segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Por que a TV digital não emplaca no Brasil

Por que a TV digital não emplaca no Brasil


Conversores caros e complicados, áreas de sombra, poucas opções de canais e até a falta de interatividade atrapalham o caminho da TV digital no Brasil.
Por Marco Gomes

Iniciada em meados de 2007, a TV digital (DTV) no Brasil já tem dois anos e ainda engatinha, lentamente. Preço alto dos conversores, atraso no cronograma de implantação, não padronização da transmissão, perda de sinal e dificuldade de instalação são alguns dos empecilhos enfrentados pelos telespectadores.

A penetração da TV digital neste um ano de operação não atingiu as expectativas. Contribuiram para isto o preço dos conversores, as dificuldades de cobertura e a quantidade limitada de programas.

O preço dos conversores se mostrou um desafio para a popularização da TV digital no Brasil. Os set-top-boxes tiveram preço médio avaliado entre R$ 700,00 e R$ 800,00.

Teleco Consultoria

Com uma média de 3,5 usuários por aparelho, o Brasil tem 40 milhões usuários de TV, destes, apenas 250 mil, 0,3% do total, recebem o sinal digital implantado em 2007.

Concordo com Gustavo Gindre, um dos representantes da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet no Brasil e integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a baixa atratividade da TV digital é causada pelo modelo equivocado adotado aqui.

O uso do padrão japonês de modulação, juntamente com a opção da nova tecnologia feita pelas emissoras, não oferece ao telespectador interatividade automaticamente integrada com o aparelho.

A única vantagem da DTV brasileira é a imagem com alta qualidade e, por isso, enfrenta concorrência de outras mídias que oferecem mais canais e funcionalidades interativas, como a TV por assinatura, IPTV e a internet.

“A TV digital aberta no Brasil é a velha TV aberta analógica, apenas com uma imagem melhor – e, mesmo assim, somente onde não há áreas de sombras”, nas palavras de Gindre.

Grandes oportunidades de transformações foram negligenciadas em por conta dos interesses dos radiodifusores e não há razão para que o cidadão deseje comprar um set top box.

Se quer serviços interativos, o usuário tem a internet. Se quer muitos canais, vai para a TV paga ou para a TV a Gato. Por essas e outras, a penetração da TV digital aberta ainda é baixíssima e não há perspectivas realistas da curva de adoção mudar nos próximos anos.

Mesmo nos principais centros urbanos a cobertura de antenas é deficiente, seja por características topográficas, comuns em áreas com acidentes geográficos como o Rio de Janeiro, ou por extensão de área e mistura de sinais, comuns em São Paulo.

Isso se deve, principalmente, pelo fato que as antenas, emissoras e receptoras, precisam ter visibilidade direta entre si para otimizar a recepção do sinal digital. Se há prédios, árvores ou outros obstáculos entre as antenas o sinal pode ser anulado.

A escolha e a instalação da antena são complicadas, podendo ser de diferentes modelos UHF, com ou sem uso de amplificadores, externos à residência fazendo uso de mastros para elevá-la, evitando obstáculos entre ela e a transmissora.

É preciso ficar claro que não existe fórmula mágica nem antena que sirva duas pessoas ao mesmo tempo, em nenhum lugar deste país.

A antena que funcionou muito bem na casa do seu vizinho do prédio do lado não irá funcionar necessariamente igual ou melhor na sua.

Paulo Roberto Elias

Após instalar a antena, a escolha do receptor é o novo obstáculo a ser vencido pelos usuários. Os modelos são variados, não padronizados, e a atualização de software só pode ser feita em uma loja autorizada.

Existem dois tipos físicos de conversores disponíveis para o mercado brasileiro, os externos, que são acoplados a TV que o usuário já tem, e o que vem já embutido na TV, recurso presente principalmente nos aparelhos mais modernos com tela LCD. O uso de conversores externos é mais comum porque o preço é mais competitivo, e, caso o modelo escolhido não seja satisfatório, a troca é menos dispendiosa.

A DTV brasileira aparentemente não teve tempo suficiente para um beta-test. Os chamados set-top boxes, que são conversores externos instalados para converter o sinal digital para o sinal que pode ser interpretado pela TV, constantemente estão incompletos ou vêm com bugs de fábrica.

É necessário reescrever o software embarcado em cada um e disponibilizá-los aos usuários, mas a atualização do firmware só pode ser feita em manutenções autorizadas pelo fabricante, dificultando o upgrade massivo.

Não existem conversores à venda hoje com funcionamento totalmente perfeito, e se dependesse das opiniões negativas divulgadas por vários sites na internet, o usuário indeciso não compraria nenhum.

Paulo Roberto Elias

A TV digital no Brasil ainda tem um longo caminho pela frente antes de se tornar interessante para ações interativas, principalmente porque o padrão japonês não traz interatividade integrada.

Além disso precisamos melhorar a distribuição do sinal e a qualidade do material transmitido, padronizar e amadurecer os set-top boxes, viabilizar sinal via satélite e multiprogramação, e, principalmente, baratear os conversores. [Webinsider]
FONTE
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/10/12/por-que-a-tv-digital-nao-emplaca-no-brasil/



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