GUERRA SUJA DE BUSH.
Eliakim Araujo
"O preso está nu, tem apenas um capuz que cobre sua cabeça. É mantido sentado, com as mãos e os pés amarrados. Leva horas na cela, sem nada ver. Sem saber o que acontece ao seu redor.
O interrogador da CIA entra silenciosamente com um revólver. Abre o tambor da arma e o gira várias vezes junto ao ouvido do preso. O interrogador pede informação. O preso segue calado. O agente sai e entra outro com uma furadeira elétrica. O preso já foi colocado de pé. O interrogador liga a furadeira e a movimenta junto ao ouvido do preso, advertindo que ela pode furar sua perna e ele vai sentir muita dor.
A desorientação é total. As celas ficam iluminadas as 24 horas do dia. A temperatura é regulada ora para fazer frio ora para esquentar. Se tiram a roupa do preso, lhe colocam o capuz. Se o colocam numa ducha fria, os interrogadores o esfregam com a mesma escova que se usa para limpar os chão.
O obrigam a ajoelhar-se e, quando já está de joelhos no chão, o empurram para que caia com todo seu peso sobre os ombros. Ele é ridicularizado e desorientado. É arrastado pelo chão. É humilhado. Ele não é nada, não tem direitos. Não sabe porque está ali, num lugar secreto, por razões que eles não revelam. E o pior, a dor física está por chegar".
Essa é uma pequena amostra de como os torturadores da CIA agiam com quem apenas tivesse cara de terrorista. Esses detalhes, mais os da tortura física, estão no relatório do Inspetor Geral da Agência em 2004, que classifica de desumanos os métodos de interrogatório usados pelos agentes e civis contratados para realizar o trabalho sujo. Há relatos de um preso que foi submetido 183 vezes ao afogamento simulado e outro que foi mantido 180 horas sem dormir, uma semana inteira.
Este é o assunto de capa da edição deste domingo do jornal espanhol El Pais, repercutindo a decisão do Secretário de Justiça do governo Barack Obama, Eric Holder, de levar às últimas consequências a investigação que vai determinar quem foram os torturadores e puni-los exemplarmemte. Holder, homem de confiança de Obama e por ele nomeado para o cargo, poderia perfeitamente seguir as recomendações do chefe e deixar o passado em paz. Mudou de idéia, e agora está em rota de colisão com Obama.
O presidente está cauteloso. Ele declarou há pouco que divulgar as fotos das sessões de tortura “teria o risco de agravar o sentimento antiamericano no mundo e colocar em perigo nossas tropas no exterior”.
Sábado, na missa de corpo presente do senador Ted Kennedy, em Boston, George Bush estava visivelmente deslocado no meio de tantos democratas. Cercado pelos ex-presidentes Clinton e Carter e atrás de Obama, Bush não demonstrava nenhuma simpatia por estar ali. Só descontraiu quando Ted Kennedy Junior contou que seu pai, ao ver alguém falar mal do ex-candidato John McCain, disse em tom apaziguador: “os republicanos amam tanto esse país como nós”.
Pode ser. Mas esse, dos torturadores, é o tipo de amor que ninguém merece.
fonte
http://www.diretodaredacao.com/site/noticias/index.php?not=4733
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