadores que entregam metade da produção para o dono do terreno -, pequenos agricultores, migrantes, entre outros.



Com o crescimento do movimento e o seu reconhecimento nacional e internacional, muitos desempregados das cidades também passaram a engrossar as filas dos sem-terra. Ao lutar pela reforma agrária, o MST defende que grandes propriedades rurais do país sejam divididas em propriedades menores, priorizando os pequenos produtores.



Enquanto esta divisão não acontece - ou acontece em passos lentos - o MST age ocupando terras consideradas improdutivas e reivindicando que o governo as desaproprie, ou seja, que retire o direito de posse de seus donos. Uma vez desapropriadas, estas terras são usadas para assentar famílias de trabalhadores rurais. As famílias que aguardam para serem assentadas organizam-se em acampamentos, localizados, em sua maioria, em beiras de estradas ou em áreas do governo.



A base da organização do MST são as famílias. Em cada assentamento ou acampamento são organizados núcleos familiares que discutem a produção, a escola, as necessidades de cada área. Destes núcleos saem os coordenadores e coordenadoras do assentamento ou do acampamento. A mesma estrutura se repete em nível regional, estadual e nacional. Apesar de não deixar transparecer níveis hierárquicos entre seus membros, alguns líderes do movimento se destacam. É o caso de João Pedro Stédile, um dos principais porta-vozes dos sem-terra.



As decisões importantes do movimento, no entanto, são discutidas em assembleias. Um aspecto marcante é que as instâncias de decisão do MST estimulam a participação das mulheres. Estas instâncias sempre são compostas por dois coordenadores, um homem e uma mulher.



Além de lutar pela reforma agrária, o MST se caracteriza por levantar bandeiras que nem sempre estão relacionadas a temas rurais. Campanhas como a que defendia o fim da guerra entre Palestina e Israel na faixa de Gaza ou pela anulação da venda da companhia Vale do Rio Doce fazem parte da lista de manifestações dos sem-terra.



Sem ligações partidárias declaradas, em princípio foram aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o movimento decidiu romper a relação amistosa com o governo federal por entender que suas reivindicações não estavam sendo cumpridas. Manifestações por todo o país e a invasão de prédios públicos marcaram a atuação do MST durante a gestão Lula.



Nada muito diferente do que ocorreu durante os oito anos que Fernando Henrique Cardoso comandou o país. Em 2002, último ano da gestão FHC, sem terras chegaram a invadir a fazenda do então presidente em Buritis (MG), no interior de Minas.



Ao longo de sua história o MST já conquistou centenas de prêmios. É reconhecido internacionalmente como símbolo da resistência camponesa no Brasil. Sua forma de organização e a luta por uma sociedade mais justa servem de exemplo para movimentos sociais em vários lugares do mundo.

Fonte: R7
http://www.expressomt.com.br/noticia.asp?cod=41424&codDep=2

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