sábado, 29 de agosto de 2009

Presidente Lula cada vez mais 1.0


Presidente Lula cada vez mais 1.0

26 de agosto de 2009, 11:10

O segmento no qual Lula resolveu apostar suas fichas, ou se aliar, é conservador e não inova, aceita sem questionar. A vanguarda que inovou e criou um partido independente não está mais na agenda do presidente.
Por Carlos Nepomuceno

O povo é conservador por natureza.

Quanto mais excluído, mais a pessoas se agarram à sobrevivência. (Ver pirâmide de Maslow - http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/05/18/maslow-e-a-complexidade-dos-ambientes-de-conhecimento/ )

O excluído faz revolta, adere a líderes populistas, mas não faz revolução, ou cria novos conceitos de sociedade.

Há sempre uma vanguarda que toma a frente, cria a ponte entre a situação “A” para a “C”, aponta o caminho “B” e o divulga através de uma mídia “Y”, tendo em torno das ideias alguns líderes carismáticos “Zs”.

Isso vale para a política, para a inovação nas empresas, para a vida de maneira geral.

É fato:

Não existe vanguarda sem povo, nem povo sem vanguarda!

Isso não é o que muitos gostariam, mas é o que a história demonstra.

(Caso não concorde, apresente um exemplo diferente!)

O Governo Lula e o PT são frutos de um movimento intenso de vanguarda, iniciado na década de 80, que envolveu uma enorme geração de pensadores e militantes em torno de algumas bandeiras:

de governos de baixo para cima;
de independência a movimentos socialistas internacionais, (leia-se partidão e URSS);
de ética na política;
de distribuição de renda;
empoderamento do cidadão.
Já são quase 30 anos de construção que para a qual, aliás, muitos morreram (Chico Mendes) e outros tantos emprestaram longos anos da vida em reuniões para colocar o Lula lá.

Após a chegada ao poder, em nome de uma governabilidade, ou de um projeto político de poder, um belo dia, que considero a guinada do PT e do Lula, ele declarou:

O voto da classe média é caro! É melhor se dedicar ao voto dos mais pobres!

A partir daí, o Governo traçou uma nova estratégia de marketing, apostando muito na desinformação. Saiu da conversa de “tv a cabo” e optou pelo discurso da “tv aberta”.

Muitos discursos diretamente para a massa, programas de rádio, coluna do presidente, mas nenhuma coletiva de imprensa, debate na televisão, discussão de projetos.

Tem dado certo: o projeto de poder do Governo, em torno de um homem, e o (des) projeto de país. Não há reforma, conteúdo, apenas forma.

Longe de mim avaliar o atual Governo como algo só ruim, pois não existe governo só ruim. Muitos projetos isolados funcionam, até por que muita gente boa do PT está lá, idealistas e abnegados.

É válida e necessária a ideia de priorizar um setor excluído e abandonado fortemente nos últimos séculos. Certamente, algum retorno vai aparecer mais adiante, pois pouco a pouco mais e mais gente poderá se informar melhor e tomar suas próprias decisões.

O que se questiona não é o que, mas justamente o como se prioriza, com que objetivo e com que perspectiva.

O problema para o país é que o segmento que Lula resolveu apostar suas fichas, ou se aliar, é conservador e não inova, aceita sem questionar. O poder precisa de ideias novas para se renovar e, por isso, é necessário alianças lá e cá.

A massa não se mobiliza .

Não vai para as ruas com as bandeiras do PT ou outra qualquer, a não ser pagando.

(No Rio, fazem anos que não vejo militantes, só cabos eleitorais pagos nas eleições.)

Não tem um projeto de país, mas um de sobrevivência, o que é natural, mas esse modelo não pode ser o mesmo para a nação.

Alguém tem que propor um futuro!

A vanguarda que inovou e criou um partido independente, o PT, através de núcleos regionais , com seus méritos e desméritos, mas com uma proposta clara de mudança na forma e conteúdo de fazer política, não está mais na agenda do presidente.

Se dissipou na poeira da frustração, contando os anos como perdidos. Hoje, voltamos a quase o mesmo ponto do passado, pilotando um carro aparentemente novo. É uma estrada triste e dolorosa!

A opção do jeito que está sendo feita pelo atual Governo, aparentemente de esquerda, pelos mais pobres, é extremamente conservadora, pois não amplia o leque para outros segmentos.

Olha-se o tempo todo para o retrovisor e nunca para o pára-brisa.

É preciso para um pais avançar um projeto de futuro, que seja sustentável e criativo, que incorpore os excluídos, não com eleitores apenas, mas como cidadãos em um mundo cada vez mais tecnológico, conectado e dependente de informação.

Apostar na desinformação. Alijar os pensadores, a vanguarda, hoje em dia, como o atual Governo se propõe, é um crime desumano, com um preço alto para todos nós!

Note que o atual Governo está mais e mais cada vez menos colaborativo, mais 1.0, justamente no movimento anti-horário do que está acontecendo no mundo, vide iniciativas do Obama.

Nenhuma empresa é louca de não contar com os mais criativos e inovadores. Nós somos!

Estamos no movimento de arrombar mais e mais um cofre do qual apenas se saca um capital construído em 30 anos de criatividade e inovação, mas não se investe um centavo em novas ideias.

Pelo contrário, coloca-se cada vez mais gente do passado para administrar a senha. Só um novo movimento criativo, que tire o país da mesmice, PT vs. PSDB nos colocará de novo em movimento.

(Não, não acho que, por enquanto, é a Marina Silva, antes que me perguntem.)

É preciso tirar do armário uma massa latente e crítica disposta de novo a sonhar. Concordas?
fonte
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/08/26/presidente-lula-cada-vez-mais-10/





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